Na manhã do feriado de 7 de setembro, Flávio Bolsonaro (PL) discursou diante de milhares de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, apontando o que pretende fazer caso seja eleito presidente da República. O senador aproveitou o palco para atacar o governo Lula, ligar o presidente ao ministro Alexandre de Moraes e apresentar um programa de segurança pública e reformas institucionais. Seu discurso misturou críticas, promessas e referências ao legado de seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro.
Críticas ao governo e ao Supremo Tribunal Federal
Flávio iniciou a fala com o grito “Fora, Lula! Fora, Moraes”, sinalizando o tom combativo que marcaria todo o discurso. Ele acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de corrupção e incompetência, citando investigações da Polícia Federal envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, como exemplo de suposta impunidade. Em seguida, o candidato vinculou o presidente ao ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, alegando que quem votasse em Lula estaria, na prática, apoiando Moraes.
O senador também questionou a credibilidade do Judiciário, afirmando que a condenação de seu pai por tentativa de golpe de Estado foi “uma farsa” e que essa decisão representou a “segunda facada” sofrida por sua família. Ele recordou o atentado contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018, como a primeira facada, e chegou a dizer que usa colete à prova de balas por medo de uma “terceira facada”. Segundo ele, a vitória nas urnas seria essencial para “resgatar a credibilidade do STF” e “proteger a independência da Corte”.
Propostas de reforma no Judiciário e no STF
Flávio prometeu indicar cinco novos ministros ao Supremo Tribunal Federal, caso seja eleito. Quatro dessas vagas, segundo ele, surgiriam por aposentadoria de magistrados, e a quinta seria destinada a “cair” o atual ministro Alexandre de Moraes, que, segundo o candidato, está envolvido em suspeitas de favorecimento ao banqueiro Daniel Vorcaro. O senador garantiu que os indicados seriam magistrados com posições conservadoras, contrárias à legalização do aborto e à ideologia de gênero.
Ele também enfatizou que pretende mudar a forma como o STF lida com casos políticos, defendendo maior transparência nos processos de indicação e um rigor maior na avaliação de conflitos de interesse. Para Flávio, essas mudanças são fundamentais para restaurar a confiança da população nas instituições judiciais e garantir que o Poder Judiciário não seja usado como ferramenta de perseguição política.
Agenda de segurança pública e outras promessas de governo
O ponto alto do discurso foi a lista de propostas de segurança pública, que o candidato apresentou como prioridade absoluta de sua campanha. Ele defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos, a aprovação da castração química para estupradores e o aumento da pena para ladrões de celular, que passaria de quatro para oito anos de prisão. Flávio ainda prometeu combater os “narcoterroristas” que, segundo ele, controlam partes do território nacional.
- Reduzir a maioridade penal para 16 anos;
- Instituir a castração química para crimes de estupro;
- Elevar a pena de roubo de celular para oito anos de reclusão;
- Intensificar a luta contra narcoterroristas e organizações criminosas;
- Implementar políticas de segurança nas fronteiras e nas áreas rurais.
Além da segurança, Flávio fez promessas em saúde, educação e assistência social. Ele anunciou a criação de um sistema de saúde pública “padrão Einstein”, inspirado no Hospital Albert Einstein, e apontou o nome de Claudio Lottenberg como futuro ministro da Saúde. Na educação, o candidato defendeu a presença de “estudantes e não militantes” nas escolas, prometendo combater a doutrinação ideológica nos currículos.
Em relação à assistência social, Flávio afirmou que quer um Brasil que não dependa de políticos para levar comida às casas das pessoas. Ele prometeu políticas específicas para o Nordeste, onde, segundo ele, o governo atual teria aumentado a pobreza e a violência. O senador garantiu que seu governo vai “parar de enganar” os nordestinos e oferecer oportunidades reais de desenvolvimento econômico.
Apelo religioso e homenagem ao pai
Fechando o discurso, Flávio fez um apelo à fé, declarando que pretende “entregar o Brasil nas mãos do Senhor Jesus”. Ele ressaltou que a força espiritual será um guia para a sua administração e para a construção de um país mais justo e seguro. O candidato também homenageou seu pai, Jair Bolsonaro, afirmando que sente orgulho de sua trajetória e dos manifestantes que compareceram ao evento na Paulista.
Ao final, o senador reiterou que sua candidatura representa uma alternativa ao que ele chama de “governo corrupto” e “incompetente” de Lula, e que a sua vitória será decisiva para mudar a direção política do Brasil nos próximos quatro anos.








