Os preços do etanol hidratado e anidro subiram de forma expressiva na primeira semana de setembro de 2026, impulsionados por chuvas atípicas que afetaram a produção no interior de São Paulo. O levantamento foi divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, campus de Piracicaba, e evidencia uma tendência de alta mesmo com estoques robustos e safra abundante.
Causas das altas nos preços
O clima incomum, com volume de precipitação superior ao previsto desde o fim de agosto, provocou interrupções nas atividades de usinas de etanol no Centro‑Sul do estado. Essas paralisações reduziram a oferta imediata, fortalecendo o poder de negociação dos vendedores.
Além do fator climático, a demanda varejista foi estimulada pelo feriado da Independência, em 7 de setembro, que aumentou o consumo de combustíveis nas bombas. Distribuidoras menores fecharam novas compras nos últimos dias, pressionando ainda mais os valores.
- Chuva acima da média: +3,11% no etanol hidratado em relação a julho.
- Interrupções nas usinas: redução temporária da produção.
- Demanda de fim de semana prolongado: aumento de consumo nas bombas.
Detalhes das variações de preços do etanol
No mercado spot, o etanol anidro registrou preço médio de R$ 2,4750 por litro em agosto, representando alta de 1,59% frente ao mês anterior. Já o etanol hidratado fechou a primeira semana de setembro a R$ 2,3991 por litro, sem frete e impostos, o que corresponde a um avanço de 3,79% em relação à semana anterior.
Entre 10 e 14 de agosto, o indicador de etanol hidratado saltou 7,24%, passando de R$ 2,0457 para R$ 2,1939 por litro. Esse movimento marcou a maior alta semanal do período analisado.
Ao comparar o início de agosto (R$ 2,0457) com a primeira semana de setembro (R$ 2,3991), observa‑se uma valorização acumulada de aproximadamente 17,27%.
O etanol anidro também mostrou volatilidade. Iniciou agosto em R$ 2,3091, recuou 0,22% e, nas semanas seguintes, variou entre alta de 1,96% e 5,32%, encerrando a primeira semana de setembro a R$ 2,7829, impulsionado por um salto final de 6,85%.
Impacto na cadeia do açúcar e perspectivas futuras
O cenário de oferta restrita não se limitou ao etanol. O preço do açúcar cristal também subiu, sustentado por uma disponibilidade limitada no mercado paulista. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que, embora a moagem tenha avançado no Centro‑Sul, parte da produção foi absorvida pelo aumento da fabricação de etanol.
Essa dinâmica cria um descompasso que tende a manter a oferta de açúcar restrita ao longo do ciclo, pressionando ainda mais os preços. No mercado internacional, o açúcar demerara permanece fortalecido devido a projeções de déficit na produção mundial.
O Cepea alerta que, se as chuvas continuarem fora do padrão, as interrupções nas usinas podem se prolongar, ampliando a pressão sobre os preços tanto do etanol quanto do açúcar. Por outro lado, a robustez dos estoques atuais oferece uma margem de segurança que pode conter elevações abruptas caso a produção se recupere rapidamente.
Para os consumidores, o aumento dos preços de biocombustíveis reflete diretamente no custo da bomba, impactando o orçamento familiar e a competitividade de veículos flex. Já para os produtores, a alta representa oportunidades de margens maiores, mas também riscos de custos operacionais elevados em função das paralisações climáticas.
Em síntese, o estudo da USP demonstra que, apesar de uma safra abundante e estoques confortáveis, fatores climáticos e demanda sazonal podem gerar volatilidade significativa nos preços do etanol e do açúcar em São Paulo.








