A cantora e atriz Selena Gomez foi processada nos Estados Unidos por investidores que alegam fraude na startup de saúde mental Wondermind, criada em 2021. O processo, protocolado em Delaware em setembro de 2023, acusa a artista, sua mãe Mandy Teefey e a ex‑sócia Daniella Pierson de omissão e informações enganosas. A ação judicial pede a devolução de mais de US$ 1,2 milhão e indenizações.
Detalhes do processo e das acusações
Segundo a petição apresentada pelas empresas Wondermind SRS 44 LLC e Bespoke Wondermind SPV I LLC, os réus teriam apresentado um plano de negócios inflado, prometendo parcerias corporativas que nunca se materializaram. Os investidores alegam que as declarações sobre um aplicativo em desenvolvimento e o nível de engajamento promocional de Selena foram falsas.
Além das promessas não cumpridas, a ação aponta que as fundadoras teriam ocultado o colapso operacional da startup por anos, ignorando atrasos de salários e fornecedores. O documento judicial menciona ainda disputas internas que, segundo os autores, aceleraram o desgaste do projeto.
Quem são os investidores e quais são as reivindicações
O grupo de demandantes inclui cinco investidores, entre eles executivos de renome no setor farmacêutico e de tecnologia. Entre eles, destaca‑se Brent Saunders, ex‑CEO da Allergan, que investiu na Wondermind acreditando nas promessas de expansão internacional.
- Investidor A – aportou US$ 300 mil em 2022;
- Investidor B – aportou US$ 250 mil em 2022;
- Investidor C – aportou US$ 200 mil em 2023;
- Investidor D – aportou US$ 250 mil em 2023;
- Investidor E (Brent Saunders) – aportou US$ 200 mil em 2023.
Todos eles solicitam a devolução integral dos valores investidos, além de indenizações por perdas e danos e o pagamento de honorários advocatícios. A petição pede ainda que o caso seja julgado por júri, enfatizando a gravidade das supostas irregularidades.
Defesa de Selena Gomez e argumentos da equipe jurídica
Em resposta, o advogado Mathew S. Rosengart, que representa Selena Gomez, declarou que as acusações são “totalmente sem mérito, tanto factual quanto juridicamente”. O escritório enviou um comunicado à imprensa afirmando que a artista jamais participou de qualquer esquema fraudulento.
Rosengart ressaltou que as decisões de negócios foram tomadas em conjunto com a equipe executiva da Wondermind e que não há evidências de que a cantora tenha conhecimento direto das alegadas falhas financeiras. O advogado também apontou que as disputas internas citadas no processo são questões de gestão interna, não de fraude.
Além disso, a defesa argumenta que os investidores foram devidamente informados sobre os riscos inerentes a uma startup de tecnologia em fase inicial, e que as promessas de parcerias eram baseadas em negociações preliminares ainda em desenvolvimento.
Impactos no mercado e perspectivas futuras
O caso ganhou destaque nas redes sociais e na mídia especializada, gerando debates sobre a responsabilidade de celebridades que lançam negócios fora do seu campo de atuação. Analistas de mercado apontam que a controvérsia pode afetar a confiança de investidores em startups fundadas por figuras públicas.
Especialistas em direito empresarial recomendam que fundadores de empresas com alto perfil público adotem transparência rigorosa e mantenham documentação detalhada das negociações, para evitar litígios semelhantes.
Enquanto o processo segue em tramitação na Justiça Federal de Delaware, a Wondermind ainda não divulgou um comunicado oficial sobre o futuro da plataforma. Observadores aguardam se a empresa buscará um acordo extrajudicial ou se continuará a contestar as alegações em tribunal.
Independentemente do desfecho, o caso serve como alerta para investidores que consideram apoiar startups de celebridades: a due diligence aprofundada e a avaliação realista dos riscos são essenciais para proteger o capital investido.








