A Advocacia‑Geral da União (AGU) enviou, nesta sexta‑feira (4), uma notificação ao YouTube exigindo a remoção ou rotulagem de vídeos que utilizam inteligência artificial para criar personagens médicos inexistentes. A medida foi tomada após o programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, identificar 97 perfis com esse tipo de conteúdo entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2024. O objetivo é impedir a disseminação de informações enganosas que podem colocar a saúde da população em risco.
Como a IA está sendo usada para criar médicos falsos
Os vídeos analisados apresentam avatares digitais com aparência humana, vestindo jalecos e utilizando linguagem típica de profissionais de saúde. Esses personagens alegam possuir diplomas e especializações que, na realidade, não existem, e costumam usar termos técnicos para ganhar credibilidade.
Além de simular consultas, alguns criadores de conteúdo promovem produtos, e‑books ou serviços pagos, alegando curas milagrosas para doenças graves. A estratégia costuma focar em públicos vulneráveis, sobretudo a população idosa, que costuma confiar mais em figuras que parecem autoridades médicas.
Os algoritmos de recomendação das plataformas amplificam esses vídeos, pois o uso de avatares realistas gera maior tempo de visualização, enganando tanto usuários quanto os próprios sistemas de detecção automática.
Reação das autoridades e medidas adotadas
A AGU concedeu ao YouTube um prazo de 72 horas para tornar indisponíveis os conteúdos identificados ou, alternativamente, aplicar mecanismos de rotulagem que deixem claro que os personagens são sintéticos. A notificação também solicita que a plataforma analise outros canais apontados no relatório e adote medidas preventivas contra a desinformação em saúde.
O Ministério da Saúde encaminhou o relatório à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina, ampliando a investigação para possíveis crimes de falsidade ideológica e prática ilegal de medicina.
Essa ação faz parte de uma força‑tarefa que inclui a AGU, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e o próprio Ministério da Saúde, que, por meio do programa Saúde com Ciência, monitora redes sociais, verifica informações e encaminha denúncias.
- Remoção imediata dos vídeos identificados;
- Rotulagem clara indicando a natureza artificial dos avatares;
- Revisão de políticas internas de moderação de conteúdo de saúde;
- Cooperação com órgãos de segurança pública e regulatórios.
Impactos para a população e recomendações
O consumo desses conteúdos pode levar à automedicação, ao abandono de tratamentos comprovados e ao atraso na busca por atendimento profissional. Quando pacientes substituem medicamentos prescritos por “soluções” apresentadas por avatares, o risco de complicações graves aumenta consideravelmente.
Além disso, a falsa autoridade dos personagens pode gerar pânico desnecessário ou, ao contrário, minimizar a gravidade de doenças, criando um cenário de desinformação que compromete a saúde pública.
O Ministério da Saúde recomenda que a população procure informações em fontes oficiais, como sites governamentais, hospitais universitários e profissionais registrados nos conselhos de classe. Também orienta a denunciar conteúdos suspeitos nas próprias plataformas, contribuindo para a remoção rápida de material perigoso.
Para quem já foi exposto a essas mensagens, a orientação é consultar um médico de verdade antes de iniciar qualquer tratamento sugerido por vídeos online. A avaliação presencial permite confirmar diagnósticos, validar a eficácia de intervenções e evitar efeitos adversos.
Em síntese, a iniciativa da AGU e do Ministério da Saúde reforça a necessidade de vigilância constante sobre o uso de tecnologias avançadas na produção de conteúdo. A inteligência artificial tem potencial para melhorar a comunicação, mas, quando mal utilizada, pode se tornar um veículo de desinformação que ameaça a saúde da população.








