Um drone russo atingiu a Academia Nacional de Ciências da Ucrânia na manhã de segunda‑feira, 28 de junho, no centro de Kiev, provocando morte e ferimentos. O bombardeio foi registrado como um ato deliberado contra um símbolo de pesquisa e cultura ucraniana. Autoridades locais confirmaram ao menos um óbito e dezenas de pessoas feridas.
Detalhes do ataque e das vítimas
Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, o incidente deixou 19 pessoas feridas, das quais seis necessitaram de atendimento médico imediato. Entre os feridos, três eram crianças, o que aumentou a comoção da população. O diretor da Academia, Anatoly Zagorodny, descreveu a explosão como inesperada, ocorrida enquanto muitos funcionários ainda estavam dentro do prédio.
“Não temos vínculos com os militares. Este é um ataque à ciência. Isso é terrorismo”, afirmou Zagorodny, ressaltando a natureza civil do alvo. A instituição, reconhecida internacionalmente por suas pesquisas em biotecnologia e física, nunca foi associada a operações militares, o que reforça a alegação de crime contra a humanidade.
Imagens divulgadas pelo presidente Volodymyr Zelensky na rede X (antigo Twitter) mostraram a fachada da Academia em chamas, com fumaça negra escapando das janelas quebradas. Os bombeiros trabalharam intensamente para conter o incêndio, mas o dano estrutural já era significativo, comprometendo laboratórios e arquivos históricos.
Reação do governo ucraniano e da comunidade internacional
Zelensky utilizou a plataforma digital para condenar o ataque, chamando‑o de “terrorismo russo” e exigindo uma resposta firme da comunidade global. Em seu discurso, o presidente enfatizou que cada ato de agressão deveria ser acompanhado de sanções econômicas e apoio militar ainda mais robusto.
“Cada ato de terror russo resulta em vítimas que poderiam ter sido evitadas se a pressão fosse total”, escreveu Zelensky, pedindo que a Europa, os Estados Unidos e demais parceiros intensifiquem o cerco diplomático e econômico contra Moscou. Ele também solicitou apoio específico para sistemas de defesa antiaérea, energia e recursos orçamentários.
O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, acusou Moscou de cinismo ao escolher uma instituição científica como alvo, argumentando que a Rússia está expandindo os limites do que o mundo tolerará. “Cada ataque sem uma forte resposta apenas incentiva o próximo”, alertou Sybiha.
Organizações internacionais, incluindo a UNESCO e a Organização das Nações Unidas, emitiram notas de repúdio, classificando o ataque como violação do direito internacional humanitário. Vários países europeus anunciaram a entrega de equipamentos de defesa aérea adicionais para a Ucrânia.
Outros alvos atingidos na mesma madrugada
Além da Academia, o presidente Zelensky informou que a mesma operação russa atingiu múltiplos alvos civis em Kiev e em outras regiões do país. Entre os locais atingidos estavam:
- Uma empresa farmacêutica que produz vacinas essenciais para a população.
- Postos de gasolina estratégicos, comprometendo o abastecimento de combustível.
- Uma instalação médica que atendia emergências de trauma.
Em outras cidades, a madrugada foi marcada por destruição em larga escala. Em Kharkiv, um prédio residencial teve os segundos e quartos andares parcialmente destruídos. Na região de Odesa, um navio com bandeira de Palau foi alvejado, levantando preocupações sobre a segurança marítima.
Na cidade de Zhytomyr, uma fábrica de sorvetes sofreu danos consideráveis, afetando a cadeia de produção local. Residências nas regiões de Sumy, Rivne, Kharkiv e Odesa também foram atingidas por drones, deixando dezenas de famílias sem teto.
Infraestruturas críticas nas regiões de Vinnytsia, Dnipro, Khmelnytskyi e Zaporizhzhia foram visadas, comprometendo linhas de energia e sistemas de comunicação. O presidente ressaltou que esses ataques visam desestabilizar a vida cotidiana dos cidadãos ucranianos.
Em seu apelo final, Zelensky agradeceu à comunidade internacional que não se cala diante dos fatos e reforçou a necessidade de decisões claras: “Meios de defesa antiaérea, apoio energético, ajuda para cobrir déficits orçamentários – isso é o que hoje realmente fortalece a Ucrânia e ajuda nosso povo a resistir”.








