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Alcolumbre enfrenta crise em Brasília e perde aliados no Amapá

Em 2024, o senador Davi Alcolumbre, líder da bancada da União Brasil, enfrenta uma série de obstáculos para consolidar aliados no Amapá, seu reduto eleitoral tradicional. Apesar de comandar o Senado e ter influência em Brasília, o político vê seu poder regional ameaçado por rivalidades internas e pressões externas. O cenário se desenrola entre Macapá, a capital do estado, e o Congresso Nacional, onde decisões estratégicas são tomadas.

O protagonismo de Alcolumbre no cenário nacional

Alcolumbre assumiu a presidência do Senado pela segunda vez, reforçando seu papel como árbitro das disputas entre o Executivo e o Legislativo. Durante a gestão de Jair Bolsonaro, ele impôs obstáculos a indicações ao Supremo Tribunal Federal, como a demora de seis meses para a sabatina de André Mendonça. O mesmo padrão se repetiu sob Lula, quando a indicação de Jorge Messias foi rejeitada após intensas negociações.

Além das nomeações, o senador tem sido peça-chave ao segurar votações de impeachment de magistrados, como no caso de Alexandre de Moraes, que está sob investigação no escândalo do Banco Master. Essa postura lhe rendeu tanto aliados quanto inimigos dentro do Congresso, consolidando sua imagem de “cabeça de ponte” entre facções opostas.

O apoio de Alcolumbre ao governo Lula foi visto como um trunfo para a aliança de 2026, especialmente após a descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. O presidente compareceu a um navio‑sonda da Petrobras ao lado do senador, de Randolfe Rodrigues e do governador do Amapá, numa tentativa de transformar a descoberta em moeda política.

Desafios no Amapá: a disputa eleitoral

No estado, o governador Clécio Luis, também da União Brasil, luta para garantir a reeleição e manter a hegemonia que perdura desde a vitória de Waldez Góes em 2014. Uma pesquisa da Real Time Big Data, divulgada em setembro, mostrou que Clécio tem apenas 31% das intenções de voto, enquanto o ex‑prefeito Antônio Furlan, do PSD, lidera com 62%.

Macapá concentra 56% dos eleitores do Amapá, o que torna a capital decisiva nas urnas. Em 2024, Furlan foi reeleito prefeito no primeiro turno com quase 86 mil votos a mais que o total obtido por Clécio em sua campanha governamental de 2022. “Macapá é uma capital‑estado e concentra basicamente todos os serviços. E nós transformamos a forma de gerir e fazer política”, afirmou o prefeito.

A corrida ao Senado também evidencia a fragilidade da aliança de Alcolumbre. A esposa de Furlan, Rayssa Furlan (Podemos), lidera a disputa com 33% das intenções, distante dos candidatos apoiados pelo senador: Randolfe Rodrigues (PT) tem 20% e Alliny Serrão (União Brasil) apenas 9%.

  • Perda de apoio interno no governo estadual
  • Fortalecimento de opositores locais
  • Concentração demográfica em Macapá
  • Desgaste da máquina pública tradicional
  • Competição acirrada na corrida ao Senado

Esses fatores combinados criam um cenário de risco concreto para Alcolumbre, que vê seu domínio político no Amapá escorregar.

Pressão em Brasília e a crise do STF

Ao mesmo tempo, o senador enfrenta uma pressão crescente no âmbito nacional. Na última semana, um relatório apócrifo da Polícia Federal o citou como “alvo estratégico” de investigação, alimentando rumores de que o ministro André Mendonça poderia abrir um inquérito contra ele.

Além disso, o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes ganhou força entre alguns senadores, embora Alcolumbre tenha se mantido firme em recusar a abertura do processo. Essa postura gerou críticas intensas, especialmente quando a Casa legislativa entrou em “recesso branco” no meio da crise institucional.

A tensão chegou às ruas de Macapá. No domingo, 13 de setembro, o deputado Nikolas Ferreira (PL‑MG) reuniu cerca de 6 mil pessoas em um ato contra Alcolumbre, proclamando: “Nunca mais o Amapá se curvará para a velha política”. O discurso terminou com um grito de “Fora, Davi!”.

Perspectivas para 2026 e o futuro da hegemonia

Olhar para as eleições de 2026 revela um panorama incerto. A aliança com Lula, embora ainda forte, não garante vitória no Amapá, onde o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, mantém uma disputa apertada – 34% contra 32% de Alcolumbre nas últimas sondagens.

Se a descoberta de petróleo se transformar em desenvolvimento econômico efetivo, o presidente pode usar esse argumento para reforçar a base de apoio de Alcolumbre. No entanto, a percepção de que a máquina política local está enfraquecida pode neutralizar esse benefício.

Para preservar seu legado, Alcolumbre precisará renegociar alianças dentro do estado, buscar novos lideranças que aceitem sua direção e, simultaneamente, manter a relevância no Senado, atuando como mediador entre as forças governamentais e a oposição.

Em suma, o futuro do senador depende de sua capacidade de equilibrar duas frentes: a resistência crescente no Amapá e a pressão institucional em Brasília. O próximo ciclo eleitoral será decisivo para definir se ele continuará sendo a figura central da política amapaense ou se assistirá ao declínio de sua hegemonia.

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