Na última sexta‑feira (2), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a apreensão de dois lotes de antitranspirante falsificado e a proibição de comercialização de diversos produtos capilares e de um gel íntimo. A medida foi publicada no Diário Oficial da União, reforçando a vigilância sobre a cadeia de consumo no Brasil.
Ação da Anvisa contra o antitranspirante falsificado
A Anvisa identificou duas unidades do antitranspirante Perspirex Strong Axilar com numeração de lote 614323 e 614326, fabricadas por uma empresa desconhecida. O registro oficial do produto pertence à MegaLabs Farmacêutica, que declarou não ter participado da produção desses lotes.
Os rótulos apresentavam dados cadastrais da agência de forma indevida, indicando tentativa de confundir o consumidor quanto à origem e à qualidade do produto. Em resposta, o órgão proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e o uso desses lotes irregulares.
Além da apreensão, a Anvisa orienta farmácias, drogarias e plataformas de e‑commerce a verificarem a autenticidade dos códigos de lote antes de disponibilizar o produto ao público. A fiscalização continuará monitorando o mercado para evitar novas ocorrências.
Produtos capilares sem regularização sanitária
Na mesma resolução, a agência ampliou a restrição a dois itens voltados para cuidados capilares. O primeiro é o solvente “MAV C‑22 Solvente Removedor Cola Mega Hair”, destinado à remoção de cola de megahair, fabricado por uma companhia que não possui registro na Anvisa.
O segundo produto é o “Ghostbond XL – With Extra Moisture Control”, indicado para próteses capilares, também comercializado sem a devida regularização sanitária. Ambos os itens foram vetados em todas as etapas de comercialização, incluindo propaganda e importação.
Essas proibições visam proteger os consumidores de riscos potenciais, como reações alérgicas, irritações cutâneas e danos ao cabelo, que podem decorrer do uso de formulações não testadas e não aprovadas.
Casos de falsificação no segmento de higiene íntima
Em outra medida publicada na mesma data, a Anvisa apontou um lote falsificado do gel hidratante intravaginal Hidrafemme. A empresa detentora do registro, Helianto Farmacêutica Ltda., detectou no mercado unidades com divergências claras em relação à embalagem original.
O lote identificado, “lot 2 2511006”, não segue o padrão de codificação adotado pela Hidrafemme, apresenta caixa significativamente menor e aplicadores incompatíveis com o tamanho da embalagem. O rótulo, ainda, consiste em papel impresso colado, ao contrário do material laminado utilizado nas versões originais.
Essas irregularidades foram encontradas em vendas realizadas pela plataforma de e‑commerce Shopee, o que levou a Anvisa a proibir a comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e o uso desse lote falsificado.
O órgão reforça que a falsificação de produtos de higiene íntima pode gerar sérios riscos à saúde da mulher, incluindo infecções, irritações e desequilíbrios da flora vaginal.
Como identificar produtos falsificados e proteger seu consumo
- Confira se o número do lote está impresso de forma legível e corresponde ao padrão do fabricante.
- Observe a qualidade do material da embalagem; rótulos colados ou com impressão de baixa resolução são sinais de alerta.
- Compare o tamanho e o formato dos aplicadores ou acessórios com os originais.
- Desconfie de preços muito abaixo do praticado no mercado oficial.
- Prefira adquirir produtos em estabelecimentos reconhecidos ou diretamente nos sites oficiais das marcas.
Para quem já adquiriu algum dos itens citados, a Anvisa recomenda a devolução imediata ao estabelecimento de compra e a notificação à agência por meio do canal de denúncias. O consumidor pode ainda registrar a ocorrência na plataforma Consumidor.gov.br.
Além da ação corretiva, a agência está intensificando a cooperação com órgãos de fiscalização estaduais e com plataformas digitais para rastrear e bloquear vendedores que ofereçam produtos sem registro ou falsificados.
Especialistas em segurança do consumidor apontam que o aumento da compra online, aliado à falta de verificação rigorosa por parte de alguns marketplaces, cria um ambiente propício para a circulação de mercadorias irregulares.
Em entrevista, a diretora‑executiva da Anvisa destacou que a prevenção depende da conscientização do público e da atuação conjunta entre reguladores, fabricantes e varejistas. “Quando o consumidor conhece os sinais de falsificação, ele se torna a primeira linha de defesa”, afirmou.
Os produtores legítimos também têm papel fundamental ao garantir que seus canais de distribuição sejam monitorados e que informações sobre lotes e embalagens sejam transparentes e de fácil acesso.
Com a publicação das medidas, a Anvisa reforça seu compromisso de garantir a segurança sanitária e a qualidade dos produtos disponíveis no mercado brasileiro, protegendo a saúde da população.
Os próximos passos incluem auditorias surpresa em estabelecimentos que comercializam produtos de higiene pessoal e a ampliação de campanhas educativas nas redes sociais, com foco em identificar e denunciar falsificações.








