Na manhã da quinta‑feira, 22 de fevereiro de 2024, o deputado federal Nikolas Ferreira chegou a Recife para promover seu “bloquinho do 22”. O evento político‑cultural foi anunciado como apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. Ao desembarcar na capital pernambucana, o parlamentar revelou que não sabia o que era o Galo da Madrugada, um dos ícones do Carnaval local.
A visita de Nikolas a Pernambuco
O deputado, que lidera a votação histórica para o cargo de deputado federal, viajou ao Nordeste como parte de uma agenda itinerante. Seu objetivo era reunir apoiadores e divulgar a aliança entre a direita bolsonarista e o candidato à presidência. A presença de figuras como Mendonça Filho e Gilson Machado reforçou o caráter político da visita.
Ao chegar ao Aeroporto Internacional dos Guararapes, Nikolas foi recebido por uma comitiva de lideranças regionais. Entre os cumprimentos, os organizadores prometeram que o evento atrairia mais público que o próprio Galo da Madrugada. A expectativa gerou curiosidade e, ao mesmo tempo, desconforto no parlamentar.
Durante a reunião, um dos apoiadores afirmou: “Vai ter mais gente do que no Galo da Madrugada”. Nikolas, intrigado, respondeu: “O que é isso?”. A resposta dos pernambucanos, que explicaram tratar‑se do maior bloco de Carnaval do mundo, foi recebida com surpresa.
O desconhecimento sobre o Galo da Madrugada
Quando questionado sobre o bloco, Nikolas admitiu que nunca tinha ouvido falar dele. “Eu não sabia. Eu não conheço, não”, declarou o deputado, gerando repercussão nas redes sociais. A fala foi interpretada como um sinal de desconhecimento da cultura popular nordestina por parte de um representante federal.
Especialistas em comunicação política apontam que a falta de familiaridade pode prejudicar a conexão com eleitores de determinadas regiões. “Conhecer os símbolos locais é fundamental para quem busca apoio”, afirma a analista de mídia Carolina Silva. Ela destaca que o Galo da Madrugada tem mais de 70 anos de história e é reconhecido internacionalmente.
O Galo da Madrugada, fundado em 1978, chegou a entrar no Guinness World Records como o maior bloco do mundo em número de foliões. Embora tenha perdido o título nos últimos anos, continua sendo a maior manifestação carnavalesca de Recife, atraindo milhões de pessoas ao longo de duas noites.
Para contextualizar, segue uma lista resumida das principais características do Galo da Madrugada:
- Fundação: 1978
- Recorde Guinness: maior bloco do mundo (1990‑2018)
- Participação: mais de 2 milhões de foliões ao longo das duas noites
- Trio elétrico: principal atrativo musical
- Simbolismo: estátua gigante de um galo colorido no centro da cidade
A falta de conhecimento de Nikolas sobre esses fatos gerou críticas de personalidades culturais e políticas. Muitos usuários de Twitter compararam a situação a um “vacuum cultural”, enquanto outros defenderam que o parlamentar ainda tem tempo para se aprofundar nas tradições locais.
O contexto cultural e político do bloco
O Carnaval de Pernambuco vai muito além do Galo da Madrugada. O estado celebra uma diversidade de manifestações que incluem frevo, maracatu, caboclinhos, troças com orquestras e bonecos gigantes. Cada uma dessas expressões carrega um significado histórico e social que reforça a identidade pernambucana.
Entre os símbolos mais emblemáticos, destaca‑se a estátua do Galo, que é erguida anualmente no centro da cidade. Essa figura colorida representa a energia e a alegria do período festivo, servindo como ponto de encontro para milhares de foliões.
Além disso, o bloco costuma contar com shows de artistas de renome nacional, atraindo nomes como Alceu Valença, Lenine e outros. A presença desses músicos transforma o evento em um espetáculo que ultrapassa as fronteiras regionais.
Do ponto de vista político, o “bloquinho do 22” foi concebido como uma estratégia de mobilização de eleitores. O nome faz referência ao dia 22 de julho, data simbólica para a família Bolsonaro, e busca criar uma associação entre a festa popular e a campanha presidencial.
O uso de símbolos culturais em campanhas eleitorais não é novidade no Brasil. Contudo, a eficácia depende da autenticidade com que o candidato ou seu representante se apropria desses símbolos. No caso de Nikolas, o desconhecimento sobre o Galo da Madrugada pode ser visto como um ponto fraco.
Para ilustrar a importância da integração cultural na política, veja alguns exemplos de campanhas que souberam aproveitar símbolos regionais:
- Campanha de 2018 em Minas Gerais: uso da festa do Congado para aproximar o candidato das comunidades afro‑descendentes.
- Eleição de 2022 no Rio Grande do Sul: referência ao tradicional Carnaval de Rua para atrair eleitores jovens.
- Movimento de 2020 em São Paulo: aproveitamento da Parada do Orgulho LGBT para engajar eleitores progressistas.
Esses casos mostram que a conexão genuína com a cultura local pode gerar engajamento e apoio. Por outro lado, a falta de conhecimento pode ser interpretada como desrespeito ou indiferença.
Após a entrevista, Nikolas prometeu se aprofundar na história do Galo da Madrugada. Ele afirmou que pretende visitar o bloco nas próximas edições e aprender mais sobre a tradição pernambucana. A promessa foi recebida com ceticismo por alguns críticos, que pedem ações concretas, como participação em eventos culturais.
Enquanto isso, a imprensa local continuou a cobrir a visita, destacando tanto o aspecto político quanto o cultural. O jornal Diário de Pernambuco publicou uma série de artigos analisando o impacto da presença de figuras da direita bolsonarista no Carnaval.
Em síntese, a visita de Nikolas Ferreira a Recife trouxe à tona questões sobre a relação entre política e cultura popular. O desconhecimento sobre o Galo da Madrugada expôs uma lacuna que pode ser preenchida com esforço e aprendizado. O futuro da aliança entre o “bloquinho do 22” e as tradições pernambucanas ainda está em aberto, mas a necessidade de respeito e compreensão cultural é clara.








