O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, afirmou que não recebeu nenhum pedido para assinar o manifesto elaborado por ministros aposentados que denuncia a atual crise institucional. A declaração foi feita nesta segunda‑feira, 7 de setembro, durante o feriado nacional, enquanto o magistrado se encontrava em uma região remota para descansar. O fato foi divulgado pela imprensa e confirmado pelo próprio Lewandowski em entrevista ao blog especializado.
Contexto da manifestação dos aposentados
Na mesma data, treze ex‑ministros do STF, entre eles nomes de destaque como Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Ayres Britto e Celso de Mello, enviaram uma carta aberta ao presidente da Corte, Edson Fachin. O documento solicita a convocação urgente de uma sessão pública para que o plenário realize uma apuração rigorosa dos episódios que, segundo eles, comprometeram a autoridade da instituição.
A carta descreve a situação como a “mais aguda crise” da história do STF, apontando que a confiança da população e a estabilidade das instituições democráticas estão em risco. Os signatários ressaltam a confiança na condução de Fachin e defendem que a investigação ocorra em sessão pública, obedecendo ao devido processo legal.
Razões apresentadas por Lewandowski
Lewandowski explicou que, mesmo que fosse procurado, ele não assinaria o documento. O motivo, segundo ele, segue a mesma linha apresentada pelo atual presidente do STF, Luís Roberto Barroso, ao blog que conduziu a apuração. O ex‑ministro destaca que sempre manteve boa relação com quase todos os atuais ministros, incluindo Alexandre de Moraes e André Mendonça, o que poderia gerar conflitos de interesse caso se posicionasse publicamente.
Além disso, o magistrado ressaltou que, durante o feriado, viajou para uma área de difícil acesso, sem sinal de celular, o que impossibilitou qualquer contato direto. Essa circunstância, segundo Lewandowski, explica por que não recebeu nenhum pedido formal para integrar o manifesto.
Trajetória de Ricardo Lewandowski no STF
Ricardo Lewandowski integrou o Supremo Tribunal Federal de 2006 a 2023, tendo sido indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante sua passagem, ocupou a presidência da Corte entre 2014 e 2016, período marcado por decisões de grande relevância constitucional.
Antes de sua nomeação ao STF, Lewandowski também atuou como ministro da Justiça e Segurança Pública no terceiro governo de Lula, cargo que lhe conferiu ampla experiência no âmbito do poder executivo e legislativo. Seu histórico de atuação o coloca como uma das figuras mais experientes do judiciário brasileiro.
Ao se aposentar, o magistrado passou a participar de debates acadêmicos e de projetos de direito constitucional, mantendo-se ativo no cenário jurídico, embora sem ocupar cargos oficiais.
Repercussões políticas e institucionais
A crise no STF tem gerado intenso debate na sociedade civil, nos meios de comunicação e entre os próprios operadores do direito. A carta aberta dos aposentados busca pressionar o presidente Fachin a adotar medidas que garantam transparência e restaurem a credibilidade da Corte.
Especialistas apontam que a convocação de uma sessão pública pode contribuir para a legitimação das decisões judiciais, ao permitir que a população acompanhe de perto o processo de apuração. No entanto, há quem argumente que a politização excessiva do Judiciário pode aprofundar ainda mais as fissuras institucionais.
O governo federal, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido dos ex‑ministros. Enquanto isso, organizações não‑governamentais e entidades de classe monitoram a situação, alertando para a necessidade de preservar a independência do Poder Judiciário.
- Joaquim Barbosa
- Rosa Weber
- Ayres Britto
- Celso de Mello
- Outros nove ex‑ministros
O manifesto, ao ser divulgado, reforçou a percepção de que há um consenso entre parte da elite judicial sobre a gravidade da situação. Contudo, a ausência de assinatura de figuras como Lewandowski demonstra que nem todos os antigos membros da Corte compartilham da mesma postura.
Para o público, a mensagem é clara: a confiança nas instituições democráticas depende da capacidade do STF de conduzir seus próprios processos internos com transparência e rigor. A expectativa é que a sessão pública, se convocada, traga respostas concretas e contribua para a estabilização do ambiente político.
Em síntese, a recusa de Lewandowski em assinar o manifesto reflete tanto questões pessoais quanto estratégicas, enquanto o debate sobre a crise no STF continua a se desenrolar nos corredores do poder e nas redes sociais.








