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Como a inteligência artificial está mudando o cenário das fraudes e o que você pode fazer para se proteger

Em 2026, o número de golpes financeiros alimentados por inteligência artificial disparou no Brasil, especialmente em São Paulo, onde a maioria dos alertas de fraude foi registrada. A combinação de ferramentas de IA de baixo custo e a popularização de smartphones tem facilitado a execução de ataques sofisticados por fraudadores individuais. Especialistas alertam que os métodos tradicionais de detecção já não são suficientes para impedir essas novas ameaças.

Como a IA está transformando as fraudes

A IA reduz drasticamente as barreiras técnicas e financeiras para a prática de crimes digitais. Ferramentas que antes custavam milhares de dólares agora podem ser alugadas por cerca de US$30 por mês, permitindo que quase qualquer pessoa crie deepfakes convincentes.

Segundo o relatório da Unico em parceria com a Liminal, estima‑se que 6 milhões de vítimas sofrerão algum tipo de fraude até 2025, um crescimento de 141% em relação a 2021. Esse aumento reflete a capacidade da IA de gerar imagens e vídeos manipulados que representam quase metade dos casos classificados.

Os ataques mais avançados, que incluem deepfakes de voz e vídeo, já representam 23,3% das fraudes no mundo, mas chegam a quase 50% das ocorrências na América Latina. Essa disparidade indica que a região está na vanguarda da adoção dessas técnicas criminosas.

Além dos deepfakes, a chamada “identidade sintética” tem se espalhado rapidamente. Nesse modelo, o fraudador cria um perfil totalmente fictício, sem necessidade de uma vítima real para denunciar o golpe, dificultando ainda mais a detecção.

O custo para executar um ataque sofisticado caiu em mais de 100 vezes nos últimos anos, enquanto a injeção de imagens e vídeos manipulados cresceu nove vezes entre junho de 2025 e abril de 2026. Essa tendência aponta para um cenário onde a fraude se torna cada vez mais acessível e diversificada.

Empresas também sentem o impacto: pedidos atípicos de transferência ou mudança de dados são cada vez mais realizados por meio de perfis falsos que imitam funcionários ou clientes confiáveis.

Sinais de alerta que ainda funcionam

Os indicadores visuais que antes ajudavam a identificar deepfakes – como dedos deformados ou falta de piscadas – perderam eficácia. A IA agora corrige esses detalhes, tornando as falsificações quase indistinguíveis a olho nu.

No entanto, ainda há falhas que podem ser observadas em situações específicas. Por exemplo, ao analisar um vídeo em que a pessoa fala palavras que exigem o fechamento dos lábios, pode-se notar inconsistências nos movimentos labiais.

Outro ponto de atenção é a perspectiva da câmera. Quando o rosto aparece de perfil, a profundidade e o sombreamento podem revelar imperfeições na renderização da IA.

Além dos aspectos visuais, a coerência do discurso é crucial. Se a mensagem contém erros de gramática incomuns ou informações que não correspondem ao histórico da suposta fonte, isso pode ser um indício de fraude.

Por fim, a pressão para ação imediata continua sendo um forte sinal de alerta. Golpistas costumam criar um senso de urgência para impedir que a vítima tenha tempo de verificar a autenticidade da solicitação.

Para facilitar a identificação, segue uma lista de sinais que merecem atenção:

  • Inconsistências na iluminação ou sombras do rosto.
  • Movimentos labiais que não correspondem ao áudio.
  • Erros gramaticais ou informações fora de contexto.
  • Pedidos urgentes de transferência ou compartilhamento de dados.
  • Uso de canais de comunicação não habituais.

Medidas práticas para se proteger

Especialistas recomendam interromper imediatamente a conversa ao perceber qualquer sinal de suspeita. Em seguida, procure a pessoa ou a instituição por um canal independente, como um número oficial ou site institucional.

Em ambientes corporativos, é essencial confirmar pedidos atípicos diretamente com o responsável por meio de um canal interno previamente estabelecido, evitando a aprovação automática de solicitações desconhecidas.

Manter softwares de segurança atualizados e habilitar autenticação de dois fatores (2FA) nas contas bancárias e de e‑mail reduz significativamente o risco de invasões que podem facilitar a criação de deepfakes.

Educar colaboradores e familiares sobre as novas táticas de fraude é outra camada de defesa. Simulações de ataques podem ajudar a reconhecer sinais sutis antes que o golpe seja efetivado.

Quando houver dúvida, siga este procedimento passo a passo:

  1. Desconecte a chamada ou mensagem suspeita.
  2. Verifique o número ou endereço de e‑mail em fontes oficiais.
  3. Contate a instituição por telefone ou site verificado.
  4. Registre o incidente em canais de denúncia de fraudes.

Além disso, utilizar ferramentas de verificação de mídia, como serviços que analisam a autenticidade de vídeos e imagens, pode oferecer uma camada extra de segurança.

Empresas devem implementar políticas claras de comunicação interna, definindo quais tipos de solicitações exigem dupla verificação e quem tem autoridade para aprovar transações acima de determinado valor.

Por fim, a vigilância constante e a atualização sobre novas técnicas de fraude são fundamentais. O cenário está em constante evolução, e a única maneira de se manter à frente é acompanhar as recomendações de especialistas e órgãos reguladores.

O futuro das fraudes e o papel da regulação

À medida que a IA avança, espera‑se que os fraudadores criem versões ainda mais realistas de deepfakes, incluindo interações em tempo real que podem enganar até mesmo profissionais treinados.

Reguladores brasileiros já iniciaram discussões sobre a necessidade de legislar o uso de IA em contextos críticos, como serviços financeiros e comunicação institucional.

Iniciativas de cooperação internacional, como o compartilhamento de indicadores de comprometimento (IOCs) entre bancos e empresas de tecnologia, podem acelerar a detecção precoce de campanhas de fraude.

Enquanto isso, consumidores devem permanecer críticos, questionar solicitações inesperadas e adotar hábitos digitais seguros para reduzir a exposição a esse novo tipo de crime.

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