A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta terça‑feira, 8 de março, a ampliação da indicação da vacina MenQuadfi, permitindo sua aplicação em recém‑nascidos a partir de seis semanas de idade. A medida altera o calendário de vacinação, que antes limitava o uso do imunizante a crianças a partir de um ano de idade.
Detalhes da nova indicação
Com a publicação da resolução que oficializa a mudança, a MenQuadfi passa a ser recomendada para bebês entre seis semanas e doze meses, em esquemas de quatro doses ou, conforme a idade da primeira aplicação, em um esquema reduzido. A vacina protege contra os sorogrupos A, C, W e Y da meningococo, agentes responsáveis por formas graves de meningite.
Os dados que embasaram a decisão da Anvisa incluem mais de 6 mil crianças vacinadas na faixa de seis semanas a menos de um ano, além de 5 mil crianças que receberam dose de reforço após os 12 meses. Não foram identificados novos sinais de insegurança, e o perfil de reações adversas permaneceu dentro do esperado para vacinas conjugadas.
Embora a aprovação tenha caráter regulatório, a disponibilidade imediata na rede pública ainda depende de decisões do Ministério da Saúde. Por enquanto, a MenQuadfi pode ser adquirida apenas no setor privado, mas as expectativas apontam para a inclusão no SUS já no próximo ano.
Impacto na saúde pública e recomendações médicas
Especialistas destacam que a meningite pode evoluir de forma extremamente rápida, levando a complicações graves em poucas horas. Segundo Daniel Prestes, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a antecipação da proteção é clinicamente relevante, sobretudo porque a doença pode causar até 20% de sequelas permanentes ou óbito.
Os sintomas mais frequentes da meningite incluem:
- Febre alta;
- Dor de cabeça intensa;
- Rigidez na nuca;
- Náuseas e vômitos;
- Sensibilidade à luz;
- Alterações no estado mental, como confusão ou sonolência excessiva.
Em lactentes, os sinais podem ser menos específicos, como irritabilidade, recusa alimentar, choro persistente, sonolência prolongada, vômitos e abaulamento da moleira.
Em casos críticos, a doença pode desencadear convulsões, choque séptico e falência de múltiplos órgãos. Mesmo com tratamento adequado, a taxa de mortalidade gira em torno de 10%, e até 20% dos sobreviventes ficam com sequelas incapacitantes.
O infectologista Daniel Prestes reforça que a ampliação da indicação da MenQuadfi pode reduzir a incidência de casos graves, como observado em países que já adotaram a vacinação precoce. “A proteção precoce diminui o número de hospitalizações e o custo associado ao tratamento intensivo”, afirma.
Próximos passos para a inclusão no SUS
O Ministério da Saúde, ao ser consultado, indicou que a expectativa é que a vacina passe a ser ofertada a partir dos três meses de idade já no próximo calendário de vacinação, previsto para o ano que vem. Atualmente, o SUS fornece a dose de reforço da vacina meningocócica ACWY apenas para crianças de um ano e para adolescentes de 11 a 14 anos.
Para que a MenQuadfi seja incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), será necessário adequar o suprimento, treinar profissionais de saúde e garantir a logística de distribuição. O processo costuma envolver análise de custo‑efetividade, negociação com o fabricante e definição de metas de cobertura vacinal.
Enquanto isso, pediatras recomendam que os pais que podem pagar pelo imunizante privado considerem a vacinação precoce, sobretudo em regiões com maior incidência de meningite ou em famílias com histórico de doenças infecciosas graves.
Além da MenQuadfi, o calendário de vacinação brasileiro inclui outras vacinas essenciais nos primeiros meses de vida, como a BCG, hepatite B, poliomielite, rotavírus e a tríplice viral. A inclusão de mais um imunizante reforça a estratégia de proteção integral da infância.
Em resumo, a decisão da Anvisa representa um avanço significativo na luta contra a meningite no Brasil, oferecendo uma ferramenta adicional para proteger os bebês nos primeiros meses críticos de vida. A expectativa da comunidade médica é que, em breve, a vacina esteja disponível gratuitamente na rede pública, ampliando ainda mais o alcance da prevenção.








