A atriz britânica Judi Dench, aos 91 anos, revelou em entrevista à BBC que convive com a degeneração macular relacionada à idade, condição que compromete a visão central e a impede de ler, atuar no teatro e nas telas. O diagnóstico foi feito em 2012, mas os sintomas se intensificaram nos últimos anos, afetando sua vida cotidiana no Reino Unido.
Entendendo a degeneração macular relacionada à idade
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a principal causa de perda de visão central em pessoas acima de cinquenta anos. Ela atinge a mácula, a região da retina responsável por captar detalhes finos e cores vivas, essenciais para leitura, reconhecimento facial e direção de veículos.
Existem duas formas clínicas da doença: a forma seca, que representa cerca de 85% dos casos, e a forma úmida, menos frequente porém mais agressiva. Na forma seca, ocorre o acúmulo de depósitos amarelos chamados drusas, que gradualmente destroem as células fotossensíveis. Na forma úmida, vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina, provocando vazamentos e cicatrizes que deterioram rapidamente a visão.
O progresso da DMRI costuma ser lento e pode permanecer assintomático por anos, o que dificulta a detecção precoce. Quando os primeiros sinais aparecem, a pessoa costuma notar uma mancha escura ou borrão no centro do campo visual, dificultando a leitura de textos pequenos ou a identificação de rostos familiares.
Fatores de risco e prevenção
Embora o envelhecimento seja o fator determinante, diversos elementos aumentam a probabilidade de desenvolvimento da DMRI. Conhecer esses fatores auxilia na adoção de medidas preventivas e na realização de exames oftalmológicos regulares.
- Idade avançada: a prevalência cresce exponencialmente a partir dos 50 anos, atingindo cerca de 30% em indivíduos com mais de 75 anos.
- Genética e histórico familiar: parentes de primeiro grau com DMRI elevam o risco em até 2 vezes.
- Pressão alta e doenças cardiovasculares: comprometem a circulação ocular e favorecem a formação de vasos anômalos.
- Tabagismo: fumantes têm risco duas a três vezes maior que não fumantes.
- Exposição prolongada à luz solar sem proteção: a radiação ultravioleta pode acelerar o desgaste da retina.
Medidas preventivas incluem manter a pressão arterial sob controle, adotar uma dieta rica em antioxidantes (espinafre, peixe, nozes), praticar atividade física regular e, sobretudo, evitar o cigarro. O uso de óculos de sol com filtro UV também é recomendado para reduzir o estresse oxidativo na retina.
Diagnóstico, tratamento e qualidade de vida
O diagnóstico da DMRI é realizado por oftalmologistas através de exames como a fundoscopia, a tomografia de coerência óptica (OCT) e a angiografia fluoresceínica. Esses testes permitem visualizar a presença de drusas, o espessamento da retina e a existência de vasos sanguíneos anormais.
Embora ainda não exista cura definitiva, o tratamento varia conforme o tipo e o estágio da doença. As opções terapêuticas incluem:
- Injeções intravítreas de anti‑VEGF: medicamentos que bloqueiam o fator de crescimento endotelial vascular, reduzindo o crescimento de vasos anômalos na forma úmida.
- Terapia fotodinâmica: aplicação de um fármaco sensível à luz seguido de ativação com laser, indicado em alguns casos de DMRI úmida.
- Laser de baixa energia (laser sub‑threshold): usado para estabilizar a forma seca em estágios iniciais.
- Suplementos nutricionais: formulações contendo luteína, zeaxantina, vitaminas C e E, zinco e cobre, comprovadamente capazes de retardar a progressão em pacientes com DMRI seca moderada.
Além dos tratamentos médicos, a reabilitação visual desempenha papel crucial na manutenção da autonomia. Óculos de aumento, leitores eletrônicos, softwares de ampliação de tela e treinamento de visão periférica ajudam a compensar a perda central.
No caso de Judi Dench, a doença avançou a ponto de impedir a leitura de roteiros e a participação em palcos, o que ilustra o impacto direto da DMRI na carreira de profissionais que dependem da visão detalhada. A atriz tem enfatizado a importância de exames regulares e de buscar apoio especializado assim que os primeiros sinais surgirem.
Especialistas recomendam que adultos a partir dos 50 anos realizem avaliação oftalmológica anual, mesmo na ausência de sintomas. A detecção precoce permite a implementação de terapias que podem preservar a visão central por muitos anos, reduzindo a necessidade de intervenções invasivas.
Em síntese, a degeneração macular relacionada à idade representa um desafio de saúde pública crescente, sobretudo em sociedades que envelhecem rapidamente. A combinação de conscientização sobre fatores de risco, acesso a exames de rotina e disponibilidade de tratamentos avançados constitui a estratégia mais eficaz para minimizar o impacto da doença na qualidade de vida das pessoas.








