Em entrevista concedida ao programa VEJA em Foco, exibido na última quinta‑feira em São Paulo, o publicitário Eduardo Fischer, ex‑marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que o senador pode terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração surge no mesmo dia em que o Datafolha divulgou nova pesquisa sobre as intenções de voto para a disputa que se aproxima.
Análise de Fischer à luz da última pesquisa Datafolha
Fischer utilizou como ponto de partida a diferença de três pontos percentuais entre Lula (39%) e Flávio (36%) apresentada na pesquisa. Segundo ele, essa margem pode ser reduzida rapidamente nas próximas semanas, especialmente se houver migração de eleitores de candidatos que ainda não superaram a marca dos 10%.
Ele ressaltou que “Flávio tem chance de encostar mais ou sair na frente no primeiro turno”, mas fez a distinção de que isso não significa vitória automática no próprio turno, apenas liderança momentânea nas urnas.
A pesquisa Datafolha traz ainda a projeção para o segundo turno, onde Lula aparece com 46% e Flávio com 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Fischer interpreta esse cenário como sinal de que a disputa está extremamente equilibrada e que pequenas variações de apoio podem mudar o quadro final.
Cenário dos candidatos e margem de erro
Com a margem de erro de ±2 pontos, tanto Lula quanto Flávio permanecem dentro do mesmo intervalo estatístico, o que, segundo especialistas, indica que os números ainda não são definitivos. Fischer destacou que a diferença de três pontos no primeiro turno é justamente a base de sua análise, pois representa um espaço potencial para que Flávio aumente sua participação.
Ele também apontou que a estabilidade observada entre as duas rodadas da pesquisa sugere que o eleitorado ainda está em fase de decisão, aberto a reavaliar suas opções à medida que a campanha avança.
Para ilustrar a situação, Fischer enumerou os candidatos que, na visão dele, podem influenciar o resultado final:
- Ronaldo Caiado (União Brasil)
- Romeu Zema (Novo)
- Renan Santos (Cidadania)
- Augusto Cury (Podemos)
Juntos, esses nomes somam aproximadamente 15% das intenções de voto, um bloco que, segundo o publicitário, pode ser decisivo se redirecionado para Flávio.
Possíveis migrações de eleitores e projeções de futuro
Fischer argumenta que eleitores de direita e centro‑direita que atualmente apoiam candidatos como Caiado ou Zema podem mudar de escolha caso percebam que sua primeira opção não tem chances reais de chegar ao segundo turno. Nessa hipótese, ele acredita que muitos desses eleitores buscarão um candidato com maior viabilidade, e Flávio Bolsonaro seria o principal beneficiário.
Ele estimou que até 70% dos eleitores dos demais candidatos poderiam migrar para Flávio, embora tenha deixado claro que se trata de uma projeção pessoal e “futurologia”.
O publicitário também enfatizou que a dinâmica da campanha nas próximas duas semanas pode alterar drasticamente o cenário. “Cada dia dessas duas semanas e meia pode significar vários meses”, afirmou, lembrando que eventos inesperados, debates e alianças podem mudar a percepção do eleitorado.
Em resumo, a avaliação de Fischer indica que, embora a pesquisa mostre Lula na frente, a diferença está dentro do intervalo de erro e há espaço para que Flávio Bolsonaro ultrapasse o adversário no primeiro turno, especialmente se conseguir atrair os eleitores dos candidatos menores.








