O pontífice Leão XIV concluiu, nesta segunda‑feira, 28 de julho, sua visita de quatro dias à França com um discurso enfático sobre a necessidade de paz na Europa. Em Metz, cidade histórica no leste francês, o papa alertou sobre a “espiral de mentiras e engano” que, segundo ele, domina as relações internacionais.
Apelo à paz em meio ao conflito russo‑ucraniano
Durante a cerimônia em Metz, Leão XIV destacou a urgência de coragem nas negociações e compromisso para acabar com a guerra que consome o continente. Ele vinculou seu pedido diretamente ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que tem provocado milhares de vítimas e deslocados.
O pontífice ressaltou que a Europa tem o dever moral de intervir com diplomacia, ao invés de ampliar o rearmamento. “Precisamos de diálogo paciente, audácia nas negociações e disposição para sacrificar posições em prol da paz”, afirmou.
Ele também lembrou que seu próprio pai desembarcou nas praias da Normandia, reforçando a memória histórica de sacrifício que ainda ecoa nas gerações atuais.
Desafios da União Europeia e a ameaça dos nacionalismos
Leão XIV apontou que o projeto europeu, nascido dos escombros da Segunda Guerra Mundial, tem perdido força nos últimos anos. A crise migratória, a saída do Reino Unido da UE e as divergências sobre a postura em relação a Vladimir Putin são citadas como fatores de enfraquecimento.
O papa criticou o ressurgimento de discursos populistas, citando indiretamente líderes que fomentam “mentiras” para ganhar apoio. Ele alertou que tais estratégias alimentam a “espiral de mentira e engano” que corrói a confiança entre os Estados.
Em um momento de preparação para as eleições de 2027, o presidente francês Emmanuel Macron tentou reunir líderes da UE, mas apenas o pequeno Luxemburgo compareceu ao evento. Leão XIV aproveitou a ocasião para condenar o retorno dos nacionalismos.
- Crise migratória e políticas de integração
- Desconfiança entre os Estados-membros
- Pressão de partidos de extrema‑direita
- Desafios de segurança frente à Rússia
Segundo o pontífice, a Europa deve se posicionar como contrapeso às grandes potências, mantendo firme o multilateralismo e o direito internacional.
Chamado à solidariedade e ao multilateralismo
Leão XIV reiterou seu apoio ao direito internacional e ao multilateralismo, defendendo que a cooperação entre nações é a única saída para evitar novos conflitos. Ele pediu que os países europeus integrem os imigrantes de forma digna e humana.
O papa também advertiu contra a “ilusão do rearmamento”, destacando que o aumento dos gastos militares pode intensificar a tensão com a Rússia. Ele sugeriu que recursos sejam direcionados a iniciativas de paz e desenvolvimento social.
Ao final da visita, Leão XIV fez um pedido à Virgem de Lourdes, rogando por governantes sábios e generosos que mantenham a França em paz dentro do concerto das nações.
O discurso foi acompanhado por milhares de fiéis nas ruas de Metz, que demonstraram apoio ao apelo papal por união e esperança. A presença massiva reforçou a mensagem de que a população ainda anseia por soluções pacíficas.
Além do apelo à paz, o papa enfatizou a importância de combater a desinformação, que ele descreveu como “espiral de mentiras” que alimenta o medo e o ódio. Ele incentivou líderes a promover transparência e verdade nas comunicações oficiais.
Em seu discurso, Leão XIV citou Robert Schuman, nascido em Metz, como exemplo de visão europeia que deve ser celebrada e, possivelmente, beatificada pelo Vaticano.
A mensagem do pontífice ecoa em um cenário onde a União Europeia enfrenta desafios internos e externos, e onde a coesão entre os países membros é testada por crises políticas e econômicas.
Especialistas em relações internacionais apontam que o discurso papal pode influenciar debates sobre políticas de defesa e imigração, sobretudo nos países que ainda hesitam em adotar uma postura firme contra a desinformação.
O papa também ressaltou que a paz não pode ser alcançada apenas por acordos formais, mas requer um compromisso moral de todos os atores, incluindo a sociedade civil e as instituições religiosas.
Ele conclamou a Europa a agir com “audácia na negociação”, sugerindo que a diplomacia deve ser mais proativa e menos reativa diante de ameaças externas.
Leão XIV destacou ainda a necessidade de proteger os direitos humanos, especialmente daqueles que fogem de conflitos e perseguições, reforçando a responsabilidade europeia de acolhimento.
O discurso em Metz foi transmitido ao vivo para diversas partes do mundo, ampliando o alcance da mensagem de paz e verdade.
Observadores notaram que o tom do papa foi mais direto e crítico em relação a líderes populistas, contrastando com declarações anteriores mais diplomáticas.
Ao encerrar a visita, Leão XIV agradeceu à população francesa pela hospitalidade e reiterou seu compromisso de continuar orando pela paz no continente.
O evento também marcou a presença de autoridades locais, representantes da Igreja Católica e líderes de organizações não‑governamentais que trabalham com refugiados e direitos humanos.
Em síntese, a mensagem papal combina um apelo espiritual com uma análise política contundente, reforçando a necessidade de união europeia frente a desafios contemporâneos.








