A astronauta francesa Sophie Adenot declarou, na terça‑feira, dia 13, que o ser humano ainda não possui condições de viajar a Marte. A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa organizada pela Agência Espacial Europeia (ESA) em Colônia, na Alemanha, cinco dias após o retorno da missão de oito meses na Estação Espacial Internacional.
Desafios fisiológicos e psicológicos
Segundo Adenot, a duração prevista de uma viagem a Marte – entre seis e nove meses – expõe os astronautas a limitações fisiológicas graves. Ela ressaltou que mais da metade dos tripulantes apresentam fraqueza extrema e episódios de vômito ao retornar à gravidade terrestre.
Esses sintomas são reflexo da adaptação ao micro‑gravidade prolongada, que compromete músculos, ossos e o sistema cardiovascular. “Com a tecnologia que temos hoje, uma missão tão longa poderia se transformar em um desastre”, alertou a astronauta.
Além dos efeitos físicos, há um componente psicológico importante. O isolamento, a monotonia e a ausência de estímulos sensoriais podem desencadear estresse, ansiedade e dificuldades de concentração, prejudicando a execução de tarefas críticas.
- Perda de massa muscular e óssea
- Desregulação cardiovascular
- Problemas de visão
- Desordens gastrointestinais
- Impactos psicológicos como ansiedade e depressão
Tecnologia necessária para uma viagem a Marte
A astronauta enfatizou que são precisos avanços “revolucionários” para tornar a viagem viável. Entre as prioridades, destaca‑se o desenvolvimento de sistemas de gravidade artificial que reduzam a perda de massa muscular e óssea.
Outra área crítica é a propulsão. Reduzir o tempo de trânsito de meses para semanas exigiria motores de alta eficiência, possivelmente baseados em propulsão nuclear ou em combustíveis de alta energia ainda em fase experimental.
Além disso, a vida a bordo deve ser autosustentável. Isso inclui reciclagem avançada de água e ar, produção de alimentos a partir de culturas hidropônicas e sistemas de energia que funcionem de forma contínua durante a jornada interplanetária.
- Gravidade artificial por rotação ou aceleração
- Propulsão nuclear térmica ou elétrica
- Reciclagem 100% de água e ar
- Produção de alimentos em ambiente fechado
- Escudos contra radiação cósmica
Iniciativas da NASA e da ESA para preparar futuras missões
A NASA anunciou, em julho, a abertura de inscrições para voluntários que participarão de simulações de missões lunares e marcianas. O programa, chamado Moon and Mars Explorations Analog, deve iniciar em agosto de 2027.
O projeto combina duas missões análogas: a HERA (Human Exploration Research Analog), que reproduz as condições de uma espaçonave, e a CHAPEA (Crew Health and Performance Exploration Analog), que simula uma base espacial. Os participantes viverão em habitats confinados, realizando rotinas diárias, experimentos científicos e procedimentos de emergência.
Essas simulações permitem avaliar a saúde e o desempenho dos astronautas em ambientes de recursos limitados, validar novos protocolos médicos e testar tecnologias de suporte vital antes de serem enviadas ao espaço profundo.
Além da NASA, a ESA tem colaborado estreitamente com a agência americana, oferecendo suporte logístico e científico para as missões de teste. Ambas as organizações compartilham dados para aprimorar modelos de risco, desenvolver estratégias de mitigação de radiação e criar planos de contingência para falhas críticas.
O objetivo final dessas iniciativas é reduzir as incertezas que ainda cercam uma viagem tripulada a Marte, garantindo que os futuros exploradores cheguem ao Planeta Vermelho com segurança e retornem à Terra em boas condições de saúde.








