Na 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova Iorque na terça‑feira, 22 de setembro de 2024, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou Cuba de estar à beira do colapso. Em seu discurso, ele afirmou que a ilha “cairá” sob o peso das sanções americanas. O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, respondeu imediatamente, classificando as declarações como calúnias e falsidades.
Reação do governo cubano
Rodríguez publicou no X (ex‑Twitter) que os EUA não aceitam a soberania plena de Cuba, um país independente desde a Revolução de 1959. Ele enfatizou que nenhuma das “falsidades” apresentadas por Trump poderia negar o direito cubano à autodeterminação. “O bloqueio econômico, incluindo o embargo energético, é um ato de genocídio e punição coletiva”, escreveu o chanceler.
O presidente cubano, Miguel Díaz‑Canel, também se pronunciou, acusando Trump de repetir na ONU que Cuba representa uma ameaça. Segundo Díaz‑Canel, a retórica americana serve apenas para justificar o castigo contra o povo cubano e sua “guerra econômica genocida”. Ele concluiu que “a mentira é o recurso daqueles que se negam a aceitar o direito à livre determinação do povo cubano”.
A delegação cubana presente na sede da ONU deixou o plenário durante a fala de Trump, demonstrando protesto diplomático. O gesto ocorreu logo após o discurso de abertura do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que havia defendido a necessidade de diálogo e respeito à soberania nacional.
Impactos das sanções americanas
Desde janeiro de 2024, o governo Trump intensificou a pressão sobre a economia cubana, ameaçando sanções a países que forneçam combustível à ilha. O embargo energético, reforçado nos últimos sete meses, tem provocado apagões frequentes e interrompido a produção industrial.
Em maio, Washington implementou um regime de sanções secundárias contra empresas estrangeiras que comercializam com Cuba. O efeito imediato foi a saída de inúmeras companhias dos setores de turismo e mineração, duas das principais fontes de receita para os 9,4 milhões de habitantes da ilha.
- Redução de voos internacionais e cancelamento de cruzeiros turísticos;
- Fechamento de minas de níquel e cobre operadas por empresas europeias;
- Bloqueio de importação de equipamentos médicos essenciais;
- Limitação de acesso a combustíveis para geração de energia.
O relatório apresentado por Rodríguez à imprensa revelou que o embargo causou prejuízos superiores a US$ 8 bilhões entre março de 2025 e fevereiro de 2026, um aumento de 7 % em relação ao ano anterior. O ministro ressaltou que esse valor não inclui os danos ainda não contabilizados do bloqueio energético.
Além dos impactos econômicos, as sanções têm agravado a crise humanitária, com escassez de medicamentos, alimentos e energia elétrica. Organizações de direitos humanos alertam que a situação pode evoluir para uma emergência de saúde pública.
Contexto histórico do embargo
O embargo contra Cuba foi instaurado pelos Estados Unidos em 1962, como resposta à nacionalização de propriedades americanas após a Revolução cubana. Desde então, o bloqueio tem sido renovado anualmente pelo Congresso americano, apesar das críticas internacionais.
Ao longo das décadas, o embargo evoluiu de restrições comerciais gerais para medidas mais sofisticadas, como as sanções secundárias que punem terceiros que negociam com a ilha. Essa estratégia visa isolar Cuba no sistema financeiro global, dificultando investimentos estrangeiros.
Vários países, incluindo membros da União Europeia, Canadá e Brasil, condenaram o embargo como violação do direito internacional. Em 2015, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que pedia o fim das sanções unilaterais contra Cuba, mas os EUA mantiveram sua posição.
O atual governo de Trump, eleito com discurso de “America First”, tem adotado uma postura ainda mais agressiva, alegando que o regime cubano viola direitos humanos e que o bloqueio é uma ferramenta de pressão política.
Perspectivas e consequências
Especialistas em relações internacionais apontam que a escalada das sanções pode gerar consequências imprevisíveis para a região do Caribe. O aumento da instabilidade econômica em Cuba pode desencadear migrações irregulares para países vizinhos, pressionando políticas migratórias.
Ao mesmo tempo, o setor privado cubano tem buscado alternativas, como acordos com a Rússia e a China para o fornecimento de petróleo e gás. No entanto, a dependência de poucos parceiros aumenta a vulnerabilidade da economia.
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Para a população cubana, a realidade cotidiana se traduz em filas para conseguir energia, racionamento de água e escassez de medicamentos. Organizações locais têm mobilizado a sociedade civil para pressionar por soluções diplomáticas, embora a resposta americana permaneça inflexível.
Em suma, a retórica de Trump na ONU reforçou uma disputa de longa data entre Washington e Havana, enquanto o bloqueio econômico continua a comprometer a qualidade de vida dos cubanos. O futuro dependerá de negociações multilaterais, da pressão internacional e da capacidade de Cuba de diversificar suas fontes de energia e receita.








