Na última terça‑feira (22 de setembro), a Casa da Mulher de Guarulhos recebeu uma turma de assistidas para participar de uma oficina prática de reaproveitamento de alimentos. O encontro, promovido pela Subsecretaria de Políticas para as Mulheres em parceria com o Consórcio Construtor Integra Tietê‑Sabesp, aconteceu na unidade Haroldo Veloso, no bairro Vila Camargos.
Objetivos e alcance da iniciativa
A ação tem como meta principal reduzir o volume de alimentos descartados nas residências, transformando partes normalmente jogadas fora em ingredientes nutritivos. Segundo dados da ONU, o Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdícios de Alimentos, celebrado em 29 de setembro, reforça a importância de políticas públicas voltadas para esse tema.
Além da redução do desperdício, a oficina busca empoderar mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo conhecimentos que podem gerar economia no orçamento familiar. Ao aprender a reutilizar cascas, folhas, talos e sementes, as participantes conseguem diversificar o cardápio sem aumentar os gastos.
Até o momento, a iniciativa já beneficiou usuárias das Casas da Mulher de Vila Camargos e Recreio São Jorge, e novas sessões estão programadas para as unidades Pimentas (23 de setembro) e Vila Galvão (29 de setembro). Cada encontro reúne de 10 a 15 mulheres, permitindo um acompanhamento próximo e personalizado.
O programa está inserido na Secretaria de Direitos Humanos de Guarulhos, reforçando o compromisso municipal com a equidade de gênero e a sustentabilidade ambiental.
Como funciona a oficina de reaproveitamento
A sessão foi conduzida pela assistente social Vânia Julião Madi Paciullo, que desenvolveu uma receita de farofa a partir de cascas e talos de legumes. A aula iniciou com uma breve explicação teórica sobre o valor nutricional dessas partes, que podem conter até 40 vezes mais vitaminas e minerais que a polpa.
Em seguida, as participantes foram divididas em pequenos grupos para praticar a higienização e o corte adequado dos ingredientes. Cada grupo recebeu uma lista de itens a serem transformados:
- Cascas de batata e cenoura
- Talos de brócolis e couve‑flor
- Folhas de beterraba e acelga
- Sementes de melancia e abóbora
Após a preparação, os grupos combinaram os componentes com temperos básicos – azeite, alho, cebola e sal – e levaram ao forno para finalizar a farofa crocante. Vânia destacou a importância de cozinhar em fogo moderado para preservar os nutrientes.
Além da farofa, a oficina apresentou outras sugestões de uso, como chás de cascas de frutas cítricas, caldos verdes feitos com talos e folhas, e farinhas caseiras a partir de sementes torradas. Cada receita foi acompanhada de um folheto com instruções passo a passo.
Para garantir que o aprendizado seja replicado em casa, as participantes receberam kits contendo amostras de temperos, sacos reutilizáveis para armazenar os resíduos e um manual ilustrado com dicas de conservação.
Impactos e depoimentos
Leonice Barbosa, 64 anos, aposentada e vendedora autônoma, relatou que a oficina mudou sua percepção sobre o lixo alimentar. “Antes eu jogava tudo, mas agora vejo que as cascas e talos podem virar pratos deliciosos e econômicos”, afirmou com entusiasmo.
Outro relato veio de Maria das Graças, que mora na região do Recreio São Jorge. Ela destacou que a farofa de cascas ficou tão saborosa que planeja incluir a receita no cardápio semanal da família, reduzindo a compra de alimentos processados.
Os números apresentados por Vânia reforçam a relevância da proposta: o Brasil desperdiça cerca de 7,5 milhões de toneladas de alimentos por ano, o que equivale a aproximadamente 30% da produção nacional. Transformar apenas 5% desse volume poderia gerar uma economia de bilhões de reais.
Além do aspecto econômico, a prática contribui para a saúde das participantes. Estudos mostram que dietas ricas em fibras e fitonutrientes – abundantes nas cascas e folhas – ajudam a regular o trânsito intestinal e a fortalecer o sistema imunológico.
O engajamento da comunidade também se refletiu nas redes sociais, onde fotos das receitas foram compartilhadas com a hashtag #ReaproveitamentoGuarulhos, alcançando mais de mil visualizações em poucas horas.
Com a continuidade das oficinas nas próximas unidades, a expectativa é ampliar o alcance para outras cidades da região metropolitana, criando uma rede de mulheres capacitadas a transformar resíduos em recursos.
Em síntese, a iniciativa demonstra que pequenas mudanças no cotidiano podem gerar grandes impactos ambientais, sociais e financeiros, reforçando a importância de políticas públicas que incentivem a educação alimentar sustentável.








