O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE‑SP) concedeu autorização para a realização da caminhada de Lula e Haddad na região da Avenida Paulista, neste sábado, 3 de outubro, véspera do primeiro turno das eleições. A decisão foi tomada por maioria de cinco votos a um, revertendo orientação anterior da Subprefeitura da Sé que limitava o uso da avenida. O evento deverá iniciar às 10h na esquina da Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo e terminar por volta das 13h.
Contexto da decisão judicial
A solicitação foi feita pela coligação Desperta São Paulo, que reúne as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência e Fernando Haddad ao governo estadual. A coligação alegou que o ato já havia sido comunicado aos órgãos públicos competentes e que houve reunião prévia em 30 de setembro.
Participaram da reunião representantes da Polícia Militar, da CET, da Guarda Civil Metropolitana, da SPTrans, do Metrô e das subprefeituras da Sé e de Pinheiros. O objetivo era alinhar detalhes logísticos e garantir a fluidez do trânsito durante a manifestação.
A Subprefeitura da Sé havia emitido um ofício que recomendava a não utilização da Avenida Augusta e apontava dificuldades para o uso da Avenida Paulista, citando um ofício interno do próprio TRE‑SP que visava proteger vias estratégicas para a logística eleitoral.
A relatora do caso, juíza Cláudia Bedotti, entendeu que a recomendação não equivalia a proibição legal de manifestações. Segundo a magistrada, a exigência era preservar a fluidez viária, não impedir qualquer ato público nos logradouros indicados.
Bedotti destacou que transformar a recomendação em impedimento total configurava medida mais restritiva do que o necessário para atender às determinações eleitorais. Por isso, a decisão liminar suspendeu os efeitos do ofício da Subprefeitura.
Detalhes da caminhada e percurso
O trajeto aprovado inclui duas quadras da Avenida Paulista, seguida pela Rua Augusta até a Praça Roosevelt, onde será instalado um palco com carro de som. A concentração dos participantes está prevista para a esquina da Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo, às 10h.
Após o percurso, a dispersão dos manifestantes deve ocorrer até as 13h, permitindo a retomada normal do tráfego nas vias envolvidas. O evento contará com apoio logístico de equipes de segurança e de mobilidade urbana.
- Polícia Militar – coordenação de segurança e controle de acesso;
- CET – orientação para o fluxo de ônibus e micro-ônibus;
- SPTrans e Metrô – ajustes nos itinerários e nas estações próximas;
- Guarda Civil Metropolitana – apoio ao trânsito e à ordem pública;
- Subprefeituras da Sé e de Pinheiros – apoio institucional e operacional.
Os organizadores comprometem‑se a não obstruir o trânsito e a respeitar todas as determinações das autoridades. Equipamentos de som, iluminação e estruturas de palco deverão ser instalados de forma a garantir a segurança dos participantes e dos pedestres.
Além disso, a equipe de organização deverá manter contato constante com a central de comando da Polícia Militar para ajustes em tempo real, caso ocorram imprevistos no fluxo de veículos ou de pessoas.
Implicações e possíveis recursos
A autorização concedida não é irrestrita; ela está condicionada ao cumprimento rigoroso das normas de mobilidade e segurança. Qualquer violação pode gerar sanções ou a suspensão do evento.
O TRE‑SP ainda permite a interposição de recursos contra a decisão, o que pode levar a novas discussões jurídicas nos próximos dias. A coligação Desperta São Paulo já manifestou intenção de monitorar a execução do evento para evitar qualquer questionamento futuro.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a decisão reforça o princípio da liberdade de manifestação dentro dos limites da ordem pública. Eles ressaltam que a jurisprudência costuma equilibrar o direito de expressão com a necessidade de garantir a segurança e a fluidez do tráfego.
Por outro lado, grupos de mobilidade urbana alertam para os riscos de congestionamento e para a necessidade de um planejamento ainda mais detalhado. Eles sugerem que a prefeitura poderia ter proposto rotas alternativas ou horários diferentes para minimizar impactos.
O cenário político, ainda em clima de alta tensão, faz com que cada decisão judicial seja observada de perto pelos candidatos e pelos eleitores. A caminhada de Lula e Haddad representa uma das maiores mobilizações pré‑eleitorais do estado de São Paulo.
Com a autorização em mãos, a coligação pretende usar o evento como oportunidade de reforçar suas propostas de governo, mobilizar eleitores indecisos e demonstrar força nas principais avenidas da capital. A expectativa é que a presença de lideranças nacionais e estaduais atraia grande cobertura da imprensa.
Ao mesmo tempo, a oposição acompanha de perto a execução do plano, pronta para apontar eventuais falhas ou descumprimentos das regras estabelecidas. Essa dinâmica pode gerar novos debates sobre a adequação das normas eleitorais frente a manifestações de grande porte.
Em síntese, a decisão do TRE‑SP abre caminho para a realização da caminhada, mas impõe condições claras para que o evento ocorra sem prejudicar a mobilidade urbana. O sucesso da operação dependerá da cooperação entre organizadores, autoridades de segurança e órgãos de trânsito.
Os próximos dias serão decisivos para observar como as partes envolvidas colocarão em prática as diretrizes estabelecidas. O resultado poderá servir de precedente para futuras manifestações eleitorais em grandes centros urbanos.








