Na última terça‑feira, 22 de março de 2026, os países membros da aliança denominada Escudo das Américas assinaram um acordo que classifica facções narcotraficantes como “ameaças compartilhadas” e as coloca como alvos de sanções. O evento ocorreu em Washington, D.C., e contou com a presença de líderes alinhados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida visa intensificar a cooperação regional contra o narcoterrorismo transnacional.
A origem e os objetivos da aliança
A aliança Escudo das Américas foi lançada pela administração Trump como parte da chamada “Doutrina Donroe”, um projeto que busca manter a América Latina dentro da esfera de influência dos EUA. O nome da aliança reflete a intenção de criar um escudo protetor contra ameaças que ultrapassam fronteiras nacionais, como o tráfico de drogas e o terrorismo.
Participam da aliança apenas governos que se declararam ideologicamente alinhados ao presidente americano. Entre os signatários estão Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, além dos Estados Unidos.
O Brasil, o México e a Venezuela foram excluídos da reunião fundadora, embora organizações criminosas desses países estejam incluídas na lista de alvos. Essa exclusão reforça a mensagem de que a aliança privilegia governos que adotam políticas favoráveis à agenda de Washington.
O documento oficial, divulgado pelo Departamento de Estado, declara que a ameaça “imediata e universalmente compartilhada” no hemisfério são as organizações narcoterroristas transnacionais, que colocam em risco a paz, a segurança e a prosperidade dos cidadãos da região.
Facções apontadas como ameaças
O acordo lista 24 grupos considerados perigosos. Entre eles, destacam‑se duas facções brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Ambos foram classificados como “terroristas globais” pela administração Trump, embora o governo brasileiro discorde da denominação.
Além das organizações brasileiras, a lista inclui gangues originárias dos Estados Unidos, como o MS‑13 e o Barrio 18, que operam em vários países da América Central e do Sul. O documento também menciona grupos de países como Colômbia, Peru e Bolívia, que já figuram em relatórios de segurança regional.
Segue a lista completa dos países signatários:
- Estados Unidos
- Argentina
- Bolívia
- Chile
- Colômbia
- Costa Rica
- República Dominicana
- Equador
- El Salvador
- Guiana
- Honduras
- Panamá
- Paraguai
- Peru
- Trinidad e Tobago
E a lista das facções alvo inclui:
- PCC (Brasil)
- Comando Vermelho (Brasil)
- MS‑13 (EUA)
- Barrio 18 (EUA)
- Cartel de Sinaloa (México)
- Cartel de Jalisco (México)
- Los Rastrojos (Colômbia)
- ELN (Colômbia)
- Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC‑DP)
- Guerra de los Andes (Bolívia)
- Grupo de los Ríos (Peru)
- Outros 12 grupos menores listados no documento oficial
O acordo prevê a ativação de um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) para viabilizar a aplicação das sanções. Essa ferramenta permite que medidas adotadas por um país sejam reconhecidas e aplicadas pelos demais membros da aliança.
Reações e implicações regionais
Especialistas apontam que a criação do Escudo das Américas reflete uma estratégia de contenção e de projeção de poder dos EUA na região. A “Doutrina Donroe” busca consolidar laços com governos que compartilham uma agenda de combate ao narcoterrorismo, ao mesmo tempo em que pressiona países que mantêm políticas independentes.
No Brasil, a classificação do PCC e do CV como terroristas gerou forte contestação. A legislação brasileira define terrorismo como atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito, e autoridades afirmam que as facções não se enquadram nesses critérios. O então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, explicou a diferença em reunião com representantes americanos no Ministério da Justiça.
O México, excluído da aliança, tem sido alvo de críticas por suposta tolerância ao tráfico de drogas, mas também tem buscado fortalecer cooperações bilaterais com os EUA sem aderir ao Escudo. Já a Venezuela, também ausente, enfrenta sanções internacionais por questões de direitos humanos, o que dificulta sua participação em iniciativas lideradas por Washington.
Na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, Trump dedicou parte de seu discurso ao combate ao tráfico de drogas, reforçando a importância da cooperação hemisférica. A mensagem foi recebida com apoio de alguns líderes latino‑americanos, enquanto outros manifestaram preocupação sobre a soberania nacional.
Os países signatários esperam que as sanções pressionem financeiramente as organizações criminosas, dificultando a lavagem de dinheiro e o fluxo de recursos ilícitos. A medida também inclui a possibilidade de congelamento de ativos e restrição de acesso a mercados internacionais para indivíduos vinculados às facções.
Entretanto, críticos alertam que sanções unilaterais podem gerar efeitos colaterais, como o aumento da violência ao deslocar rotas de tráfico para áreas menos monitoradas. Organizações de direitos humanos pedem que as políticas de combate ao narcoterrorismo sejam acompanhadas de programas sociais que reduzam a vulnerabilidade das populações afetadas.
O futuro da aliança dependerá da capacidade dos governos participantes de coordenar ações concretas, como intercâmbio de inteligência, treinamento conjunto de forças de segurança e implementação de tecnologias de monitoramento fronteiriço. Até o momento, o primeiro passo formal foi a assinatura do documento de sanções.
Em resumo, a iniciativa do Escudo das Américas representa uma nova fase de cooperação regional focada no combate ao narcoterrorismo, mas também levanta questões sobre soberania, eficácia das sanções e impacto nas dinâmicas de poder da América Latina.








