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Apoio ao impeachment de ministros do STF eleva a chance de voto em candidatos ao Senado, aponta Datafolha

Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) revelou que a postura favorável ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pode aumentar a probabilidade de eleitores escolherem determinados candidatos ao Senado. O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 16 de setembro, com 2.002 entrevistados de todo o país, a duas semanas da votação para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual.

Impacto do posicionamento pró-impeachment nas preferências eleitorais

Os dados mostram que o efeito do apoio ao impeachment varia de acordo com a filiação partidária dos eleitores. Entre os que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (PL), quase metade – 49% – afirma que a posição pró-impeachment do candidato aumenta as suas chances de voto. Em contraste, apenas 23% dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram que esse posicionamento seria favorável.

Essas diferenças revelam como a percepção da crise institucional pode ser instrumentalizada por diferentes lideranças. Enquanto a base de Bolsonaro parece enxergar o impeachment como um sinal de firmeza contra supostos abusos de poder, parte do eleitorado de esquerda ainda demonstra ceticismo quanto à eficácia de tal medida para melhorar a governança.

Contexto da crise no STF e o escândalo Master

A pesquisa foi feita em meio a uma intensificação da crise no STF, desencadeada após o ministro André Mendonça ter levantado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que investigava mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Desde então, documentos adicionais foram divulgados, alguns ainda sob sigilo, contendo referências a outros ministros e seus familiares.

Essas revelações geraram fortes críticas internas. O próprio ministro Moraes acusou Mendonça de irregularidades e de atropelar procedimentos investigativos, enquanto Gilmar Mendes alegou motivação político-eleitoral por trás da ação de seu colega. Mendonça, por sua vez, nega as acusações.

Repercussões na corrida presidencial

Além do efeito direto sobre a eleição do Senado, a pesquisa também investigou se a crise no STF e o caso Master influenciariam o voto presidencial. Quase metade dos entrevistados (49%) afirmou que a situação não teria impacto no seu voto em 4 de outubro, enquanto 47% acreditam que a crise pode, sim, influenciar sua escolha.

Esses números sugerem que, apesar da alta cobertura midiática, uma parcela significativa da população ainda separa questões institucionais da decisão sobre quem deve ocupar a presidência, focando mais em propostas econômicas e sociais.

Detalhes metodológicos e abrangência da pesquisa

O estudo foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O número de registro no TSE da pesquisa é BR-04029/2026, garantindo transparência e rastreabilidade dos dados.

Com a renovação de dois terços das cadeiras do Senado – 54 de 81 – cada eleitor precisará escolher dois candidatos diferentes. Essa dinâmica eleva a importância de entender como temas como o impeachment de ministros podem moldar decisões em uma eleição tão decisiva.

Como o eleitor pode se proteger de erros ao votar

Para evitar equívocos na hora de marcar a cédula, é essencial que o eleitor conheça bem o número de cada candidato, a sigla do partido e, sobretudo, as propostas que cada um apresenta. A seguir, listamos recomendações práticas:

  • Verifique o número oficial do candidato no site do TSE antes de votar.
  • Confira a sigla do partido e a foto do candidato na lista de votação.
  • Leia atentamente o resumo das propostas, especialmente aquelas relacionadas ao STF e ao combate à corrupção.
  • Se ainda houver dúvidas, procure a seção de dúvidas frequentes no site da Justiça Eleitoral.

Essas medidas simples podem reduzir a chance de votos nulos ou em branco e garantir que a escolha reflita realmente a intenção do eleitor.

Perspectivas para o futuro institucional

O desfecho da crise no STF ainda depende de decisões judiciais pendentes e da condução das investigações. O ministro Flávio Dino, por exemplo, pediu vista ao caso, o que lhe concede até 90 dias para analisar o processo antes de devolvê‑lo ao plenário. Caso o prazo expire sem retorno, o assunto será automaticamente incluído novamente na pauta do tribunal.

Se as investigações avançarem e resultarem em medidas concretas contra eventuais irregularidades, isso pode restaurar parte da confiança da população nas instituições. Por outro lado, a perpetuação de impasses pode alimentar ainda mais o clima de descrédito, influenciando futuras disputas eleitorais.

Em síntese, a pesquisa do Datafolha evidencia que a percepção pública sobre o STF e o impeachment de seus ministros está profundamente entrelaçada com as escolhas eleitorais, sobretudo no Senado, onde os candidatos terão poder de julgar ministros em processos de responsabilidade. O cenário indica que a política institucional continuará a ser um tema central nas próximas semanas, moldando tanto a campanha presidencial quanto a renovação do Legislativo.

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