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Operação Compliance Zero revela esquema de produção de documentos falsos no Banco Master

Na sexta‑feira, 11 de setembro de 2024, documentos internos do Banco Master foram divulgados ao público, expondo um esquema de falsificação de papéis usado para viabilizar operações de cessão de créditos ao Banco de Brasília (BRB). A revelação ocorreu depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu levantar o sigilo das investigações conduzidas pela Polícia Federal. O caso vem ganhando destaque em meio à crise institucional que afeta a Suprema Corte.

Como o esquema foi estruturado dentro do Banco Master

A apresentação interna apreendida na Operação Compliance Zero detalha, passo a passo, a cadeia produtiva dos documentos falsificados. A primeira fase consistia na extração de dados dos clientes do programa CredCesta, voltado ao crédito consignado. Em seguida, equipes de tecnologia e de operações utilizavam ferramentas como a mala‑direta do Word para gerar milhares de documentos padronizados.

Os documentos incluíam Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento, todos criados em massa para dar aparência de legitimidade às operações de crédito vendidas ao BRB. O relatório da PF indica que, em um dos lotes, foram produzidas 2.700 procurações por meio de uma planilha eletrônica, armazenadas em uma pasta denominada “Demanda BRB‑Tirreno 2700 amostras”.

  • Extração de dados dos clientes do CredCesta;
  • Geração automática de procurações, CCBs e termos de consentimento;
  • Armazenamento dos arquivos em diretórios específicos para envio ao BRB;
  • Manipulação de comprovantes de transferência para ocultar informações críticas.

Além da produção em massa, o esquema incluía a edição deliberada de documentos para eliminar rastros que poderiam comprovar a data real de assinatura ou a origem dos créditos. Mensagens internas mostram que o gerente Allan da Silva Machado orientou a remoção de datas e horários dos termos de consentimento, dificultando a verificação de quando o cliente teria autorizado a operação.

Participação de diferentes níveis hierárquicos

O documento interno revela que o esquema não era obra de um único funcionário, mas sim um esforço coordenado entre diretores, gerentes, equipes de tecnologia e áreas operacionais. A participação de executivos de alto escalão indica que a prática foi conhecida e, possivelmente, aprovada pelos responsáveis estratégicos do banco.

Segundo a PF, a diretoria do BRB continuou a aprovar novas operações mesmo após receber alertas internos sobre inconsistências nas carteiras negociadas, problemas de liquidez e documentos suspeitos. Essa conivência ampliou o alcance do esquema, permitindo que créditos potencialmente irregulares fossem transferidos para o banco público.

Em um exemplo concreto, um documento apresentava data de celebração em 21 de janeiro de 2025, mas a assinatura eletrônica só foi registrada em 20 de junho do mesmo ano, evidenciando um atraso de quase cinco meses entre a suposta formalização e a efetiva validação digital.

Repercussões e respostas institucionais

A divulgação dos documentos provocou reações imediatas da Polícia Federal, que classificou as alterações como “provável emissão de comprovantes de transação manipulados”. O relatório também aponta que a auditoria externa da Deloitte, responsável por avaliar a conformidade das carteiras, identificou as mesmas inconsistências, reforçando a gravidade das irregularidades.

O ministro André Mendonça, ao autorizar a quebra de sigilo, destacou a necessidade de transparência diante da crise que afeta a Suprema Corte, ressaltando que a confiança nas instituições financeiras depende da clareza nas investigações. A decisão permite que o Ministério Público e a própria PF acessem informações essenciais para aprofundar a investigação e, se necessário, levar os responsáveis à Justiça.

Enquanto isso, o Banco Master ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações, mas fontes internas sugerem que o banco está revisando seus procedimentos internos de controle e compliance para evitar novas violações. O caso também reacendeu o debate sobre a eficácia dos mecanismos de auditoria externa e a necessidade de reforçar a governança corporativa no setor bancário.

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