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Anvisa autoriza Aquipta, novo tratamento oral para prevenção da enxaqueca no Brasil

Em setembro de 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registro ao Aquipta, medicamento oral da AbbVie destinado à prevenção da enxaqueca. A aprovação foi publicada oficialmente na última terça‑feira e já permite a comercialização do fármaco em território nacional. O novo tratamento chega ao Brasil após a autorização da União Europeia, ampliando as opções terapêuticas para quem sofre com crises frequentes.

Detalhes da aprovação e disponibilidade

A Anvisa autorizou duas apresentações de Aquipta: comprimidos de 10 mg e de 60 mg, cada caixa contendo 28 unidades. O registro tem validade até setembro de 2036, porém a disponibilidade nas farmácias dependerá da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Até o momento, a AbbVie não divulgou a data exata de chegada do produto ao mercado brasileiro, nem o valor que será praticado. O g1 tentou obter essas informações, mas ainda não recebeu resposta oficial da empresa.

  • Apresentação de 10 mg – caixa com 28 comprimidos
  • Apresentação de 60 mg – caixa com 28 comprimidos
  • Validade do registro: até 09/2036

Como o atogepanto age na enxaqueca

O princípio ativo do Aquipta é o atogepanto hidratado, classificado como um gepante. Gepantes são moléculas pequenas que bloqueiam o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), uma substância chave na transmissão da dor durante as crises de enxaqueca.

Quando o CGRP se liga ao seu receptor, ele desencadeia uma cascata de sinais que sensibiliza o nervo trigêmeo, responsável pela percepção de dor na cabeça e na face. Ao ocupar esse receptor, o atogepanto impede que o CGRP exerça seu efeito, reduzindo a frequência e a intensidade das crises.

Diferente dos anticorpos monoclonais que também miram o CGRP, mas são administrados por injeção, o atogepanto pode ser tomado por via oral, facilitando a adesão ao tratamento diário.

Evidências clínicas de eficácia

Dois estudos de fase 3 avaliaram a eficácia do atogepanto em pacientes com enxaqueca episódica e crônica. No ensaio ADVANCE, 910 adultos com quatro a 14 dias de enxaqueca por mês foram randomizados para receber 10 mg, 30 mg, 60 mg ou placebo durante 12 semanas.

Os participantes que usaram 60 mg diários apresentaram uma redução média de 4,2 dias de enxaqueca por mês, enquanto o grupo placebo reduziu apenas 2,5 dias. Essa diferença de 1,7 dia representa o benefício adicional atribuído ao tratamento.

Além disso, 60,8 % dos pacientes na dose de 60 mg atingiram uma diminuição de pelo menos 50 % no número de dias de crise, contra 29 % no grupo placebo.

O estudo PROGRESS, focado em enxaqueca crônica, acompanhou 778 adultos que viviam cerca de 19 dias de crise por mês. Com a dose de 60 mg, a redução média foi de 6,9 dias, comparada a 5,1 dias no placebo. Aproximadamente 41 % dos pacientes tratados alcançaram a marca de 50 % de redução, enquanto apenas 26 % do grupo placebo chegaram a esse patamar.

  • ADVANCE: redução média de 4,2 dias (60 mg) vs 2,5 dias (placebo)
  • PROGRESS: redução média de 6,9 dias (60 mg) vs 5,1 dias (placebo)
  • Responder ≥50 %: 60,8 % (ADVANCE) vs 29 % (placebo)
  • Responder ≥50 % (crônica): 41 % vs 26 %

Perspectivas para pacientes e mercado brasileiro

A enxaqueca afeta cerca de 15 % da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde, o que corresponde a mais de 30 milhões de pessoas. Muitos pacientes ainda dependem de medicamentos originalmente desenvolvidos para outras condições, como anticonvulsivantes e antidepressivos, que apresentam eficácia limitada e efeitos colaterais indesejados.

Com a aprovação do Aquipta, os profissionais de saúde ganharão um recurso terapêutico específico, desenvolvido para atuar diretamente na via do CGRP. Isso pode significar menos interrupções de tratamento e melhor qualidade de vida para quem sofre com crises frequentes.

Entretanto, a efetiva introdução do Aquipta no mercado dependerá da negociação de preço com a CMED e da logística de distribuição das farmácias. Caso o preço seja estabelecido de forma competitiva, espera‑se que o medicamento seja incorporado rapidamente aos protocolos de tratamento de neurologistas e clínicas de dor.

Além da prevenção, a indicação europeia ampliada para tratamento de crises agudas pode abrir caminho para futuras atualizações na bula brasileira, ampliando ainda mais o leque de benefícios para os pacientes.

Em síntese, a aprovação do Aquipta representa um marco importante na farmacologia da enxaqueca no Brasil, trazendo uma alternativa oral, eficaz e baseada em evidências robustas. O próximo passo será observar como o preço será definido, como será a aceitação pelos profissionais de saúde e, sobretudo, como os pacientes responderão ao novo tratamento no dia a dia.

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