Um estudo recente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) apontou que grande parte da população brasileira ainda ignora a importância do colesterol na prevenção de doenças cardíacas. A pesquisa, divulgada durante o Congresso de Cardiologia da entidade em maio de 2024, mostrou diferenças marcantes entre homens e mulheres quanto à frequência de realização do exame. Os dados foram coletados em várias cidades do estado, abrangendo adultos de diferentes faixas etárias.
Diferenças de gênero na busca pelo exame de colesterol
Os resultados revelaram que as mulheres têm maior adesão ao teste de colesterol do que os homens. Entre as mulheres entrevistadas, 61% realizaram o exame no último ano, 27% há mais de um ano e apenas 12% nunca fizeram a avaliação. Já entre os homens, 52% fizeram o exame no último ano, 31% há mais de um ano e 17% nunca se submeteram ao teste.
Esses números indicam que, embora haja um avanço na participação feminina, ainda existe um segmento considerável da população que deixa de monitorar esse indicador crucial para a saúde cardiovascular.
Percepção popular versus risco real
Outro levantamento da Socesp, apresentado no mesmo congresso, investigou quais fatores de risco as pessoas lembram espontaneamente. O colesterol não apareceu entre as principais respostas, evidenciando uma desconexão entre o conhecimento científico e a percepção popular.
Nos homens, 32% citaram alimentação inadequada, 26% apontaram o sedentarismo, 23% o estresse e 19% o tabagismo ou consumo de álcool. Entre as mulheres, o estresse emocional liderou com 35%, seguido de alimentação inadequada (28%), sedentarismo (20%) e fatores genéticos ou histórico familiar (17%).
Por que o colesterol costuma passar despercebido?
O colesterol elevado é conhecido por ser um fator silencioso. Diferente de outras condições que apresentam sintomas claros, a hipercolesterolemia raramente provoca sinais de alerta até que uma complicação grave, como infarto ou AVC, ocorra.
Essa característica faz com que muitas pessoas subestimem a necessidade de exames periódicos, acreditando que, na ausência de dor ou desconforto, não há risco. O desconhecimento sobre a importância do colesterol e a falta de monitoramento regular podem atrasar o diagnóstico e o início de medidas preventivas.
Consequências da falta de monitoramento
Quando o colesterol elevado não é detectado a tempo, o risco de eventos cardiovasculares aumenta significativamente. Infartos e acidentes vasculares cerebrais continuam entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo, e mesmo quando não são fatais, podem gerar sequelas permanentes que comprometem a qualidade de vida.
Além do impacto direto na saúde do indivíduo, essas condições geram custos elevados para o sistema de saúde, que precisa arcar com internações, procedimentos invasivos e reabilitação prolongada.
Estratégias eficazes de prevenção
Felizmente, o controle do colesterol é possível e altamente eficaz quando adotado de forma precoce. Mudanças no estilo de vida são a base da prevenção e incluem:
- Alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas, legumes e pobre em gorduras saturadas e trans.
- Prática regular de atividade física, com pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana.
- Abandono do tabagismo e consumo moderado ou nulo de álcool.
- Controle do estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou terapia.
Além das mudanças comportamentais, a avaliação médica regular permite a prescrição de medicamentos, como as estatinas, quando necessário. O acompanhamento laboratorial periódico permanece a ferramenta mais confiável para identificar alterações nos níveis de colesterol antes que se traduzam em doenças graves.
Como incentivar a população a se cuidar
Para reverter o cenário de desconhecimento, é fundamental investir em campanhas de educação em saúde que esclareçam o papel do colesterol e a importância do exame regular. Estratégias eficazes incluem:
- Divulgação de informações em meios de comunicação de massa, redes sociais e aplicativos de saúde.
- Parcerias com empresas e escolas para oferecer exames gratuitos ou a preços acessíveis.
- Capacitação de profissionais de saúde para orientar pacientes de forma clara e empática.
- Incentivo a programas de prevenção no ambiente de trabalho, com check‑ups periódicos.
Ao tornar o exame de colesterol parte da rotina de cuidados preventivos, a sociedade pode reduzir significativamente a incidência de infartos, AVCs e outras complicações cardíacas.
Em síntese, o colesterol ainda é um fator de risco subestimado por grande parte dos brasileiros, mas a conscientização e a prática regular de exames podem mudar esse panorama. Conhecer seus números, adotar hábitos saudáveis e buscar acompanhamento médico são passos simples que podem salvar vidas e melhorar a qualidade de vida da população.








