Funcionários do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, localizado em Parelheiros, zona sul de São Paulo, foram convocados por sua gestora para apoiar a candidatura de Rodrigo Ashiuchi, ex-secretário municipal de Verde e do Meio Ambiente, nas eleições para deputado estadual. O encontro ocorreu no dia 25 de agosto, durante o horário de expediente, e foi registrado em vídeo que circulou entre os meios de comunicação.
Pressão política no ambiente de trabalho
A administradora Cassia Santos Lima reuniu cerca de vinte colaboradores – de segurança, limpeza, jardinagem e setor administrativo – e, em tom ostensivo, divulgou o número da urna do candidato, incentivando a participação em eventos de campanha. Ela afirmou que a orientação partia da própria secretaria e que todos seriam convidados para atividades políticas.
Segundo relatos de trabalhadores que preferiram permanecer anônimos, o discurso da gestora foi repetitivo: “Peço o voto de vocês para o secretário Rodrigo Ashiuchi e, se possível, também para a família Leite. Não é ameaça, é orientação que recebi”. O clima descrito pelos funcionários foi de constrangimento e medo de possíveis retaliações caso não obedecessem ao pedido.
Repercussões legais e investigação
A legislação eleitoral brasileira garante o voto livre e secreto, proibindo qualquer forma de coação ou pressão sobre eleitores. O uso da hierarquia no serviço público para solicitar apoio político pode configurar assédio eleitoral, abuso de poder político e uso indevido da estrutura pública.
A Procuradoria Regional Eleitoral abriu investigação sobre o caso, enquanto a Prefeitura de São Paulo informou que instaurará processo administrativo para apurar a denúncia. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) declarou que não solicita apoio eleitoral a candidatos nem autoriza a convocação de servidores para atividades político-eleitorais.
- Possíveis infrações: assédio eleitoral, abuso de poder, uso indevido de recursos públicos.
- Entidades envolvidas: Procuradoria Regional Eleitoral, Prefeitura de São Paulo, SVMA.
- Procedimentos previstos: instauração de processo administrativo, possível abertura de processo penal.
A campanha de Rodrigo Ashiuchi, por sua vez, negou qualquer envolvimento ou conhecimento da reunião, afirmando que não solicitou, autorizou ou incentivou a gestora a fazer tais convites. A assessoria do candidato informou que a SVMA foi oficialmente notificada para investigar e adotar as medidas cabíveis.
Reações das partes envolvidas
Ao ser questionada, a Prefeitura reiterou que a SVMA não compactua com qualquer forma de mobilização de servidores para fins eleitorais e que o caso será tratado com rigor administrativo. A gestora Cassia Santos Lima não respondeu às tentativas de contato feitas pelo g1 via telefone e mensagem de texto até o momento da publicação.
Funcionários que participaram da reunião relataram que foram convidados a segurar faixas, colocar placas nas ruas e atuar como boca de urna no contraturno. Um dos colaboradores descreveu que já havia marcado datas de eventos e enviaria convites individuais por mensagem privada.
Especialistas em direito eleitoral destacam que a prática pode acarretar sanções que vão desde advertência administrativa até a cassação de mandato, caso o candidato seja eleito e se comprove a utilização indevida de recursos públicos para campanha.
Organizações da sociedade civil que monitoram a lisura das eleições reforçam a importância de denunciar casos como esse, pois a pressão sobre servidores públicos fere princípios democráticos e pode influenciar indevidamente o resultado das urnas.
O caso ainda está em fase de apuração, e novas informações deverão surgir à medida que a investigação avançar. Enquanto isso, a população de Parelheiros acompanha o desenrolar dos fatos, preocupada com a integridade do processo eleitoral e com o respeito aos direitos dos trabalhadores.
Em síntese, a situação evidencia como a linha entre apoio institucional e coação pode ser tênue, especialmente quando autoridades públicas utilizam sua posição para influenciar o voto de subordinados. A transparência nas investigações será crucial para restaurar a confiança no sistema eleitoral e garantir que a livre escolha dos eleitores seja preservada.








