A Xiaomi viu suas remessas de smartphones no Brasil recuarem 34% no primeiro semestre de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, conforme dados da consultoria Counterpoint Research. A queda ocorreu em meio a uma crise global de componentes e afetou principalmente os modelos de custo‑benefício. O cenário reflete a maior vulnerabilidade das marcas que operam com margens reduzidas.
Queda nas remessas da Xiaomi
Apesar da forte retração, a Xiaomi manteve a terceira posição entre as fabricantes que mais enviaram aparelhos ao país. Essa posição, porém, contrasta com o desempenho da Samsung e da Apple, que conseguiram ampliar seus volumes no mesmo intervalo.
No total, as remessas de smartphones no Brasil recuaram 11% no primeiro semestre, indicando um abrandamento geral do mercado. A Xiaomi foi a mais impactada, registrando a maior queda percentual entre todas as marcas analisadas.
Além da Xiaomi, outras marcas chinesas de perfil semelhante também sofreram perdas. A Infinix, que ocupa a quinta posição, viu suas remessas cair 24% em relação ao ano anterior, seguindo a mesma tendência de dificuldade de abastecimento.
Causas da desaceleração e concorrência
A crise na cadeia global de componentes, sobretudo nos chips de memória, tem pressionado fabricantes que dependem de custos baixos para atrair consumidores. Margens de lucro estreitas tornam esses players mais sensíveis a aumentos de preço e atrasos de entrega.
Ao mesmo tempo, concorrentes como Honor, Oppo, Realme e a marca Jovi da Vivo Mobile têm investido em produção local, promoções agressivas e parcerias estratégicas para reduzir custos. Essas iniciativas aumentaram a competição nos segmentos de preço que antes eram dominados pela Xiaomi.
Mesmo com esses esforços, a participação combinada das marcas chinesas diminuiu de 26% no primeiro semestre de 2025 para 20% no mesmo período de 2026. Esse recuo evidencia a dificuldade de manter a fatia de mercado diante da escassez de componentes.
- Escassez de chips de memória
- Elevação dos custos de produção
- Dependência de importação de componentes
- Pressão sobre margens de lucro
Desempenho das demais marcas
Marcas tradicionais como Samsung e Motorola reforçaram sua presença, respondendo por 73% das remessas no primeiro semestre. A Samsung, mesmo registrando prejuízo na divisão de celulares, cresceu 10% em relação ao mesmo período de 2025.
O destaque da Samsung foi o modelo Galaxy A07 4G, que sozinho representou 8,3% das remessas no semestre, mostrando a força dos aparelhos de gama média com boa relação custo‑benefício.
A Motorola apresentou um crescimento mais tímido, de 1% frente ao primeiro semestre de 2025, mas manteve uma posição sólida no mercado de entrada.
A Apple, por sua vez, avançou com um aumento de 19% nas remessas anuais, elevando sua participação de 6% para 7%, nível que a coloca empatada com a Xiaomi em termos de quota de mercado.
O relatório da Counterpoint destaca que a maior parte dos smartphones vendidos no Brasil ainda pertence à faixa de preço até US$ 249 (cerca de R$ 1.250), representando 78% das remessas. Contudo, os aparelhos abaixo de US$ 99 (R$ 550) perderam espaço.
Segundo Tina Lu, analista da consultoria, os consumidores brasileiros estão dispostos a pagar mais por especificações superiores, impulsionando a demanda por modelos de preço intermediário. Essa mudança de comportamento favorece marcas que conseguem oferecer mais recursos por um preço ainda acessível.
Em síntese, a combinação de escassez de componentes, aumento de custos e a intensificação da competição tem colocado a Xiaomi em posição vulnerável no mercado brasileiro. Enquanto isso, fabricantes consolidadas aproveitam a oportunidade para reconquistar fatias de mercado e reforçar sua presença.








