Na manhã de 22 de outubro de 2024, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou sua presença nas ruas e nas redes sociais, provocando uma reviravolta nas pesquisas eleitorais. O movimento ocorreu em todo o país, especialmente nas capitais e no Nordeste, regiões tradicionalmente favoráveis ao PT. Analistas apontam que a mobilização petista tem sido decisiva para estreitar a diferença de votos contra o senador Flávio Bolsonaro.
Mobilização nas ruas e nas redes sociais
Segundo o analista Beny Fard, a volta dos apoiadores do PT às manifestações públicas sinaliza uma recuperação da capacidade organizacional do partido. As manifestações foram acompanhadas por uma campanha digital agressiva, que utilizou vídeos curtos, memes e transmissões ao vivo para alcançar eleitores indecisos. Essa estratégia combinada gerou um aumento perceptível de engajamento nas plataformas como Twitter, Instagram e TikTok.
Fard destacou que a presença física dos petistas nas avenidas reforçou a mensagem de continuidade de governo, enquanto a atuação online permitiu segmentar o discurso para diferentes faixas etárias. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, milhares de voluntários distribuíram panfletos e organizaram caravanas que foram amplamente divulgadas nas redes. O efeito sinérgico entre o offline e o online tem sido apontado como um dos principais fatores para a redução da vantagem de Flávio Bolsonaro nas sondagens.
Além das manifestações, a campanha de Lula lançou uma série de conteúdos educativos sobre políticas públicas, como o programa Bolsa Família 2.0 e a reforma tributária. Esses materiais foram disponibilizados em formatos acessíveis, como infográficos e podcasts, facilitando a compreensão do eleitorado menos familiarizado com o debate técnico. A estratégia de conteúdo tem contribuído para melhorar a percepção de competência da equipe de governo.
Reação da campanha de Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro, que liderava as pesquisas com 52% dos votos segundo a Real Time Big Data, adotou uma postura defensiva após a intensificação da mobilização petista. Beny Fard observa que, inicialmente, Flávio demonstrou excesso de confiança, o que acabou por criar uma imagem de complacência perante o eleitorado. Essa mudança de tom foi percebida nas entrevistas e nos comunicados oficiais do PL, que passaram a enfatizar a necessidade de “defender os avanços” do governo.
Entretanto, a campanha de Flávio não ficou totalmente à margem da disputa. O candidato manteve uma presença forte nas regiões do Nordeste, onde promoveu encontros com lideranças locais e empresários. Fard destaca que, apesar da defesa, Flávio conseguiu consolidar apoio entre eleitores que valorizam o empreendedorismo e a redução da intervenção estatal.
Para contrabalançar a pressão petista, a equipe de Flávio intensificou o uso de anúncios segmentados nas redes sociais, focando em mensagens de segurança pública e liberdade econômica. Contudo, a eficácia desses anúncios tem sido limitada, já que a narrativa de “defesa do Estado” não tem ressoado da mesma forma que a de “continuidade e proteção social” promovida por Lula.
Divisões socioeconômicas do eleitorado
Fard aponta que a polarização atual reflete transformações socioeconômicas acumuladas nas últimas décadas. Ele explica que parte da população de baixa renda ascendeu socialmente, adquirindo novas expectativas em relação ao mercado de trabalho e ao papel do Estado. Essa camada emergente tende a buscar estabilidade, proteção social e políticas de redistribuição, alinhando‑se mais com a proposta de esquerda.
Em contraste, outro segmento da sociedade valoriza o empreendedorismo, a liberdade de iniciativa e a redução da carga tributária, pilares frequentemente associados à direita. Esses eleitores, muitas vezes provenientes de classes médias em ascensão, enxergam no PL uma oportunidade de ampliar oportunidades de negócios e reduzir a burocracia.
A seguir, listamos as principais expectativas de cada grupo:
- Eleitores que favorecem a esquerda: estabilidade no emprego, ampliação de programas sociais, maior presença do Estado na economia.
- Eleitores que favorecem a direita: facilitação para abrir negócios, redução de impostos, menor intervenção estatal.
Essas diferenças de expectativas criam dois grandes campos eleitorais, dificultando a emergência de candidaturas centristas. Fard ressalta que a disputa presidencial está, portanto, mais que nunca, um reflexo das mudanças de prioridades da população brasileira.
Além das questões econômicas, fatores culturais e regionais também influenciam o comportamento do eleitor. No Sul e Sudeste, a preocupação com a segurança pública tem sido um tema recorrente nas campanhas, enquanto no Nordeste a ênfase recai sobre políticas de desenvolvimento social. Essa heterogeneidade reforça a necessidade de estratégias de campanha adaptadas a cada realidade local.
Em síntese, a campanha de Lula tem se beneficiado de uma mobilização renovada tanto nas ruas quanto nas plataformas digitais, o que tem estreitado a vantagem de Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas. Ao mesmo tempo, a divisão socioeconômica do eleitorado evidencia a complexidade do cenário político, onde cada candidato deve equilibrar mensagens de proteção social e liberdade econômica para conquistar eleitores.
O futuro da disputa dependerá, em grande medida, da capacidade de cada campanha adaptar sua mensagem às expectativas de um eleitorado cada vez mais diversificado. Enquanto a campanha petista consolida sua presença nas redes e nas manifestações, a equipe de Flávio busca reforçar sua narrativa de defesa da liberdade econômica. O próximo passo será observar como esses movimentos se traduzirão nas urnas, que decidirão o rumo do Brasil nos próximos quatro anos.








