No último domingo, 6 de setembro, a dupla Calema abriu o Palco Sunset do Rock in Rio, na cidade do Rio de Janeiro, apresentando seu som que combina afro‑pop, pop romântico e influências africanas. A apresentação ocorreu sob forte chuva, o que tornou o desafio ainda maior para conquistar um público ainda desconhecedor de grande parte do repertório da dupla.
Desafio da primeira apresentação no Brasil
Ao subir ao palco, os irmãos Fradique e António sabiam que precisariam adaptar sua energia para uma plateia que ainda não tinha contato direto com suas canções. A chuva intensa que caiu ao longo da tarde afastou parte do público, mas também criou um clima intimista que favoreceu a conexão emocional.
Os artistas iniciaram o show com a música “Vai”, um hino que já havia sido bem recebido em apresentações anteriores na Europa. Depois da primeira canção, agradeceram ao público brasileiro, ressaltando que era a primeira vez que estavam no país.
Em seguida, cantaram “Amar Pela Metade”, mantendo a sequência de músicas que já haviam sido testadas em Lisboa, onde estrearam no festival em junho. Essa estratégia serviu como um aquecimento para o grande momento no Rio.
A primeira faixa da carreira, “A Nossa Vez”, também fez parte do setlist, ajudando a contar a trajetória dos irmãos desde a participação na versão francesa de “The Voice” até a posição de mentores no “The Voice Portugal”.
Conexões brasileiras e colaborações
Antes mesmo da estreia no Rock in Rio, Calema já havia estabelecido laços com o mercado brasileiro. A parceria com a sertaneja Lauana Prado em “Xê Dama” e com Leo Santana em “Oi Amor?” mostrava a abertura da dupla para ritmos nacionais.
Além disso, a participação ao lado de Anitta na primeira edição dos “Ensaios da Anitta” na Europa reforçou a presença da dupla no cenário pop latino.
No palco do Sunset, a conexão ganhou destaque quando o pagodeiro Dilsinho foi convidado para cantar “Leva Tudo” ao lado dos irmãos. “É uma honra estar aqui com vocês”, declarou Dilsinho, enquanto o público aplaudia a fusão de estilos.
O repertório também incluiu músicas dançantes como “Kua Buaru” e “Bulawe”, que trazem expressões de línguas africanas – “Amole, muxima, sodade, maningue, i kuma” – e convidam o público a celebrar a diversidade cultural.
- Leva Tudo (com Dilsinho)
- Kua Buaru
- Bulawe
- Nossa Dança
- Maria Joana
Durante a apresentação de “Nossa Dança”, os irmãos balançaram a bandeira de São Tomé e Príncipe, reforçando suas raízes e agradecendo ao apoio brasileiro.
Reações do público e legado da apresentação
Ao som de “Maria Joana”, Calema dividiu o palco com dançarinos vestidos em trajes típicos portugueses, criando um espetáculo visual que mesclou referências europeias e africanas. Essa mistura reforçou a identidade artística da dupla, que se destaca pela harmonização vocal natural.
O público respondeu com entusiasmo, cantando junto e seguindo a coreografia proposta pelos artistas. Mesmo com a chuva, a energia não diminuiu, e a plateia acabou se tornando parte ativa do show.
Ao final, os irmãos contaram que se inspiraram no filme “Dois Filhos de Francisco” para persistir na carreira, e declararam o desejo de voltar ao Brasil em futuras edições do festival.
A estreia no Brasil trouxe à Cidade do Rock uma combinação única de pop romântico, afro‑pop e línguas africanas, demonstrando que o mercado brasileiro está aberto a novas sonoridades. A participação de Dilsinho e a interação constante com o público abriram caminho para que Calema consolide sua presença no país.
Com a performance, Calema mostrou que, apesar das adversidades climáticas, a música tem o poder de unir diferentes culturas e criar momentos inesquecíveis. O sucesso da apresentação indica que a dupla tem potencial para se tornar um nome permanente nos palcos brasileiros.








