Na manhã da sexta‑feira, 25 de setembro de 2026, o Papa Leão XIV chegou à França para iniciar uma visita oficial de quatro dias. O pontífice, primeiro nascido nos Estados Unidos, usou a chegada para alertar o mundo sobre os perigos da inteligência artificial e para reforçar a mensagem de paz da Igreja.
Alerta sobre a Inteligência Artificial
Em entrevista concedida a jornalistas a bordo do avião que o trouxe a Paris, Leão XIV descreveu a IA como uma tecnologia capaz de gerar um “paraíso de máquinas” que poderia assumir o controle da Terra. Segundo o papa, esse cenário futurista não é ficção, mas um risco real que exige reflexão ética profunda.
O pontífice ressaltou que a criação de sistemas autônomos sem limites claros pode levar à perda de soberania humana, à desigualdade econômica e à erosão dos valores morais que sustentam a sociedade. Ele pediu que governos, cientistas e empresas trabalhem juntos para estabelecer normas internacionais que regulem o desenvolvimento e a aplicação da IA.
- Estabelecer princípios de transparência nos algoritmos;
- Garantir responsabilidade legal para decisões automatizadas;
- Proteger direitos humanos fundamentais;
- Promover a inclusão digital em países em desenvolvimento.
Objetivos da visita à França
A agenda de Leão XIV inclui paradas em Paris, Lourdes e Metz, cidades que simbolizam diferentes aspectos da fé católica na França. Em Paris, ele participará de uma cerimônia na Catedral de Notre‑Dame, recentemente restaurada após o incêndio de 2019.
Além da celebração litúrgica, o papa tem um compromisso importante com a UNESCO, onde apresentará sua visão para o futuro da Europa, destacando a necessidade de cultura, educação e ciência a serviço do bem‑comum.
Em Lourdes, Leão XIV buscará fortalecer a devoção popular e a esperança dos peregrinos, enquanto em Metz, na fronteira alemã, ele encontrará líderes religiosos para discutir a cooperação transfronteiriça em questões de migração e justiça social.
Reação da sociedade francesa
A recepção ao papa foi marcada por entusiasmo popular. Crianças cantaram nas portas do aeroporto de Paris‑Orly, enquanto multidões acenaram com bandeiras e cartazes que pediam paz e solidariedade. O presidente Emmanuel Macron e a primeira‑dama Brigitte receberam Leão XIV com discursos que enfatizaram a importância do diálogo entre Estado e Igreja.
Entretanto, a França, país laico desde a lei de 1905, tem mostrado um declínio constante na filiação católica. Dados do INSEE revelam que apenas 25% dos franceses entre 18 e 49 anos se identificam como católicos, frente a 43% há dez anos. Esse cenário cria um pano de fundo de ceticismo em relação à mensagem papal.
Além disso, a recente aprovação de leis que legalizam o suicídio assistido e o direito ao aborto na Constituição gerou tensão entre a Igreja e o governo. Líderes católicos têm protestado contra essas medidas, argumentando que violam a dignidade da vida humana.
Desafios da Igreja no contexto contemporâneo
Os escândalos de abuso sexual cometidos por membros do clero ainda pesam sobre a reputação da Igreja na França. Um relatório de 2021 apontou que cerca de 330 mil crianças foram vítimas de abusos ao longo de sete décadas. Desde então, bispos franceses implementaram programas de compensação, mas as vítimas continuam a exigir respostas mais contundentes.
Leão XIV pretende usar a visita para mostrar um novo modelo de liderança pastoral, baseado na escuta ativa, na transparência e na responsabilidade institucional. Ele enfatizou que a Igreja deve ser uma força de cura, não de ocultação.
Durante o discurso na UNESCO, o papa deve destacar três pilares essenciais para o futuro da Europa: dignidade humana, justiça social e proteção ambiental. Ele pretende ligar esses pilares à necessidade de uma regulação ética da IA, argumentando que a tecnologia deve servir ao bem‑comum e não à dominação.
Em seu itinerário, Leão XIV também participará de uma reunião com representantes da sociedade civil, incluindo líderes de movimentos ecologistas e especialistas em bioética. O objetivo é construir pontes entre diferentes visões de mundo e encontrar soluções conjuntas para os desafios do século XXI.
Ao final da visita, o papa deixará a França com a esperança de que sua mensagem de paz, responsabilidade tecnológica e renovação moral tenha inspirado tanto fiéis quanto cidadãos laicos a repensar o papel da ciência e da fé na construção de um futuro mais justo.








