O pimentão, fruto da espécie Capsicum annuum, chegou às cozinhas europeias no século XVI, depois das expedições de Cristóvão Colombo, e rapidamente se espalhou por continentes como África e Ásia. Hoje ele está presente em mercados, feiras e lares de todo o mundo, sendo um ingrediente versátil que une cores, sabores e benefícios nutricionais.
Origens e história da pimenta e do pimentão
Os primeiros registros de consumo de capsicum datam de milhares de anos antes da chegada dos europeus às Américas, quando povos indígenas já utilizavam as variedades silvestres em rituais e na alimentação diária. A domesticação começou nas regiões que hoje correspondem ao México e à América Central, onde agricultores selecionaram frutos menos ardidos para gerar o que hoje conhecemos como pimentão.
A partir do final do século XV, as naus de Colombo transportaram as sementes para a Espanha, que se tornou um dos principais portos de desembarque do novo vegetal. Da Península Ibérica, o pimentão seguiu para Portugal, França, Itália e, posteriormente, para as colônias africanas e asiáticas, adaptando‑se a diferentes climas e solos.
Em cada terra, surgiram nomes regionais – como pimiento na Espanha, peperone na Itália e biber na Turquia – e variações de tamanho, forma e cor que refletem a criatividade local.
Diferenças entre pimentas e pimentões
Embora pertençam à mesma espécie, pimentas e pimentões diferem principalmente na quantidade de capsaicina, o composto químico responsável pela sensação de ardor. Enquanto as pimentas picantes podem conter até 100 mil unidades de calor (Scoville), o pimentão possui níveis quase imperceptíveis, tornando‑o adequado ao consumo cru ou cozido sem provocar desconforto.
Curiosamente, o grau de pungência não é uniforme nem mesmo dentro de uma única planta. Um exemplo clássico são os pimientos de Padrón, da Galícia, que apresentam a famosa rima: “uns picam, outros não”. Essa variabilidade decorre de fatores genéticos, condições climáticas e maturação do fruto.
Outra distinção importante está na cor. O pimentão verde é, na realidade, um fruto imaturo que, ao amadurecer, pode tornar‑se amarelo, laranja ou vermelho. Cada mudança de cor indica um aumento progressivo de carotenoides, especialmente o betacaroteno, que confere ao vermelho seu sabor mais doce e seu maior valor nutricional.
Cores, sabores e benefícios nutricionais
Os quatro estágios de coloração – verde, amarelo, laranja e vermelho – trazem nuances de sabor que vão do levemente amargo ao intensamente adocicado. O verde, colhido precocemente, costuma ser mais barato e possui um toque mais herbáceo, enquanto o vermelho, totalmente maduro, apresenta notas de mel e maior teor de açúcar natural.
Independentemente da cor, todos os pimentões são fontes ricas de vitamina C, fibras alimentares e antioxidantes como flavonoides e luteína. O consumo regular auxilia na proteção da visão, fortalece o sistema imunológico e contribui para a saúde cardiovascular.
Além disso, o baixo teor calórico – cerca de 20 kcal por 100 g – faz do pimentão um aliado em dietas de controle de peso, permitindo que seja utilizado em grandes quantidades sem comprometer o balanço energético.
Usos culinários ao redor do mundo
Na culinária internacional, o pimentão aparece em preparações que variam de sopas a recheios, passando por molhos e conservas. Cada cultura adapta o ingrediente ao seu paladar, criando pratos icônicos que celebram sua cor e textura.
- Itália: Peperonata, um refogado de pimentões, cebola e tomate, temperado com azeite e ervas.
- Hungria: Lecsó, mistura de pimentões, tomate, cebola e páprica, servida como prato principal ou acompanhamento.
- Grécia: Gemistá, tomates e pimentões recheados com arroz, carne ou frutos do mar, assados lentamente.
- Turquia: Biber dolması, pimentões recheados com arroz temperado, pinhões e especiarias, cozidos em molho de tomate.
- Bálcãs: Ajvar, pasta de pimentões vermelhos assados, alho e azeite, usada como condimento ou conserva.
No Brasil, o pimentão ganha destaque em pratos como moquecas baianas, onde aporta cor e doçura ao caldo de peixe, e em molhos à base de tomate que acompanham carnes grelhadas. A versão mais popular, porém, continua sendo o pimentão recheado, que pode ser preparado à moda mexicana, italiana ou adaptado ao gosto local, substituindo o arroz por quinoa ou legumes para versões mais leves.
Para quem prefere consumir o pimentão cru, a dica é escolher o verde ou amarelo e combiná‑lo com molhos de iogurte ou hummus, reduzindo a sensação de “indigestão” que alguns associam ao fruto imaturo. Cozinhar levemente, grelhar ou assar também realça sua doçura natural e facilita a digestão.
Em resumo, o pimentão é um verdadeiro viajante culinário que, ao longo de séculos, acumulou histórias, sabores e benefícios. Conhecê‑lo em suas diferentes cores e preparações pode transformar refeições cotidianas em experiências gastronômicas memoráveis.








