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Ácido hialurônico no pênis: riscos, regulamentação e alternativas no Brasil

Um influenciador britânico de 43 anos morreu após receber 40 mililitros de ácido hialurônico no pênis em uma clínica de Bangcoc, na Tailândia, no mês de março passado. Horas depois da aplicação, ele sentiu forte dor no peito, desmaiou e foi diagnosticado com embolia pulmonar, que acabou provocando seu óbito. O caso gerou alerta internacional sobre a prática ainda pouco regulamentada em alguns países.

O caso fatal na Tailândia

O procedimento foi realizado em uma clínica de medicina estética que oferecia o preenchimento peniano como solução rápida para quem busca maior volume. O volume aplicado foi quatro vezes maior que o recomendado por especialistas, ultrapassando os 10 a 12 mililitros normalmente utilizados por urologistas experientes.

Segundo o legista de Londres que analisou o caso, a quantidade excessiva de ácido hialurônico acabou entrando na corrente sanguínea, formando um coágulo que bloqueou uma artéria pulmonar. A embolia provocou falta de oxigênio nos tecidos e culminou em parada cardiorrespiratória.

O incidente expôs a vulnerabilidade de procedimentos estéticos realizados fora de ambientes médicos controlados, onde a formação dos profissionais e o uso de equipamentos adequados podem ser insuficientes.

Regulamentação e segurança no Brasil

No Brasil, a aplicação de ácido hialurônico no pênis é permitida, porém restrita a médicos urologistas ou andrologistas devidamente registrados na Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A SBU classifica o procedimento como seguro quando executado por profissionais capacitados e com volume adequado.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também autoriza a prática, desde que observadas as normas técnicas que definem as áreas de injeção e o tipo de cânula a ser utilizada. A legislação visa evitar que o ácido seja introduzido em vasos sanguíneos ou na uretra, regiões consideradas de alto risco.

Entretanto, o maior risco no Brasil ainda está ligado a pacientes que buscam o procedimento em clínicas de estética sem supervisão médica ou que confiam em profissionais sem formação em urologia.

Técnicas aprovadas e limites do procedimento

Existem duas técnicas reconhecidas para aumentar a circunferência do pênis: o preenchimento com ácido hialurônico e a enxertia de gordura autóloga, retirada do próprio paciente. Ambas as técnicas atuam apenas no aumento do diâmetro do órgão em estado flácido, não alterando o comprimento durante a ereção.

O ácido hialurônico tem a vantagem de ser absorvido pelo organismo em um período que varia entre seis meses e um ano, o que permite ao paciente decidir se deseja manter o resultado com novas aplicações. Já a gordura pode ser reabsorvida de forma mais imprevisível, exigindo avaliações regulares.

Para garantir a segurança, o urologista utiliza uma cânula de ponta arredondada que desliza entre os tecidos, evitando perfurações acidentais. A aplicação é feita nas laterais do órgão, em uma camada avascular que permite que o material permaneça confinado, proporcionando o efeito de engrossamento desejado.

  • Volume típico: 8 a 12 ml, ajustado ao tamanho do órgão;
  • Áreas permitidas: laterais e região subcutânea, longe da uretra e da veia dorsal;
  • Equipamento: cânula fina de ponta redonda;
  • Intervalo de manutenção: 6 a 12 meses, conforme reabsorção.

Qualquer desvio desses parâmetros pode transformar um procedimento estético em um risco de vida, como demonstrou o caso tailandês.

Riscos e complicações possíveis

Quando o ácido hialurônico é injetado em um vaso sanguíneo, ele se torna um embolizante, viajando até os pulmões e provocando obstrução das pequenas ramificações vasculares. Essa condição, conhecida como embolia pulmonar, impede a troca de oxigênio e pode levar à morte em poucos minutos.

Além da embolia, a injeção mal posicionada pode causar necrose da glande, perda de sensibilidade, infecção profunda e, em casos extremos, a necessidade de amputação parcial do órgão. Relatos de homens que perderam a pele peniana após aplicações incorretas reforçam a importância da técnica correta.

Os especialistas da SBU alertam que, embora o preenchimento seja considerado seguro nas mãos de um profissional qualificado, ele não resolve a demanda mais frequente dos pacientes: o aumento do comprimento em ereção. A maioria dos homens busca um pênis maior, mas o ácido hialurônico apenas aumenta o diâmetro quando o órgão está flácido.

Para quem realmente necessita de aumento de comprimento, as cirurgias de alargamento peniano são reservadas a casos específicos, como micropênis (menos de 8 cm) ou curvaturas severas que impedem a relação sexual. Mesmo nesses casos, os riscos incluem perda de sensibilidade, necrose e complicações vasculares.

Portanto, a recomendação dos urologistas é que um pênis saudável não seja submetido a intervenções estéticas sem uma avaliação médica completa, que considere expectativas, anatomia e possíveis consequências.

Em resumo, o ácido hialurônico pode ser uma ferramenta válida para quem deseja melhorar a aparência do órgão, desde que o procedimento siga protocolos rigorosos, seja realizado por um urologista experiente e respeite os limites de volume e local de aplicação.

Os pacientes devem buscar clínicas credenciadas, solicitar a apresentação de diplomas e certificações dos profissionais, e estar cientes de que resultados temporários exigem manutenção periódica. A informação correta e a escolha de um médico qualificado são os principais fatores para evitar tragédias como a ocorrida em Bangcoc.

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