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Calor acima da média eleva risco de internações por infecção gastrointestinal em até 22%

Um estudo nacional revelou que um aumento de 5 °C na temperatura média diária pode elevar em 22 % o número de internações por infecção gastrointestinal nos nove dias seguintes. Os dados foram divulgados durante o Congresso Brasileiro de Pediatria, realizado em Belo Horizonte, no início de outubro de 2023. A pesquisa, que analisou mais de 1.800 municípios e abrangeu cerca de 78 % da população brasileira, destaca riscos específicos para bebês e crianças pequenas.

Relação entre El Niño e a saúde gastrointestinal

O fenômeno climático El Niño, que deve se intensificar nos próximos meses, está associado a alterações de temperatura, padrões de chuva e eventos de enchentes. Esses fatores influenciam diretamente a qualidade da água e a segurança dos alimentos, criando condições favoráveis à disseminação de microrganismos patogênicos. Conforme explica a gastropediatra Cristina Targa Ferreira, a combinação de calor intenso, seca e inundações pode desencadear surtos de doenças entéricas.

O estudo mostrou que, a cada elevação de 5 °C na temperatura média, o risco de hospitalização por infecção gastrointestinal aumenta 22 % nos dias subsequentes. Essa correlação foi observada em diferentes regiões do país, mas os efeitos foram mais pronunciados em áreas com infraestrutura sanitária limitada. Os resultados reforçam a necessidade de monitoramento climático como ferramenta de saúde pública.

Impactos regionais e grupos vulneráveis

No Norte e Nordeste, a combinação de calor extremo, baixa umidade e períodos prolongados de seca reduz a disponibilidade de água potável e dificulta a prática de higiene adequada. Essas condições aumentam a exposição a patógenos transmitidos pela água e pelos alimentos, especialmente em comunidades rurais. Já no Sul, as chuvas intensas e as enchentes podem sobrecarregar sistemas de saneamento, contaminando fontes de água e favorecendo surtos de gastroenterite.

Os bebês menores de 1 ano foram identificados como o grupo mais vulnerável. O sistema imunológico ainda em desenvolvimento, aliado à dependência de alimentos e líquidos preparados por cuidadores, eleva a probabilidade de infecções graves. Sinais de desidratação, como redução da urina, boca seca e ausência de lágrimas, devem ser monitorados de perto pelos pais.

Além das crianças, populações com acesso limitado a serviços de saúde e saneamento básico apresentam maior risco de complicações. Em áreas urbanas de baixa renda, a falta de água tratada e a dificuldade de descarte adequado de resíduos aumentam a incidência de doenças gastrointestinais durante períodos de calor intenso.

Medidas preventivas e recomendações

Para reduzir a exposição a fatores de risco, especialistas recomendam um conjunto de práticas de higiene, segurança alimentar e cuidados com a hidratação. A prevenção deve ser contínua, especialmente nos meses de maior incidência de calor e chuvas intensas.

  • Manter a hidratação adequada: oferecer água limpa e, se necessário, soluções de reidratação oral.
  • Lavar as mãos com água e sabão antes das refeições e após usar o banheiro.
  • Armazenar alimentos em temperatura segura, evitando o consumo de alimentos deixados fora da refrigeração por longos períodos.
  • Utilizar água filtrada ou fervida para preparo de alimentos e bebidas, principalmente em áreas onde a qualidade da água é duvidosa.
  • Observar sinais de desidratação ou diarreia intensa em crianças e buscar atendimento médico imediato.

Os profissionais de saúde também sugerem que as autoridades locais reforcem a vigilância sanitária durante eventos climáticos extremos. Programas de monitoramento da qualidade da água, campanhas de conscientização sobre higiene e a distribuição de kits de reidratação podem mitigar o impacto das infecções gastrointestinais.

Em termos de política pública, a integração entre setores de saúde, meio ambiente e meteorologia é essencial. Dados climáticos em tempo real podem orientar ações preventivas, como alertas de risco para comunidades vulneráveis e a mobilização de recursos de saúde em áreas críticas.

Por fim, a pesquisa enfatiza a importância de abordar a saúde intestinal como parte de um sistema integrado. Manter a microbiota equilibrada, através de uma dieta rica em fibras e probióticos, pode fortalecer a resposta imunológica e reduzir a gravidade de infecções gastrointestinais.

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