Na manhã desta quinta‑feira, 10 de julho, o dólar iniciou a sessão negociada na B3 em alta, cotado a R$ 5,1189, representando um avanço de 0,14 % em relação ao fechamento anterior. O movimento ocorre enquanto investidores monitoram a divulgação dos dados de inflação ao produtor dos Estados Unidos, que pode influenciar a próxima decisão de política monetária do Federal Reserve. Ao mesmo tempo, o Ibovespa só começou a ser negociado às 10h, refletindo a cautela do mercado diante de múltiplos fatores externos.
Dólar em alta e o impacto da inflação ao produtor dos EUA
O índice de preços ao produtor (PPI) americano foi divulgado ao longo do dia e trouxe uma leitura ligeiramente acima das expectativas dos analistas. Quando o PPI sobe, indica pressões de custo nas cadeias produtivas, o que pode levar o Fed a manter ou até elevar a taxa de juros para conter a inflação. Por isso, traders de câmbio ajustaram suas posições, impulsionando o real a perder terreno frente ao verde‑amarelo.
Especialistas apontam que, caso o dado mostre continuidade de alta, o Fed poderá sinalizar um aperto monetário mais agressivo na reunião de política monetária prevista para a próxima semana. Essa perspectiva alimenta a demanda por dólares como ativo de refúgio, pressionando ainda mais a cotação local.
- Expectativa de alta do PPI: 0,3 % em relação ao mês anterior.
- Reação do mercado: fortalecimento do dólar e queda do real.
- Possível consequência: manutenção de juros acima de 5 % nos EUA.
Tensões no Oriente Médio elevam preço do petróleo
Enquanto o mercado cambial se ajustava, o preço do barril de petróleo ultrapassou a marca dos US$ 100 pela primeira vez desde 24 de julho, refletindo a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Na última quarta‑feira, a Marinha americana destruiu cinco petroleiros iranianos em retaliação a uma tentativa de ataque a um navio de guerra dos EUA, intensificando o clima de insegurança nas rotas marítimas.
Os ataques dos Houthis, grupo militante apoiado por Teerã, a instalações de energia na Arábia Saudita também contribuíram para a percepção de risco. O grupo anunciou que realizará uma operação de grande porte em território saudita, sinalizando uma nova fase do conflito que já dura cerca de seis meses.
Esses episódios afetam diretamente o fluxo de petróleo pelo Mar Vermelho, rota alternativa ao Estreito de Ormuz. Antes da crise, aproximadamente 20 % do comércio mundial de petróleo transitava por esse estreito; hoje, o volume está consideravelmente reduzido.
- Risco de interrupção de embarques pelo Mar Vermelho.
- Elevação das projeções de preço do petróleo por bancos internacionais.
- Possível pressão inflacionária global devido ao aumento dos custos de energia.
Desdobramentos políticos no Brasil e suas repercussões no mercado
No cenário interno, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve o foco nas investigações envolvendo o Banco Master e a Polícia Federal. Na quarta‑feira, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor‑geral da PF e de Leandro Almada da Costa à chefia da Diretoria de Inteligência Policial.
A decisão veio após um pedido de Rodrigues que tramitava no STF, revertendo a determinação anterior do ministro André Mendonça, que havia afastado os dois servidores. Dino também assegurou proteção contra novas medidas cautelares, reforçando a independência das autoridades policiais.
Analistas de mercado ressaltam que a estabilidade institucional é fundamental para a confiança dos investidores, sobretudo em um momento de volatilidade externa. Qualquer sinal de turbulência política pode intensificar a aversão ao risco e impactar a bolsa e a taxa de câmbio.
Expectativas econômicas brasileiras: serviços, combustíveis e juros
A agenda econômica nacional tem como destaque a divulgação da nova Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). A expectativa é que o indicador apresente crescimento de 0,2 % na comparação mensal e de 0,1 % na variação anual, sinalizando retomada moderada do setor de serviços.
Ao mesmo tempo, o governo anunciou um pacote de medidas tributárias e de subvenção para os combustíveis, com o objetivo de conter a alta dos preços ao consumidor. Entre as ações previstas estão a redução temporária do IPI sobre a gasolina e o diesel, bem como incentivos fiscais para distribuidores que mantenham preços estáveis.
Essas medidas são acompanhadas de perto pelo mercado de títulos, que avalia a possibilidade de um ajuste na taxa Selic. Caso a inflação importada pelo petróleo continue pressionando os preços internos, o Banco Central pode optar por manter a taxa em patamares elevados por mais tempo.
- Previsão de alta de 0,2 % na PMS (mensal).
- Redução temporária do IPI sobre combustíveis.
- Monitoramento da Selic diante de pressões inflacionárias externas.
Em síntese, a combinação de fatores externos – como a inflação ao produtor dos EUA e a instabilidade no Oriente Médio – e internos – decisões judiciais e políticas de apoio ao setor de energia – cria um ambiente de incerteza que exige atenção constante dos investidores. O dólar, o petróleo e as expectativas de juros permanecem como os principais vetores que irão definir o ritmo dos mercados nas próximas semanas.








