O Senado do Paraguai iniciou, nesta quinta‑feira, 5 de junho, a análise do pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, em sessão que ocorreu em Assunção. O debate ocorre enquanto o país enfrenta uma profunda crise financeira desencadeada pela falência do Ueno Bank, instituição digital que atendia quase metade da população.
Contexto da crise financeira
A quebra do Ueno Bank foi anunciada na manhã de quinta‑feira, provocando o congelamento dos depósitos de cerca de três milhões de clientes. A medida gerou pânico entre os cidadãos, que viram suas economias ficarem inacessíveis de forma abrupta.
Além do impacto direto sobre os depositantes, a falência desencadeou uma série de protestos nas ruas de Assunção, com manifestações contra a gestão econômica do governo. A população exigiu respostas rápidas e responsabilização dos dirigentes envolvidos.
O Banco Central do Paraguai viu seu presidente renunciar em meio à turbulência, aumentando a sensação de instabilidade institucional. Analistas apontam que a falta de supervisão adequada e a concentração de ativos no banco digital foram fatores críticos para o colapso.
Desdobramentos políticos
Na mesma manhã em que o processo de impeachment foi instaurado, a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido contra o vice‑presidente Pedro Alliana, mantendo-o no cargo. Essa decisão reforçou a tensão entre os dois poderes legislativos.
Peña, que havia apresentado renúncia ao cargo presidencial, teve sua decisão rejeitada pela Câmara, que optou por dar continuidade ao processo de impeachment. A sessão do Senado, que deveria decidir sobre a aceitação da renúncia, foi interrompida por falta de quórum.
O presidente, eleito em 2023 para mandato até 2028, havia se desvinculado em março de 2025 das ações de um conglomerado que controlava o Ueno Bank. Apesar da separação formal, suspeitas de conflito de interesses permanecem.
Detalhes do processo de impeachment
O texto da acusação foi elaborado pela Câmara e pede a abertura de um processo de impeachment por “mau desempenho de suas funções no exercício do cargo”. O documento lista, entre outras, duas acusações principais:
- Conflito de interesses decorrente da participação anterior em empresas controladoras do Ueno Bank;
- Questionamento sobre o aumento significativo do patrimônio pessoal de Peña nos últimos anos.
Os legisladores argumentam que a conduta do presidente teria contribuído para a fragilidade do sistema financeiro, facilitando a situação que culminou na falência bancária.
O Senado, ao analisar o pedido, deve avaliar se há fundamento suficiente para avançar com a remoção do presidente ou, alternativamente, aceitar a renúncia já apresentada. A falta de quórum na sessão de quinta‑feira atrasou esse julgamento.
Repercussões e perspectivas
Especialistas em direito constitucional destacam que o impeachment pode se tornar um processo prolongado, dependendo das negociações entre partidos e da disponibilidade de maioria no Senado. Enquanto isso, a população continua a enfrentar dificuldades para acessar recursos financeiros.
Organizações da sociedade civil têm cobrado maior transparência nas operações bancárias e a implementação de mecanismos de proteção ao consumidor. Elas sugerem a criação de um fundo de garantia mais robusto para evitar que crises semelhantes se repitam.
Internacionalmente, investidores observam com cautela o cenário político paraguaio, temendo que a instabilidade possa afetar acordos comerciais e fluxos de capital. Alguns analistas preveem que a retomada da confiança dependerá da resolução rápida e eficaz da crise bancária.
O futuro imediato do presidente Santiago Peña permanece incerto, com a próxima sessão do Senado marcada para sexta‑feira, quando os senadores deverão retomar a votação. O desfecho desse processo poderá definir não apenas a liderança do país, mas também a capacidade do Paraguai de restaurar a estabilidade econômica e social.








