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Aumento do Etanol Pressiona Taxistas e Motoristas de App em Todo o País

Em setembro de 2024, nas principais cidades brasileiras, o preço do etanol registrou alta expressiva, afetando diretamente quem depende do carro para trabalhar. O aumento tem gerado preocupação entre taxistas, motoristas de aplicativos e até aposentados que utilizam o veículo como ferramenta de renda. O cenário evidencia como a variação nos combustíveis pode transformar a rotina de milhares de profissionais da mobilidade urbana.

A escalada dos preços do etanol

Nos últimos meses, o litro de etanol passou de R$ 3,70‑R$ 3,80 para valores acima de R$ 4,50 em algumas regiões. Essa elevação representa um salto de quase 20% no custo por litro, o que se traduz em despesas mensais significativamente maiores para quem abastece com álcool.

Os dados coletados junto a postos de gasolina apontam que a alta está ligada à combinação de fatores sazonais, aumento da demanda interna e ajustes nas políticas de incentivos à produção de biocombustíveis. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar tem encarecido os insumos utilizados na fabricação do etanol.

Para quem costuma encher o tanque de 45 litros, o impacto financeiro pode chegar a R$ 30 a R$ 40 a mais por abastecimento. Esse valor, quando multiplicado pelos 20 a 25 abastecimentos mensais de um motorista urbano, pode representar até R$ 800 adicionais no orçamento.

Impactos nos motoristas de táxi e aplicativos

Hernani Alves, taxista de São Paulo, relata que antes gastava cerca de R$ 150 para encher o tanque quando o etanol custava entre R$ 3,70 e R$ 3,80. Hoje, o mesmo abastecimento ultrapassa os R$ 180, o que ele descreve como “um peso enorme no bolso”.

Gilvan Magela, que trabalha com aplicativos em Rio de Janeiro, também sente o efeito. Ele menciona que atualmente gasta entre R$ 170 e R$ 180 por tanque, o que o obriga a repensar a viabilidade de continuar usando etanol como principal combustível.

Em contraste, motoristas que optam pela gasolina apontam maior estabilidade nos gastos. Breno Nazar Pereira, que acompanha seus custos em planilha, indica que em agosto e setembro pagou entre R$ 200 e R$ 250 por um tanque de 45 litros, sem variações significativas.

Segundo a pesquisa realizada pela redação, o abastecimento representa entre 30% e 40% dos custos operacionais totais desses profissionais. Essa fatia do orçamento pode ser decisiva para a margem de lucro diário, especialmente em períodos de baixa demanda.

Até mesmo aposentados que ainda utilizam o carro para pequenas corridas sentem o aperto. Walter Marcato, de Belo Horizonte, decidiu abandonar o carro e migrar para o transporte coletivo, justificando que “tudo isso pesa, você coloca no papel”.

Alternativas e estratégias para reduzir custos

Diante do cenário, muitos motoristas têm buscado alternativas para amenizar o impacto da alta do etanol. As estratégias mais citadas incluem a mudança para gasolina, a adoção de condução econômica e a revisão da manutenção do veículo.

  • Troca para gasolina: embora o preço por litro seja maior, a maior eficiência energética pode equilibrar o custo total.
  • Condução econômica: acelerar e frear suavemente, manter a velocidade constante e evitar sobrecarga de peso no veículo.
  • Manutenção preventiva: filtros limpos, pneus calibrados e troca de óleo no prazo correto aumentam o rendimento do combustível.
  • Uso de aplicativos de comparação de preços: plataformas que mostram o melhor preço de etanol e gasolina em tempo real ajudam a escolher o posto mais barato.

Outra prática que tem ganhado adeptos é a criação de planilhas de controle financeiro, como a de Breno Nazar Pereira. Ao registrar cada abastecimento, quilometragem percorrida e gasto por quilômetro, o motorista consegue identificar padrões de consumo e ajustar rotas para otimizar o uso de combustível.

Especialistas em mobilidade urbana ressaltam que, além das escolhas individuais, políticas públicas que incentivem a produção de etanol mais barato e a expansão de fontes alternativas, como o biodiesel, podem aliviar a pressão sobre os profissionais que dependem do carro.

Enquanto isso, a expectativa é que o preço do etanol continue volátil nos próximos meses. Motoristas, sindicatos e associações de categoria devem manter o diálogo com autoridades para buscar soluções que garantam a sustentabilidade econômica do setor.

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