No último domingo, 7 de setembro, o Rock in Rio recebeu a energia contagiante do samba e do pagode, com apresentações marcantes de Belo e Péricles, que também debateram a inclusão desses ritmos no Palco Mundo. O evento, realizado no Rio de Janeiro, reuniu milhares de fãs da música popular brasileira e gerou um intenso debate sobre a representatividade dos gêneros nas grandes arenas internacionais.
A importância do Palco Mundo para a cultura negra
O Palco Mundo, tradicionalmente associado ao rock e a artistas internacionais, tem se transformado em um símbolo de resistência e visibilidade para a comunidade negra do país. Belo, embaixador do Palco Favela, afirmou que o espaço já funciona como um verdadeiro palco mundial para a periferia, trazendo à tona histórias que costumam ficar à margem dos grandes circuitos.
Essa mudança de paradigma reflete a crescente demanda por diversidade nos festivais, onde o público clama por representatividade autêntica. Ao ocupar o Palco Mundo, artistas de samba e pagode conseguem dialogar diretamente com uma audiência global, ampliando o alcance da cultura afro‑brasileira.
Belo e Péricles defendem o samba nos grandes festivais
Em entrevista ao G1, Péricles destacou que o samba já conquistou seu espaço dentro do Rock in Rio, citando performances memoráveis de nomes como Mart’nália e Tiee. Ele enfatizou que a força dos ritmos brasileiros vai além da tradição, trazendo inovação e energia para o público de todas as idades.
Belo, por sua vez, ressaltou que o Palco Mundo já cumpre o papel de palco mundial para a comunidade negra, mas que ainda há espaço para ampliar essa presença. Segundo ele, a inclusão de mais artistas de samba e pagode pode transformar a experiência do festival, tornando‑a ainda mais rica e plural.
Ambos os músicos concordam que a presença constante desses gêneros nos grandes palcos ajuda a desconstruir estereótipos e a valorizar a história musical do Brasil. Eles apontam que, ao integrar o samba ao universo dos festivais, cria‑se um diálogo cultural que beneficia tanto artistas quanto público.
O line‑up dos sonhos: quem não pode ficar de fora
Durante o debate, Belo e Péricles elaboraram uma lista de artistas que consideram essenciais para montar um festival dos sonhos dedicado ao samba e ao pagode. A seleção inclui nomes consagrados, emergentes e representantes de diferentes regiões do país, reforçando a ideia de que a diversidade dentro do próprio gênero é fundamental.
- Mart’nália – referência feminina que combina tradição e contemporaneidade.
- Tiago Iorc – apesar de ser conhecido por MPB, sua colaboração com pagodeiros traz novas sonoridades.
- Grupo Revelação – ícone do pagode romântico que conquista diferentes gerações.
- Jorge Aragão – mestre da roda de samba, garante a raiz histórica do movimento.
- Liniker e os Caramelows – trazem a fusão de soul e samba, ampliando horizontes.
- Alcione – voz potente que representa a força da mulher negra na música popular.
- Thiaguinho – símbolo do pagode atual, capaz de atrair o público jovem.
- BaianaSystem – embora seja mais eletrônico, incorpora batidas de samba, mostrando a versatilidade do gênero.
A proposta também inclui artistas emergentes que vêm ganhando destaque nas plataformas digitais, como o rapper MC Loma, que incorpora batidas de pagode em suas produções, e a cantora Duda Beat, que mistura eletrônica com ritmos de samba.
Ao montar esse line‑up, Belo e Péricles buscam criar um festival que celebre a história, a inovação e a pluralidade do samba e do pagode, oferecendo ao público uma experiência única e memorável.
Perspectivas para o futuro dos ritmos no Rock in Rio
Os especialistas apontam que a inserção permanente do samba e do pagode no Palco Mundo pode abrir portas para outros gêneros afro‑brasileiros, como o axé, o funk e o rap. Essa expansão poderia transformar o festival em um verdadeiro celeiro de cultura negra.
Além disso, a presença constante desses ritmos pode incentivar políticas de apoio a artistas da periferia, como bolsas de estudo, produção de conteúdo e espaços de performance dedicados. A iniciativa pode ainda gerar oportunidades de negócios para produtores independentes e gravadoras focadas em música regional.
Os organizadores do Rock in Rio já manifestaram interesse em criar um calendário permanente de shows de samba e pagode, garantindo que o gênero tenha mais do que uma participação pontual. Essa estratégia pode atrair patrocinadores que desejam associar suas marcas à diversidade cultural.
Por fim, a comunidade de fãs demonstra um entusiasmo crescente nas redes sociais, compartilhando vídeos, playlists e depoimentos que celebram a presença do samba nos grandes palcos. Esse engajamento digital reforça a importância de manter o gênero em evidência nos próximos anos.
Em resumo, a defesa de Belo e Péricles vai além de um simples pedido por mais tempo de palco; trata‑se de um movimento cultural que busca reconhecer o valor histórico e contemporâneo do samba e do pagode. Ao transformar o Palco Mundo em um verdadeiro palco mundial para a cultura negra, o Rock in Rio tem a oportunidade de se tornar referência global em inclusão musical.








