Em 2024, pacientes de todo o Brasil continuam recorrendo a procedimentos de infiltração para tratar dores no joelho, seja após lesões esportivas, desgaste articular ou complicações de sobrepeso. O procedimento, realizado em clínicas ortopédicas e hospitais, tem ganhado destaque nas redes sociais como solução rápida, mas sua eficácia depende de indicações específicas.
Entendendo a infiltração no joelho
As infiltrações consistem na aplicação direta de substâncias no interior da articulação, visando reduzir a inflamação ou melhorar a lubrificação da cartilagem. Entre os compostos mais usados estão o corticoide, o ácido hialurônico, o plasma rico em plaquetas (PRP) e as terapias celulares derivadas da medula óssea.
Cada substância atua de forma distinta: o corticoide tem efeito anti‑inflamatório rápido, mas de curta duração; o ácido hialurônico busca restaurar a viscosidade do líquido sinovial, proporcionando amortecimento; o PRP contém fatores de crescimento que podem estimular reparos teciduais; e as células‑tronço visam a regeneração da cartilagem danificada.
É importante notar que a infiltração não cria nova cartilagem de forma imediata; ela pode apenas melhorar o ambiente articular, facilitando a realização de exercícios de fortalecimento.
Quando a infiltração é indicada
Antes de optar por qualquer aplicação, o ortopedista deve identificar a origem da dor. Perguntas fundamentais incluem: a dor é decorrente de inflamação aguda, desgaste crônico ou lesão traumática? Qual é o grau de comprometimento da cartilagem, avaliado por imagem?
Com base nessas respostas, o médico define um dos quatro objetivos terapêuticos possíveis:
- Alívio sintomático da dor;
- Modificação da inflamação e do líquido sinovial;
- Reparo de áreas lesadas;
- Regeneração de tecido cartilaginoso.
Se o objetivo principal for apenas reduzir a dor para permitir a prática de fisioterapia, uma infiltração de corticoide pode ser suficiente. Quando se busca melhorar a qualidade do líquido articular, o ácido hialurônico costuma ser a escolha.
Para pacientes que desejam potencialmente regenerar a cartilagem, terapias avançadas como PRP ou células‑tronço são consideradas, embora a evidência científica ainda seja limitada.
Benefícios, limites e riscos das principais substâncias
Corticoide: oferece alívio em até 72 horas, mas o efeito costuma durar de duas a quatro semanas. O uso repetido pode levar à degradação da cartilagem e aumento da pressão intra‑articular.
Ácido hialurônico: costuma ser administrado em séries de três a cinco injeções, com efeito que pode durar de três a seis meses. Alguns pacientes relatam melhora na mobilidade, porém a resposta varia bastante.
PRP (plasma rico em plaquetas): obtido a partir do próprio sangue do paciente, contém fatores de crescimento que podem estimular a reparação tecidual. Estudos apontam benefícios modestos em termos de dor e função, mas ainda não há consenso sobre a frequência ideal das aplicações.
Células‑trônço da medula óssea (BMAC): envolve a coleta de medula, concentração de células‑trônço e reinjeção na articulação. É uma técnica mais invasiva e cara, com evidências ainda emergentes.
Todos os procedimentos apresentam riscos, como infecção local, hemorragia, dor pós‑procedimento e, raramente, reações alérgicas. O profissional deve sempre discutir esses aspectos antes da aplicação.
Alternativas complementares ao tratamento invasivo
Além das infiltrações, diretrizes internacionais recomendam medidas conservadoras como exercício estruturado, controle de peso e autocuidado. Musculatura forte ao redor do joelho absorve melhor as cargas e reduz o estresse sobre a cartilagem.
Estudos mostram que cada quilo perdido pode reduzir em até quatro quilos a carga por passo na articulação do joelho. Programas que combinam dieta hipocalórica e treinamento de força, como o ensaio clínico IDEA, demonstraram perda média de 10% do peso corporal em 18 meses, com melhora significativa em dor e função.
Exercícios de baixo impacto – como bicicleta ergométrica, natação e caminhada em superfície plana – são indicados para pacientes com artrose moderada. A fisioterapia pode incluir fortalecimento quadríceps, alongamento de cadeia posterior e treinamento proprioceptivo.
O uso de órteses, palmilhas e calçados adequados também pode contribuir para a distribuição equilibrada das forças durante a marcha, aliviando a pressão sobre áreas vulneráveis do joelho.
Em resumo, a infiltração pode ser parte de um plano multimodal, mas não deve substituir hábitos saudáveis e intervenções não invasivas. O sucesso a longo prazo depende da aderência do paciente a um programa de reabilitação que inclua atividade física regular, manutenção do peso ideal e acompanhamento médico periódico.








