Na manhã da sexta‑feira, 2 de junho, o Grupo das Sete (G7) anunciou a liberação coordenada de 100 milhões de barris de diesel através da Agência Internacional de Energia (AIE). O objetivo é conter a escalada de preços que chegou a 40% em algumas regiões da Europa. A medida foi tomada em meio a uma crise global de energia que afeta tanto consumidores quanto indústrias.
Motivações da decisão do G7
Os líderes do G7 ressaltaram que a volatilidade dos mercados de petróleo tem colocado em risco a estabilidade econômica de países desenvolvidos. A alta repentina do diesel eleva os custos de transporte, impactando cadeias de suprimentos e a inflação. Por isso, a liberação rápida de estoques busca estabilizar os preços e garantir o abastecimento.
Além do aspecto econômico, a segurança energética foi citada como prioridade. A dependência excessiva de importações de diesel deixa a Europa vulnerável a choques externos. A ação conjunta demonstra solidariedade entre as nações membros e parceiros estratégicos.
Como funciona a liberação de 100 milhões de barris
A liberação terá início imediato e se estenderá por quatro meses, com uma entrega acelerada nos primeiros 20 dias. Cada país do G7 e seus parceiros contribuirão com volumes proporcionais às suas reservas estratégicas.
Os barris serão distribuídos por meio da AIE, que coordenará a logística, o transporte marítimo e terrestre, bem como a documentação necessária. O objetivo é evitar gargalos e garantir que o combustível chegue rapidamente aos mercados mais afetados.
- Primeira fase: 30% dos barris nos primeiros 20 dias;
- Segunda fase: 40% distribuídos ao longo dos dois meses seguintes;
- Terceira fase: 30% restantes nos últimos dois meses.
Impactos esperados nos preços do diesel
Analistas preveem que a oferta adicional pode reduzir o preço do diesel em até 10% nos próximos três meses, embora a recuperação total dependa de fatores externos como conflitos geopolíticos.
Na Europa, onde o diesel é essencial para transporte de carga e maquinário agrícola, a queda de preços pode aliviar a pressão sobre produtores e consumidores finais. Nos Estados Unidos, a medida pode moderar o recorde de US$ 6,38 por galão.
Entretanto, especialistas alertam que a estabilização não será permanente se a capacidade de refino global permanecer limitada.
Fatores que desencadearam a alta do diesel
Conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia foram apontados como principais gatilhos. O estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, sofreu interrupções devido a tensões entre Irã e Estados Unidos.
Além disso, ataques a refinarias russas com drones ucranianos reduziram drasticamente a produção de diesel, já que a Rússia é o segundo maior exportador mundial do combustível.
Essas interrupções criaram um déficit de diesel que não pode ser rapidamente compensado, pois as refinarias têm limites técnicos para mudar a proporção entre gasolina e diesel.
Consequências para a economia europeia
A Europa depende historicamente de diesel para transporte de mercadorias, construção civil e agricultura. A alta dos preços eleva os custos operacionais de empresas de logística, elevando o preço final ao consumidor.
Georg Zachmann, do think tank Bruegel, explicou que políticas de incentivo fiscal criaram uma frota pesada de veículos a diesel, tornando o continente ainda mais vulnerável a choques de preço.
Com o diesel mais caro, setores como o de alimentos e bens de consumo podem enfrentar aumentos de preço significativos, pressionando ainda mais a já delicada situação de inflação.
Desafios da capacidade de refino
As refinarias operam com uma configuração fixa que determina a proporção de produtos derivados. Alterar rapidamente essa configuração para produzir mais diesel requer tempo, investimento e energia adicional.
O diesel, por sua natureza, exige processos de craqueamento mais intensos e maior aplicação de calor, o que limita a quantidade que pode ser produzida em comparação à gasolina.
Portanto, mesmo com a liberação de estoques, a produção de novo diesel permanece restrita até que investimentos em infraestrutura sejam realizados.
Repercussões para os consumidores
Um estudo da Transport & Environment revelou que motoristas europeus pagam, em média, 30 euros a mais por um tanque de 50 litros desde o início da crise. Esse acréscimo representa cerca de R$ 177 na conversão atual.
Para famílias de baixa renda, o aumento nos custos de combustível se traduz em menos recursos para outras despesas essenciais, como alimentação e saúde.
Empresas de transporte de carga repassam os custos adicionais aos clientes, o que pode gerar um efeito cascata nos preços de produtos importados.
Perspectivas de longo prazo
Além da resposta imediata, o G7 enfatizou a necessidade de fortalecer a resiliência dos sistemas energéticos. Investimentos em energia renovável, armazenamento e diversificação de fontes são citados como estratégias essenciais.
Os países membros também planejam revisar políticas de incentivo ao diesel, incentivando a transição para veículos elétricos e combustíveis alternativos.
Enquanto isso, a cooperação internacional continuará sendo fundamental para enfrentar crises futuras e garantir a segurança energética global.








