Home / Mundo / Xi Jinping delega discurso na ONU a Han Zheng e visita Trump nos EUA

Xi Jinping delega discurso na ONU a Han Zheng e visita Trump nos EUA

Na sexta-feira (25), a delegação chinesa participou do quarto dia da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, mas o presidente Xi Jinping não subiu ao púlpito. Enquanto isso, o líder da China realizava uma visita de Estado aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente Donald Trump em Washington.

Visita de Estado à América

A viagem começou na quarta-feira (23), quando Xi Jinping e sua comitiva chegaram ao Aeroporto Internacional de Washington. O objetivo oficial era estreitar laços bilaterais e discutir questões comerciais, de segurança e de tecnologia entre as duas maiores economias do planeta.

Durante a estadia, o presidente chinês manteve reuniões fechadas com Trump, além de encontros com membros do Congresso e representantes de empresas americanas. A imprensa americana destacou a cordialidade do encontro, apontando para um tom mais amistoso do que o habitual em relações sino‑americanas.

Segundo analistas citados pelo g1, a escolha de Xi de viajar aos EUA justamente no mesmo dia em que a ONU abre suas sessões principais revela uma estratégia calculada. O líder parece querer mostrar que a China pode conduzir sua agenda diplomática em múltiplos fronts simultaneamente, sem depender exclusivamente da plataforma das Nações Unidas.

O papel de Han Zheng na ONU

Com Xi ausente, a responsabilidade de representar a China na Assembleia recaiu sobre o vice‑presidente Han Zheng. O diplomata, que já ocupou cargos de destaque no Partido Comunista Chinês, assumiu a fala no plenário, enfatizando a necessidade de cooperação internacional e o respeito à soberania nacional.

Han Zheng utilizou o discurso para reiterar o compromisso da China com o multilateralismo, mas também para criticar intervenções externas em assuntos internos de países. Ele destacou a importância da ONU como fórum para resolver conflitos, ao mesmo tempo em que sugeriu que as potências ocidentais deveriam evitar imposições unilaterais.

Especialistas em relações internacionais, como o professor Maurício Santoro da UERJ, interpretam a escolha de Han como um sinal de que a China ainda valoriza a presença na ONU, ainda que prefira delegar a fala a figuras de segunda linha quando o presidente está ocupado em outros compromissos de alto nível.

Implicações para a diplomacia multilateral

A ausência de Xi Jinping no principal encontro diplomático do ano gerou debates sobre a postura da China em relação ao multilateralismo. Alguns observadores temem que a delegação possa estar sinalizando um desinteresse pelos fóruns ocidentais, mas a maioria concorda que a estratégia é mais nuanceada.

Larissa Wachholz, pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos, afirma que a China tem se posicionado consistentemente a favor de organismos multilaterais, ainda que critique determinadas decisões que considere desfavoráveis aos seus interesses. O discurso de Han Zheng reforçou essa linha, defendendo reformas internas da ONU que ampliem a representatividade dos países em desenvolvimento.

Nos últimos meses, Xi Jinping compareceu a diversos eventos internacionais, demonstrando sua disposição em participar ativamente da diplomacia global. Entre eles, destacam‑se:

  • Fórum Econômico Mundial em Davos (2023)
  • Cúpula do G20 em Bali (2022)
  • Conferência de Segurança de Munique (2021)
  • Encontro de líderes da ASEAN em Bangkok (2020)

Essas aparições mostram que a ausência de Xi na ONU não se trata de um boicote ao organismo, mas sim de uma priorização de agendas específicas. Ao mesmo tempo, a escolha de Han Zheng como porta‑voz evidencia que a China ainda considera a ONU um palco essencial para projetar sua visão de mundo.

O cenário também traz reflexões sobre a dinâmica entre China e Estados Unidos. Enquanto Trump recebeu a delegação chinesa com hospitalidade, a reciprocidade chinesa não se traduziu em um discurso de Xi na ONU, o que pode indicar uma estratégia de “soft power” diferente, focada em negociações bilaterais diretas ao invés de discursos multilaterais.

Para o público brasileiro, a cobertura do evento reforça a importância de acompanhar de perto as movimentações diplomáticas que podem influenciar acordos comerciais, investimentos e questões de segurança regional. A presença de representantes chineses na ONU, ainda que liderada por Han Zheng, garante que o país continue inserido nas discussões sobre mudanças climáticas, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

Em síntese, a decisão de Xi Jinping de priorizar a visita aos EUA e delegar o discurso na ONU a Han Zheng reflete uma estratégia de múltiplas frentes, onde a China busca equilibrar relações bilaterais com a necessidade de manter influência nos fóruns multilaterais. A expectativa é que, nos próximos encontros da ONU, o presidente chinês retome o protagonismo no plenário, mas, por enquanto, a voz do país continua sendo ouvida através de seus altos representantes.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

loader-image
Guarulhos, BR
3:16 am, set 25, 2026
temperature icon 13°C
Encoberto
1016 mb
Hora
4:00 am
temperature icon
12°/13°°C 0 mm 33% 9 Km/h 93% 1016 mb 0 cm
7:00 am
temperature icon
13°/17°°C 0 mm 18% 7 Km/h 83% 1018 mb 0 cm
10:00 am
temperature icon
19°/23°°C 0 mm 6% 4 Km/h 60% 1016 mb 0 cm
1:00 pm
temperature icon
24°/25°°C 0.01 mm 10% 12 Km/h 48% 1013 mb 0 cm
4:00 pm
temperature icon
21°/23°°C 0.01 mm 7% 9 Km/h 58% 1013 mb 0 cm
7:00 pm
temperature icon
18°/18°°C 0 mm 9% 6 Km/h 80% 1016 mb 0 cm
12:00 am
temperature icon
21°/22°°C 0 mm 11% 6 Km/h 87% 1016 mb 0 cm
3:00 am
temperature icon
21°/22°°C 0 mm 13% 6 Km/h 90% 1016 mb 0 cm