No Rio de Janeiro, o Rock in Rio 2026 iniciou suas atividades na última sexta‑feira, trazendo uma estrutura de segurança inédita que combina tecnologia de ponta e vigilância constante. A operação, que funciona 24 horas por dia, utiliza 152 câmeras, três drones e sistemas de reconhecimento facial para monitorar o público e o entorno da Cidade do Rock.
Monitoramento visual: câmeras e reconhecimento facial
A central de controle, instalada dentro da Cidade do Rock, recebe em tempo real imagens de mais de cento e cinquenta câmeras distribuídas por todo o parque olímpico. Cada ponto crítico – entradas, áreas de alimentação, palcos e corredores – conta com ao menos duas lentes que capturam ângulos diferentes.
Além da simples gravação, 50 dessas câmeras estão equipadas com tecnologia de reconhecimento facial. Quando um visitante atravessa o portão, seu rosto é comparado a bases de dados mantidas em parceria com as polícias civil e militar.
Esse cruzamento de dados permite identificar, de forma imediata, pessoas que possuam ordens de prisão ou restrições judiciais. Desde o início do festival, três indivíduos foram reconhecidos pelo sistema e conduzidos à delegacia móvel montada na própria Cidade do Rock.
Uma das três pessoas permaneceu detida após a verificação de pendência com a Justiça. As demais foram liberadas após constatação de que não havia restrição legal vigente.
O número total de equipamentos de vídeo superou as projeções iniciais. O gerente de segurança, Carlos Armário, explicou que o plano original previa cerca de 120 câmeras, mas a demanda de cobertura ampliou o contingente para 152 unidades.
As imagens são analisadas por uma equipe de analistas de vídeo que trabalham em turnos de 12 horas, garantindo que nenhum momento do festival passe despercebido. Cada analista tem acesso a telas que exibem múltiplas câmeras simultaneamente, facilitando a correlação de eventos.
Para facilitar a visualização, o centro de monitoramento utiliza um painel de controle que destaca alertas em tempo real, como movimentação incomum ou a presença de objetos suspeitos.
Drones e sensores: proteção do perímetro
Além das câmeras fixas, três drones de vigilância sobrevoam a área do festival, proporcionando visão aérea que complementa o monitoramento terrestre. Os drones são equipados com câmeras térmicas que detectam calor corporal, mesmo em condições de baixa luminosidade.
No primeiro dia de evento, duas incursões de drones não autorizados foram registradas nas proximidades da Lagoa de Jacarepaguá. Um dos dispositivos foi interceptado antes de entrar no perímetro; o outro chegou a sobrevoar parte do recinto, mas foi rapidamente neutralizado quando o operador perdeu a credencial de acesso.
Para impedir novas invasões, o Rock in Rio instalou um sistema antidrones que emite alertas automáticos ao detectar sinais de rádio ou frequência de voo não reconhecidos. O alerta dispara sem necessidade de intervenção humana, permitindo resposta imediata das equipes de segurança.
Radares perimetrais também foram posicionados em pontos estratégicos ao redor da Lagoa, monitorando possíveis tentativas de invasão por terra ou água. Esses sensores enviam dados ao centro de controle, que os combina com as imagens dos drones para criar um mapa de risco em tempo real.
Além dos drones, foram instaladas câmeras térmicas em áreas de acesso restrito, como corredores de serviço e zonas de backstage. Essas câmeras ajudam a identificar a presença de pessoas não autorizadas, mesmo que estejam vestidas de forma a camuflar a identidade.
Todo o conjunto de sensores – câmeras, drones, radares e termografia – opera em sincronia, permitindo que a equipe de segurança reaja em poucos segundos a qualquer anomalia detectada.
Equipe e procedimentos: quem está por trás da vigilância
Ao todo, cerca de 2,4 mil profissionais estão envolvidos na operação de segurança do Rock in Rio 2026. Esse número inclui vigilantes privados, agentes das polícias federal, civil e militar, além de especialistas em tecnologia da informação.
Na central de monitoramento, aproximadamente doze profissionais trabalham simultaneamente, divididos em turnos que cobrem as 24 horas de festival. Cada turno inclui analistas de vídeo, operadores de drones, técnicos de redes e meteorologistas.
Os meteorologistas monitoram condições climáticas em tempo real, emitindo alertas de risco de chuva forte ou ventos que possam comprometer a segurança dos palcos e das estruturas temporárias.
Equipes de bombeiros e de saúde também estão integradas ao centro, recebendo informações sobre emergências médicas ou incêndios e coordenando o deslocamento de recursos de forma ágil.
Além disso, há um grupo dedicado à inteligência digital, que vasculha redes sociais e plataformas de comunicação em busca de ameaças potenciais antes mesmo de elas se materializarem no local.
Todo o fluxo de informações é centralizado em um software de gestão de incidentes, que classifica cada alerta por nível de gravidade e direciona a resposta ao setor competente.
Para garantir a eficácia dos procedimentos, a organização realiza simulações diárias de cenários de risco, como invasões, falhas de energia e incidentes de saúde pública. Essas simulações ajudam a calibrar tempos de resposta e a otimizar a comunicação entre as equipes.
O gerente de segurança, Carlos Armário, ressalta que o objetivo principal é a prevenção. “Trabalhamos para antecipar problemas antes que eles ocorram, usando tecnologia e análise de dados para criar um ambiente seguro para todos os participantes”, afirma.
Com essa infraestrutura robusta, o Rock in Rio 2026 se destaca como um dos maiores eventos musicais do mundo a investir em segurança baseada em inteligência artificial e vigilância integrada. O público pode curtir os shows com a tranquilidade de saber que milhares de olhos — humanos e digitais — estão atentos a cada detalhe.








