Em setembro de 2026, o instituto Datafolha divulgou os resultados de uma pesquisa que mediu o sentimento dos brasileiros diante dos recentes escândalos do Banco Master e da crise no Supremo Tribunal Federal. A entrevista foi realizada entre 15 e 16 de setembro, com 2.002 eleitores de 16 anos ou mais, em todo o território nacional. Os números revelam que 43% dos entrevistados se sentem otimistas, enquanto 37% manifestam pessimismo, e 20% permanecem indecisos.
Panorama geral do sentimento nacional
A pesquisa, encomendada pela Globo e pela Folha de S.Paulo, utilizou seis perguntas que abordavam emoções como tranquilidade, raiva, animação e desânimo ao pensar no Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os resultados mostram que a maioria dos brasileiros ainda mantém uma postura cautelosa, mas a tendência de otimismo supera a de pessimismo. Esse movimento se dá em um contexto de intensas disputas políticas e jurídicas, que têm mobilizado a opinião pública nas semanas que antecedem o primeiro turno das eleições.
Perfis de otimismo e pessimismo
O grau de pessimismo varia significativamente de acordo com a avaliação do governo, a filiação partidária, a escolaridade, a renda e a região. Entre os eleitores que consideram o governo Lula ruim ou péssimo, 64% se declararam pessimistas. Já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, o índice de pessimismo chegou a 56%.
O nível de escolaridade também influencia a percepção: 26% dos entrevistados com ensino fundamental são pessimistas, enquanto 46% dos que possuem ensino superior manifestam a mesma visão. A renda familiar segue padrão semelhante, com 34% de pessimismo entre famílias que recebem até dois salários mínimos e 49% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos.
Regionalmente, o Nordeste apresenta o menor índice de pessimismo (26%), enquanto o Sudeste registra o maior (45%).
- Governo Lula avaliado como ruim/péssimo: 64% pessimistas
- Apoiadores de Flávio Bolsonaro: 56% pessimistas
- Ensino fundamental: 26% pessimistas
- Ensino superior: 46% pessimistas
- Renda até 2 salários mínimos: 34% pessimistas
- Renda acima de 5 salários mínimos: 49% pessimistas
- Nordeste: 26% pessimistas
- Sudeste: 45% pessimistas
Nos grupos que se identificam como bolsonaristas, o otimismo subiu de 11% para 23% entre março e setembro, enquanto o pessimismo recuou de 72% para 56%. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o otimismo aumentou de 11% para 20% e o pessimismo caiu de 70% para 56%.
Para os eleitores que se declaram petistas, o otimismo avançou de 63% para 68% e o pessimismo diminuiu de 20% para 16%. Já entre os apoiadores de Lula, a parcela de otimistas passou de 67% para 71%, e a de pessimistas de 16% para 13%.
Contexto político e institucional
A pesquisa foi conduzida em meio à crise no STF, intensificada após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que investigava mensagens trocadas entre o ex‑deputado Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Desde então, documentos e mensagens adicionais foram divulgados, alguns ainda sob sigilo, envolvendo outros ministros e seus familiares.
Moraes e Gilmar Mendes criticaram a condução de Mendonça, acusando-o de irregularidades e de motivação político‑eleitoral. Mendonça, por sua vez, nega as acusações. A sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, terminou sem decisão, marcada por intensos embates entre os magistrados.
O governador de Maranhão, Flávio Dino, solicitou vista ao processo, obtendo até 90 dias para devolvê‑lo ao plenário. O prazo se encerra em dezembro, logo após as eleições, e a não devolução implicará a inclusão automática do caso em nova pauta.
Implicações para o primeiro turno
Os indicadores de otimismo e pessimismo têm papel relevante nas estratégias de campanha. O aumento do otimismo entre eleitores de candidatos do PL e entre bolsonaristas pode sinalizar uma retomada de confiança em suas propostas, enquanto a queda do pessimismo entre petistas e apoiadores de Lula sugere consolidação de bases.
Além disso, 78% dos entrevistados afirmam sentir mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro, enquanto 20% sentem o contrário. Essa percepção de identidade nacional pode influenciar a mobilização dos eleitores nas urnas.
Com a margem de erro de dois pontos percentuais, os dados apontam para um cenário ainda volátil, mas com tendências claras de redução do pessimismo e aumento do otimismo em grupos-chave. O próximo primeiro turno, marcado para outubro, será decisivo para confirmar se essas mudanças se traduzirão em votos efetivos.








