O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou nesta terça‑feira (22) a meta de levar saneamento básico a todos os 371 municípios atendidos pela Sabesp até o final de 2029. O anúncio foi feito durante coletiva na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Barueri, que atende cerca de oito milhões de habitantes da Grande São Paulo.
Compromisso de universalização
Durante a entrevista, o mandatário explicou que a universalização está prevista no contrato da companhia e será prioridade caso seja reeleito. Ele ressaltou que o Marco Legal do Saneamento estabelece que, até 31 de dezembro de 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto.
Segundo o governador, o Brasil ainda está muito distante dessas metas. Ele citou um estudo que indica que, no ritmo atual de investimentos, seriam necessários mais setenta anos para alcançar a universalização completa, um cenário que ele considerou inaceitável.
Avanços nas obras de saneamento
Para mudar esse panorama, o governo estadual já colocou em prática uma série de obras. São quinze estações de tratamento de esgoto em construção, quatro unidades em processo de modernização (retrofit) e onze novas instalações planejadas para atender ao crescimento da rede.
A capacidade média de tratamento deve subir para 22,5 mil litros por segundo, representando um aumento de 40,6% em relação ao nível atual. Essa elevação permitirá levar serviço de coleta e tratamento a mais de quatro milhões de pessoas nos próximos anos.
A ampliação da ETE de Barueri faz parte do programa Integra Tietê, que destina R$ 30 bilhões até 2029. O programa está estruturado em cinco frentes:
- Saneamento
- Controle de cheias
- Turismo e integração
- Eficiência logística
- Governança
Além da expansão da capacidade, o governador destacou a redução de quase 30% na carga orgânica despejada no Rio Tietê nos últimos dois anos. Atualmente, são tratados 10 bilhões de litros de esgoto a mais por mês, contribuindo para a melhora da qualidade da água.
O plano também inclui ações de desassoreamento do Tietê. Desde 2023, foram retirados 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos, investimento que supera R$ 1,4 bilhão e já corresponde a 90% da meta estabelecida para o fim de 2026.
Impactos e metas futuras
Com a conclusão das obras prevista para o final de 2029, a expectativa é que a população de municípios como Barueri, Jandira, Itapevi, Osasco, Carapicuíba e Santana de Parnaíba tenha acesso pleno ao serviço de tratamento de esgoto. A ampliação também beneficia áreas de Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra, que recebem parte do fluxo da estação.
O aumento de capacidade deve gerar benefícios econômicos e ambientais. A diminuição da poluição no Tietê favorece a biodiversidade aquática, reduz custos de saúde pública e cria oportunidades para o desenvolvimento do turismo fluvial na região.
O governador enfatizou que o sucesso do programa depende da continuidade dos investimentos e da colaboração entre governo, Sabesp e iniciativa privada. Ele reforçou que a meta de universalização será efetivamente alcançada somente com a execução das obras dentro do cronograma estabelecido.
Em síntese, o plano de R$ 70 bilhões representa um esforço histórico para transformar o cenário sanitário de São Paulo. Se cumprido, o estado poderá servir de modelo para outras regiões do país, demonstrando que a combinação de recursos financeiros, tecnologia e gestão integrada pode acelerar a universalização do saneamento básico no Brasil.








