Os Estados Unidos e a China anunciaram, neste domingo, a intenção de baixar tarifas sobre mercadorias que totalizam cerca de US$ 60 bilhões em comércio bilateral, abrangendo desde alimentos até eletrônicos. A medida foi divulgada pela Casa Branca, que ainda não definiu alíquotas específicas nem o calendário de implementação. O anúncio ocorre em meio a uma trégua comercial que se estende até 10 de janeiro de 2027.
Contexto do acordo e expectativas
O encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, resultou em um consenso sobre a necessidade de aliviar as tensões tarifárias que se intensificaram nos últimos anos. Ambos os líderes concordaram em abrir um canal de comunicação permanente, inclusive para discutir questões emergentes como a inteligência artificial. A expectativa é que a redução de tarifas favoreça setores estratégicos de ambas as nações.
Segundo o comunicado, os países irão analisar a lista de produtos com base nos fluxos comerciais de 2024, aplicando as reduções de acordo com suas legislações internas. Até o momento, nenhuma tarifa foi efetivamente alterada, mas o documento sinaliza um compromisso mútuo de avançar nas negociações.
Produtos americanos que podem ter tarifas reduzidas na China
A China analisará mais de 1.600 categorias de produtos provenientes dos Estados Unidos. Entre os itens listados estão carnes bovina, suína e de ave, frutos do mar, laticínios, trigo, milho, carvão, uísque, cosméticos, madeira e equipamentos médicos. A redução das tarifas nesses setores pode impulsionar as exportações americanas, especialmente em áreas que enfrentam forte concorrência internacional.
- Carne bovina e suína
- Frutos do mar e laticínios
- Produtos agrícolas como trigo e milho
- Carvão mineral
- Uísque e bebidas alcoólicas
- Cosméticos e produtos de beleza
- Madeira e derivados
- Equipamentos médicos avançados
Além disso, o acordo prevê que a China importará, no mínimo, 10 milhões de toneladas de carvão americano por ano em 2027 e 2028, reforçando a demanda por energia fóssil dos EUA.
Produtos chineses que podem ter tarifas reduzidas nos EUA
Nos Estados Unidos, a proposta inclui a redução de tarifas sobre 77 categorias de produtos chineses. Os itens variam de fogos de artifício a pequenos eletrodomésticos, passando por guirlandas de Natal, cadeirinhas de carro para crianças, brinquedos analógicos e bolas esportivas. Essa diversidade reflete a amplitude do comércio de bens de consumo entre os dois países.
- Fogos de artifício e itens festivos
- Pequenos eletrodomésticos
- Guirlandas e decorações natalinas
- Cadeirinhas de segurança para crianças
- Brinquedos analógicos e tradicionais
- Bolas e equipamentos esportivos
Ao reduzir as tarifas sobre esses produtos, os consumidores americanos podem esperar preços mais competitivos, enquanto os exportadores chineses ganham acesso facilitado ao mercado norte‑americano.
Desafios e próximos passos
Apesar do otimismo gerado pelo anúncio, ainda há questões pendentes que podem atrasar a efetivação do acordo. As negociações sobre terras raras, por exemplo, permanecem em aberto, sendo um ponto sensível devido à sua importância estratégica para a indústria de alta tecnologia. A Casa Branca afirmou que continuará o diálogo para chegar a um consenso que beneficie ambas as partes.
Outro desafio é a necessidade de alinhar as reduções tarifárias com as legislações internas de cada país. Nos Estados Unidos, o Congresso tem papel decisório na aprovação de mudanças tarifárias, enquanto na China, o Ministério do Comércio deve validar as propostas. Esse processo pode prolongar a implementação efetiva das reduções.
Por fim, a extensão da trégua comercial até 10 de janeiro de 2027 oferece um período de estabilidade que pode ser utilizado para aprofundar as discussões e firmar compromissos mais robustos. Caso as partes cumpram os acordos preliminares, o comércio bilateral tem potencial para crescer de forma sustentável nos próximos anos.








