No Brasil, o período do Dia das Crianças tem se destacado como o momento de maior incidência de fraudes na compra online de brinquedos, superando até mesmo o Natal, segundo pesquisa da Serasa Experian divulgada em setembro de 2024. O levantamento, que analisou dados de julho de 2023 a junho de 2024, mostra um cenário preocupante para consumidores e varejistas digitais.
Cenário das fraudes no comércio eletrônico
O estudo apontou que, embora o Natal registre 30,4% a mais de compras legítimas de brinquedos, o Dia das Crianças concentrou 26,15% mais tentativas de golpe. Em outubro de 2023, foram bloqueadas 371 tentativas de fraude, um aumento de 130,4% em relação à média mensal dos demais períodos analisados.
O prejuízo potencial evitado pelas tecnologias antifraude chegou a R$ 193,3 mil, demonstrando a eficácia das ferramentas de detecção, mas também a gravidade dos valores envolvidos. As transações fraudulentas bloqueadas no Dia das Crianças foram 97,98% superiores ao valor estimado para o Natal, indicando que os criminosos não só aumentam a frequência, mas também elevam o montante dos golpes.
Perfil dos golpistas e das vítimas
Segundo Rodrigo Sanchez, diretor de autenticação e fraude da Serasa Experian, os fraudadores adaptam rapidamente suas estratégias, exigindo que o varejo digital implemente camadas de inteligência capazes de identificar comportamentos suspeitos sem atrapalhar a experiência do cliente real. Essa adaptabilidade tem como alvo principal consumidores acima de 51 anos, que concentram a maior parte das tentativas bloqueadas.
Os golpistas costumam explorar ofertas muito atrativas, sites falsos que replicam lojas conhecidas e técnicas de phishing que direcionam o usuário a inserir dados de pagamento em páginas fraudulentas. A combinação de alta temporada de compras e a pressa dos consumidores ao buscar presentes cria um ambiente propício para o sucesso desses ataques.
Recomendações para consumidores e varejistas
Para reduzir os riscos durante a busca por presentes, a Serasa Experian recomenda um conjunto de boas práticas que podem ser adotadas tanto por quem compra quanto por quem vende. Seguir essas orientações ajuda a minimizar a exposição a golpes, preservando a segurança financeira e a confiança no comércio eletrônico.
- Verifique a autenticidade do site: confira se o endereço começa com “https://” e se há cadeado de segurança ao lado da barra de URL.
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado: ofertas com descontos exagerados costumam ser indicativo de fraude.
- Utilize métodos de pagamento seguros: cartões de crédito com proteção contra chargeback ou carteiras digitais reconhecidas reduzem a vulnerabilidade.
- Ative a autenticação em duas etapas (2FA): sempre que disponível, adicione uma camada extra de verificação ao acessar sua conta.
- Monitore as transações: revise o extrato bancário e o histórico de compras logo após a finalização da compra.
Os varejistas, por sua vez, devem investir em soluções avançadas de análise comportamental, aplicar filtros de risco em tempo real e manter campanhas de educação continuada para seus clientes. A integração de inteligência artificial com bases de dados atualizadas permite identificar padrões suspeitos antes que o pagamento seja concluído.
Além disso, é fundamental que as lojas virtuais disponibilizem canais de atendimento ágeis para esclarecer dúvidas e validar compras em caso de suspeita. Um suporte proativo pode transformar uma situação de risco em uma oportunidade de fidelização.
Em síntese, o aumento das fraudes no Dia das Crianças evidencia a necessidade de uma postura conjunta entre consumidores, varejistas e órgãos de segurança. A conscientização, aliada a tecnologias robustas, é a principal defesa contra a crescente criatividade dos fraudadores.








