A pesquisa realizada pelo instituto Quaest, divulgada na segunda‑feira, 7 de setembro de 2026, mostra que a disputa pelo primeiro turno da Presidência da República continua estável. O levantamento aponta que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 29% e o escritor Augusto Cury (sem sigla) aparece com 1%.
Cenário atual da corrida presidencial
Os números divulgados indicam que, apesar da intensificação da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal, os eleitores não alteraram significativamente suas preferências. Lula, que ainda ocupa a presidência, viu seu apoio cair apenas um ponto percentual em relação à semana anterior, quando registrava 37%.
Flávio Bolsonaro, senador e candidato de oposição, manteve a mesma porcentagem de 29% obtida nas duas últimas sondagens da Quaest. Essa estabilidade sugere que a base de apoio ao candidato ainda está consolidada, embora ainda distante de superar o líder.
Augusto Cury, conhecido por sua carreira como escritor e palestrante, entrou no cenário eleitoral com 1% de apoio. Embora ainda marginal, sua presença pode indicar a abertura de espaço para candidatos fora do eixo tradicional dos partidos.
Detalhes da metodologia da Quaest
A Quaest entrevistou 2.004 eleitores em todo o território nacional entre os dias 3 e 6 de setembro de 2026. As entrevistas foram feitas por telefone e presencialmente, garantindo representatividade nas cinco regiões do país.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Esse parâmetro estatístico permite que variações menores que dois pontos sejam interpretadas como dentro da margem de erro e, portanto, não significativas.
O protocolo de registro na Justiça Eleitoral, sob o número BR-01720/2026, assegura a transparência e a legalidade do levantamento. Todos os procedimentos seguiram as diretrizes estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para pesquisas eleitorais.
Impacto da inclusão de Pablo Marçal
Em um cenário adicional, a Quaest testou a inclusão de Pablo Marçal (PRTB), cuja candidatura ainda está sob análise do Tribunal Superior Eleitoral. Marçal foi condenado por abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação durante a eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024, o que o tornou inelegível.
A presença de Marçal no questionário resultou em 1% de intenção de voto, número que não alterou de forma significativa a distribuição dos demais candidatos. Isso indica que, apesar da repercussão midiática, seu impacto no cenário nacional permanece limitado.
- Lula (PT) – 36%
- Flávio Bolsonaro (PL) – 29%
- Augusto Cury – 1%
- Pablo Marçal (PRTB) – 1% (cenário testado)
Os demais candidatos citados nas pesquisas anteriores – Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Veterinário Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) – não pontuaram nem nesta rodada nem na anterior, permanecendo abaixo do limiar de registro.
Análise dos resultados e perspectivas
Os especialistas apontam que a estabilidade observada pode estar relacionada ao endurecimento das posições partidárias diante da crise no STF. Eleitores que já têm uma preferência definida tendem a manter seu voto, mesmo diante de novos escândalos ou decisões judiciais.
Além disso, a ausência de variações significativas entre o primeiro e o segundo turno sugere que os eleitores ainda não visualizam claramente quais seriam as possíveis alianças ou estratégias de coalizão. Essa incerteza pode favorecer a manutenção dos percentuais atuais até que ocorram eventos decisivos, como debates ou revelações de documentos.
Para Lula, a leve queda de 1 ponto percentual pode ser interpretada como um alerta para reforçar a comunicação com eleitores indecisos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a margem de erro pode ser decisiva.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem a oportunidade de ampliar seu apoio ao focar em pautas de segurança pública e economia, temas que ainda ressoam fortemente entre eleitores de classe média e conservadora.
Quanto a candidatos emergentes como Augusto Cury, a presença de 1% pode servir como ponto de partida para campanhas de nicho, especialmente se houver um esforço de mobilização nas redes sociais e em eventos de debate intelectual.
Em síntese, a pesquisa Quaest reforça a ideia de que a corrida presidencial de 2026 ainda está em fase de consolidação, com líderes bem definidos e poucos movimentos de ruptura. Os próximos meses serão críticos para observar se as estratégias de campanha conseguirão transformar a estabilidade em ganhos reais de votação.








