Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça‑feira, 8 de setembro de 2024, mostrou que a maioria dos cidadãos norte‑americanos considera o terrorismo doméstico a principal ameaça à segurança, superando o medo de grupos estrangeiros. O levantamento foi realizado poucos dias antes do 25.º aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001, que devastaram Nova Iorque.
Percepções atuais sobre a ameaça terrorista
Quando questionados sobre o que mais coloca em risco o cidadão comum, 33% dos entrevistados apontaram o terrorismo doméstico, dezessete pontos percentuais à frente da preocupação com terroristas estrangeiros, que recebeu 20% das respostas. Outra parcela significativa, 42%, indicou que o perigo mais grave vem de atos aleatórios de violência, como massacres em escolas ou tiroteios em locais públicos.
Em relação à motivação ideológica dos atentados, a diferença se ampliou: 61% dos americanos acreditam que extremistas domésticos são mais perigosos que seus equivalentes estrangeiros, que obtiveram apenas 34% das menções. Esse cenário reflete uma percepção de que a radicação de ideologias radicais dentro do próprio país está se tornando mais fácil e mais letal.
Os entrevistados ainda destacaram que a violência espontânea, sem vínculo claro a organizações terroristas, tem ganhado destaque na agenda de segurança pública. Essa preocupação está alinhada com o aumento de tiroteios em massa nos últimos dez anos, que têm sido amplamente divulgados pela mídia e gerado debates intensos sobre controle de armas e políticas de prevenção.
Comparação com dados de 2013
Para entender a evolução da percepção, a pesquisa de 2024 pode ser comparada com um levantamento semelhante realizado em meados de 2013. Naquela época, apenas 21% dos americanos consideravam o terrorismo doméstico a principal ameaça, enquanto 28% apontavam para grupos estrangeiros como o maior risco.
Além disso, em 2013, 51% dos respondentes acreditavam que atos aleatórios de violência representavam o perigo mais grave, número semelhante ao observado em 2024. Essa mudança indica que, ao longo de uma década, a preocupação com extremistas internos ganhou força, enquanto a ameaça externa perdeu parte de sua preeminência na opinião pública.
Impactos das políticas de segurança pós‑11 de setembro
As medidas adotadas após os ataques de 2001, como o reforço da segurança nos aeroportos, continuam recebendo amplo apoio. Setenta e um por cento dos democratas e 75% dos republicanos aprovam a presença de agentes de segurança armados nos terminais, mesmo que isso cause incômodos aos viajantes.
Entretanto, propostas de privatização da segurança aeroportuária encontram resistência. Apenas 23% dos entrevistados apoiam a ideia de delegar essa função ao setor privado, enquanto 48% se posicionam contra a mudança, temendo perda de controle e eficácia.
Outra política controversa é a vigilância eletrônica sem mandado judicial. Mais de 65% dos americanos se opõem à permissão concedida a agências de inteligência para monitorar comunicações de cidadãos comuns, medida que foi temporariamente renovada em 2008 e cujo prazo expirou recentemente.
Desafios futuros e opiniões sobre vigilância
Apesar das críticas a algumas políticas, a maioria da população ainda acredita que a resposta governamental ao 11 de setembro foi, em parte, eficaz na prevenção de novos atentados em solo americano. Cerca de 60% dos entrevistados, número que sobe para 80% entre eleitores republicanos, compartilham dessa visão.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revelou que 48% dos americanos consideram que a guerra no Afeganistão não valeu a pena, e 51% chegam a mesma conclusão sobre o conflito no Iraque. Esses números refletem um ceticismo crescente em relação a intervenções militares prolongadas no Oriente Médio.
Os principais ataques internos que influenciaram a percepção de risco incluem:
- Boate Pulse, Orlando (2016) – 49 mortos.
- Massacre em uma escola de Parkland, Flórida (2018) – 17 mortos.
- Ataque ao Capitólio, Washington (2021) – 5 mortos.
- Assassinato de um jornalista em Minneapolis (2022) – 1 morto.
Esses episódios demonstram que a violência motivada por ideologias extremas dentro dos Estados Unidos tem se tornado tão letal quanto os ataques coordenados por organizações estrangeiras. O legado de 11 de setembro ainda está presente na memória coletiva, com 60% dos americanos afirmando pensar periodicamente sobre o evento, e a mesma proporção declarando que apoiaria uma resposta militar caso um ataque similar ocorra novamente.
Em síntese, a pesquisa Reuters/Ipsos de setembro de 2024 indica que a preocupação nacional está se deslocando do exterior para o interior. Enquanto as políticas de segurança aeroportuária permanecem populares, a vigilância eletrônica e a privatização de serviços críticos enfrentam resistência. O desafio para os formuladores de políticas será equilibrar a proteção contra ameaças domésticas crescentes sem sacrificar liberdades civis fundamentais.








