Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Sorocaba (SP) anunciaram a criação de um nano-herbicida capaz de eliminar até 95% das ervas daninhas que ameaçam as lavouras. O projeto, que começou há quatro anos, já está em fase avançada de testes de campo realizados em Cesário Lange, também no interior de São Paulo. A iniciativa promete transformar o manejo de plantas invasoras na agricultura brasileira.
Inovação na pesquisa de herbicidas
A equipe liderada pelo professor Leonardo Fraceto adotou uma abordagem inédita ao mapear detalhadamente a biologia das ervas daninhas antes de formular o produto. Esse mapeamento inclui a análise de características externas, como cor e grau de atrofiamento, e também investiga a penetração do composto nas estruturas internas da planta.
A pós-graduanda Ana Cristina Preisler explicou que o estudo vai além da simples observação visual. Ela detalha que os testes medem a concentração de nanocápsulas dentro dos tecidos foliares, radiculares e meristemáticos, permitindo ajustar a formulação para máxima eficácia.
O uso de nanocápsulas oferece duas vantagens principais: protege os princípios ativos da degradação por luz solar e melhora a absorção pelas plantas-alvo. Segundo o pesquisador Ferdinando Silva, essa tecnologia aumenta o aproveitamento de compostos voláteis que antes eram pouco eficientes em formulações convencionais.
Testes de campo e resultados
Para validar a solução em condições reais, o produtor rural Claudinei Rodrigues de Paula disponibilizou 2,5 hectares de sua propriedade em Cesário Lange, parte de um total de 30 hectares que servem como centro experimental do INCT. O terreno foi preparado para receber diferentes culturas, permitindo avaliar o desempenho do nano-herbicida em cenários variados.
Os cultivos incluídos nos experimentos foram:
- Feijão
- Girassol
- Cana-de-açúcar
- Tomate
Em cada cultura, as áreas tratadas com a nova formulação apresentaram redução de plantas invasoras entre 90% e 95%, enquanto as áreas de controle mantiveram níveis elevados de competição. Os agricultores relataram menor necessidade de intervenções mecânicas e menor perda de produtividade.
Claudinei destacou que, antes da pesquisa, as ervas daninhas consumiam recursos críticos, como água e nutrientes, comprometendo até 30% da produção em algumas temporadas. Com o nano-herbicida, ele observou um aumento significativo na uniformidade das lavouras e uma diminuição dos custos operacionais.
Além da eficácia, a equipe monitorou impactos ambientais, constatando que a aplicação em doses reduzidas diminuiu a presença de resíduos químicos no solo e na água. Essa característica reforça o potencial da tecnologia para atender às exigências de sustentabilidade cada vez mais rigorosas.
Parcerias e futuro comercial
Para levar o produto ao mercado, o INCT firmou uma parceria estratégica com a startup B.nano, liderada por Jhones Oliveira. A empresa está responsável por escalonar a produção das nanocápsulas, garantir a qualidade do lote e conduzir o processo de regulamentação junto aos órgãos competentes.
O nano-herbicida está atualmente em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Agropecuária (ANVISA) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A expectativa é que a liberação comercial ocorra ainda em 2027, permitindo que produtores de todo o país adotem a solução.
A equipe também está preparando materiais de treinamento para agricultores, abordando boas práticas de aplicação, dosagem correta e manejo integrado de pragas. Essa iniciativa visa acelerar a adoção da tecnologia e maximizar os benefícios econômicos e ambientais.
Com a combinação de ciência avançada, apoio institucional e colaboração com o setor privado, o nano-herbicida de Sorocaba representa um marco na luta contra as ervas daninhas. O sucesso dos testes abre caminho para futuras inovações em controle de pragas, reforçando o papel do Brasil como referência em tecnologia agrícola.








