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Retatrutida mostra eficácia promissora no combate à apneia obstrutiva do sono

Um conjunto de ensaios clínicos publicados no The New England Journal of Medicine revelou que a retatrutida, droga experimental da Eli Lilly, pode reduzir significativamente as interrupções respiratórias durante o sono. Os estudos foram concluídos em 2024, envolvendo centenas de voluntários com obesidade e apneia moderada a grave, e foram realizados em centros de pesquisa dos Estados Unidos e da Europa.

Como funciona a retatrutida

A retatrutida atua simultaneamente sobre três hormônios: os mesmos dois modulados pela tirzepatida (presente no Mounjaro) e o glucagon. Essa ação tripla a classifica como um agonista triplo, capaz de melhorar o controle glicêmico, reduzir o apetite e promover perda de peso.

Ao estimular esses receptores, o medicamento aumenta a sensibilidade à insulina e diminui a produção de glucagon, o que favorece a queima de gordura. A perda de peso, por sua vez, alivia a pressão sobre as vias aéreas superiores, reduzindo a frequência dos colapsos durante o sono.

Resultados dos ensaios clínicos

Os dois estudos recrutaram 691 adultos com índice de massa corporal elevado e apneia obstrutiva do sono. Os participantes foram divididos em dois grupos: 243 sem diabetes e 448 com diabetes tipo 2. Cada pessoa recebeu injeções semanais de 4 mg, 9 mg ou 12 mg de retatrutida, ou placebo, durante 80 semanas, além de orientação nutricional e de atividade física.

No subgrupo sem diabetes, a dose de 9 mg reduziu as paradas respiratórias em cerca de 34 eventos por hora, enquanto a dose de 12 mg reduziu em 32 eventos. O placebo apresentou queda de apenas 10 eventos. Em termos percentuais, isso corresponde a reduções de 57 % e 53 % respectivamente, contra 11 % no grupo controle.

Além disso, a perda de peso foi impressionante: 22 % de redução corporal com 9 mg e 21 % com 12 mg, comparado a 5 % no placebo. O ponto mais marcante foi que 52 % dos voluntários que receberam 9 mg atingiram a remissão da apneia ou um quadro leve sem sonolência excessiva, contra apenas 12,5 % no placebo. Isso significa que, a cada 100 pacientes tratados, cerca de 39 alcançariam esse benefício, quatro vezes mais que o grupo sem o fármaco.

No grupo com diabetes, os resultados foram igualmente positivos, embora menos expressivos. As doses mais altas diminuíram as interrupções respiratórias em torno de 25 eventos por hora (40 % de redução), enquanto o placebo reduziu apenas 10 eventos (13 %). A perda de peso ficou em 18 % versus 6 % no controle.

Os pesquisadores também avaliaram a carga hipóxica, um indicador que mede o tempo e a intensidade da queda de oxigênio durante a noite. Esse parâmetro despencou até 75 % com o uso da retatrutida, sugerindo potencial benefício cardiovascular, embora ainda não haja comprovação de que essa redução diminua eventos cardíacos.

Efeitos colaterais e segurança

Os efeitos adversos mais frequentes foram de natureza gastrointestinal, como diarreia, náusea e prisão de ventre, geralmente leves a moderados e concentrados na fase de aumento de dose. Uma queixa inesperada foi a sensação de queimação ou formigamento na pele, relatada por até 13 % dos pacientes, contra 2 % no grupo placebo.

Observou‑se também um aumento temporário da frequência cardíaca, de até 7 batimentos por minuto no pico, retornando a 1‑2 batimentos acima do basal ao final do estudo. A taxa de abandono por efeitos adversos permaneceu semelhante entre os grupos, indicando boa tolerabilidade geral.

  • Diarreia
  • Náusea
  • Prisão de ventre
  • Formigamento cutâneo
  • Aumento transitório da frequência cardíaca

É fundamental destacar que a retatrutida ainda é uma droga experimental, sem aprovação regulatória em nenhum país. No Brasil, o único medicamento autorizado pela Anvisa para tratamento da apneia obstrutiva do sono é o Mounjaro, aprovado em outubro de 2025 para adultos com obesidade.

Perspectivas e recomendações

Os resultados sugerem que a retatrutida pode se tornar uma ferramenta valiosa para pacientes que não respondem ao CPAP ou que buscam uma alternativa baseada em perda de peso. Contudo, a necessidade de mais estudos de longo prazo persiste, especialmente para confirmar se a redução da carga hipóxica se traduz em menor risco cardiovascular.

Especialistas recomendam cautela ao adquirir medicamentos não aprovados. A Anvisa tem emitido alertas contra a comercialização clandestina de versões irregulares de tirzepatida e de produtos que alegam conter retatrutida. O uso de substâncias sem comprovação pode trazer riscos graves à saúde e prejuízos financeiros.

Enquanto a retatrutida aguarda aprovação, pacientes com apneia do sono devem manter o acompanhamento médico, seguir as orientações de higiene do sono, controlar o peso corporal e considerar terapias comprovadas, como o CPAP e mudanças no estilo de vida.

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