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Novas revelações de Charles Spencer colocam Charles III como vilão na história de Diana

Em 22 de setembro de 2024, a editora Objetiva lançou o livro Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã, escrito por Charles Spencer, irmão da princesa Diana, que traz detalhes explosivos sobre a relação conturbada entre Diana e o então príncipe Charles. O relato, baseado em conversas telefônicas gravadas logo após o acidente que tirou a vida da princesa, revela atitudes que reforçam a imagem de Charles como vilão na narrativa pública. A obra já se tornou assunto quente em veículos de imprensa ao redor do mundo.

O contexto da entrevista telefônica

Spencer descreve um bate‑boca ao telefone que ocorreu poucas horas depois da tragédia em Paris, na madrugada de 31 de agosto de 1997. O príncipe, ainda herdeiro ao trono, ligou para o irmão mais novo para discutir a presença dos filhos William e Harry no funeral. Enquanto o pai defendia a participação dos meninos, Charles se mostrava contra e acabou cedendo após forte pressão familiar.

Durante a conversa, o príncipe teria soltado uma frase que, segundo Spencer, demonstra o desprezo que sentia por Diana: “Tenha certeza de que ela será esquecida logo, logo”. A frase foi dita em tom de raiva e, segundo o autor, refletiu um sentimento de horror ao ver o mundo inteiro chocado com a morte da princesa.

O autor, historiador formado em Oxford, afirma que a ligação foi marcada por um tom quase eufórico, como se Charles celebrasse uma vitória pessoal. Ele compara a reação a “ganhar na loteria”, aludindo à possibilidade de casar-se livremente com Camilla Parker Bowles, então sua amante.

Revelações sobre o comportamento de Charles

Ao longo do livro, Spencer apresenta uma série de episódios que, segundo ele, mostram o lado mais sombrio de Charles. Entre eles, destacam‑se momentos que revelam arrogância, insensibilidade e manipulação. Abaixo, a lista das principais acusações descritas:

  • Desprezo público pela memória de Diana, ao afirmar que ela seria rapidamente esquecida.
  • Reação eufórica ao saber que o funeral ocorreria sem maiores restrições, como forma de “vencer” a família.
  • Comentário ofensivo sobre a aparência de Camilla, ao dizer que ela era “meio gordinha” antes do casamento.
  • Desdém ao assumir o título de conde após a morte do avô em 1992, alegando que herdou a posição “muito jovem”.
  • Tentativa de coagir Diana a não se divorciar, alegando que seu marido estava apaixonado por um camareiro.

Spencer também relata que, durante um almoço, Diana teria confrontado o irmão sobre seu casamento com Camilla, e Charles respondeu que não amava a noiva, mas ainda assim prosseguiu com a união. O autor descreve ainda que o príncipe, ao ser questionado sobre a responsabilidade no acidente, tentou desviar a culpa para os motoristas e para a imprensa.

Além das declarações verbais, o livro traz trechos de cartas e memorandos internos da Família Real que, segundo Spencer, foram manipulados para proteger a imagem de Charles. Ele afirma que o Palácio de Buckingham fez uma “exceção” ao seu protocolo de silêncio ao publicar uma nota que minimizava o conflito entre os irmãos.

Impactos na imagem da monarquia

As revelações chegam em um momento delicado para a Casa de Windsor. Charles, agora com 77 anos, enfrenta um diagnóstico de câncer avançado e tem buscado reforçar sua imagem pública ao lado de Camilla, que já exerce o papel de rainha consorte. O livro, porém, coloca novamente em evidência críticas antigas sobre a insensibilidade da família real.

Especialistas em comunicação apontam que a divulgação de detalhes íntimos pode gerar um efeito de “retrocesso” na estratégia de reabilitação da monarquia. “Quando a imprensa traz à tona fatos que reforçam um vilão histórico, o público tende a reviver a indignação original”, explica a analista de mídia Laura Mendes.

Ao mesmo tempo, a obra também reacende discussões sobre o papel da imprensa na cobertura de tragédias reais. Muitos argumentam que a pressão midiática contribuiu para a forma como o luto da família foi tratado, enquanto outros defendem que a transparência é essencial para a accountability da realeza.

O livro ainda traz um capítulo que analisa as decisões recentes de Charles, como o exílio do príncipe Andrew para o interior do Reino Unido e a volta de Harry ao país, estratégias que visam “pôr ordem” na família. Segundo Spencer, essas medidas são tentativas de desviar a atenção das controvérsias passadas.

Apesar das críticas, alguns comentaristas sugerem que a publicação pode, paradoxalmente, servir ao objetivo de Charles de controlar a narrativa. “Ao abrir o baú, ele pode escolher quais peças deixar à mostra e quais esconder”, observa o historiador Michael O’Leary.

Em síntese, Canto do Cisne oferece um retrato complexo de uma família que, por décadas, manteve uma fachada de dignidade enquanto lidava com conflitos internos intensos. As revelações reforçam a percepção de Charles como figura controversa e colocam em xeque os esforços de reabilitação da monarquia nos últimos anos.

O debate continuará nos próximos meses, à medida que novos documentos sejam analisados e que a opinião pública se forme em torno da memória de Diana e da responsabilidade de quem a sucedeu no trono.

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