O longa “Da magia à sedução: feitiço de amor” estreou nos cinemas nesta quinta‑feira, 10 de outubro, em todo o Brasil, trazendo de volta o elenco que marcou a primeira produção de 1998. A estreia ocorreu simultaneamente nas principais redes de salas, com sessões matinais e noturnas. O filme promete uma nova fase para as irmãs bruxas, mas enfrenta o desafio de agradar tanto fãs antigos quanto novos espectadores.
Um retorno esperado, mas sem brilho
A sequência chega ao público como parte da tendência de reviver franquias adormecidas, tentando captar a nostalgia enquanto incorpora elementos contemporâneos. Apesar da proposta de humor leve e magia, a narrativa não consegue reproduzir a química singular que fez o primeiro filme um sucesso cult. O resultado é uma produção agradável, porém previsível, que carece de surpresas verdadeiras.
Os roteiristas, liderados por Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel, optaram por seguir a fórmula original, repetindo situações que já foram exploradas há mais de duas décadas. Essa escolha gera uma sensação de déjà‑vu que pode afastar o público que busca inovação. O roteiro, embora bem estruturado, falha em criar momentos de tensão ou revelações inesperadas.
- Roteiro baseado em “O livro da magia” de Alice Hoffman
- Foco excessivo em referências ao filme de 1998
- Falta de aprofundamento em novos conflitos
Personagens e nova geração
A trama central acompanha as filhas de Sally, Kylie e Antonia, que assumem o protagonismo da história. Kylie, interpretada por Joey King, decide viajar à Inglaterra para quebrar a maldição que impede as mulheres da família de amar plenamente. Antonia, vivida por Maisie Williams, acompanha a jornada da irmã, trazendo dinamismo à dupla.
Enquanto as jovens ganham mais tempo de tela, as veteranas Sandra Bullock e Nicole Kidman aparecem em papéis de apoio, limitados a momentos de orientação e humor. Essa passagem de bastão, embora intencional, deixa o público dividido entre a nostalgia dos personagens originais e a curiosidade pelas novas protagonistas. A atuação das veteranas ainda brilha, mas sua presença reduzida diminui o impacto emocional.
- Joey King como Kylie – busca libertar a família da maldição
- Maisie Williams como Antonia – oferece apoio e humor
- Dianne Wiest como Jet – mantém a ligação com o passado
- Stockard Channing como Frances – reforça o legado familiar
O conflito central, a tentativa de romper a maldição ancestral, gera situações de aventura e descobertas, mas o desenvolvimento dos personagens secundários permanece superficial. A relação entre as irmãs Owens, que antes era o coração da história, agora serve apenas como pano de fundo para as escolhas das filhas.
Direção e produção: entre o legado e a modernidade
Suzanne Bier, responsável pela direção, traz uma estética solar e leve, que combina com o tom de comédia romântica. No entanto, sua falta de experiência com efeitos visuais fica evidente nas cenas finais, onde a magia deveria alcançar seu ápice. As sequências de feitiço carecem de impacto visual, tornando‑se pouco memoráveis.
A direção de arte opta por cores pastel e ambientes aconchegantes, reforçando a sensação de um filme de passatempo. Essa escolha agrada ao público que busca entretenimento sem peso, mas também impede que a obra alcance maior profundidade dramática. Comparada ao diretor do primeiro filme, Griffin Dunne, que soube equilibrar terror e romance, Bier entrega uma experiência mais rasa.
O filme se posiciona como um “filme legado”, onde personagens antigos dão lugar a novos heróis. Essa estratégia, comum em franquias revitalizadas, funciona parcialmente: as jovens protagonistas trazem energia, mas a falta de conexão emocional com o público adulto enfraquece o efeito desejado. A produção ainda conta com um elenco de apoio sólido, mas a distribuição desigual de tempo de tela gera desequilíbrio narrativo.
Em termos de trilha sonora, a escolha de músicas contemporâneas tenta atualizar o clima mágico, porém nem sempre se encaixa nas cenas de suspense. O som, embora bem mixado, não consegue compensar as falhas de roteiro e direção. O resultado é um filme que cumpre seu papel de entretenimento leve, mas que deixa a desejar para quem espera uma experiência cinematográfica completa.
Em síntese, a sequência oferece momentos divertidos e atuações de alto nível das estrelas principais, mas padece de um roteiro repetitivo e de direção que não explora todo o potencial dos efeitos mágicos. O público que busca apenas um passeio agradável pode se satisfazer, enquanto críticos e fãs mais exigentes encontrarão motivos para sentir que a magia original se perdeu no caminho.








