Nas eleições estaduais de 2026, dois candidatos que ficaram em segundo lugar no primeiro turno conseguiram reverter a situação e foram eleitos governadores neste domingo, 25 de outubro, em Rio Grande do Norte e Tocantins. A virada surpreendeu analistas e reforçou a importância das campanhas de segundo turno.
Rio Grande do Norte e Tocantins: as reviravoltas mais marcantes
Cadu de Lula, do Partido dos Trabalhadores, iniciou a disputa com 36,16% dos votos no primeiro turno, atrás de Allyson, da União Brasil, que liderava com 36,94%. No segundo turno, o petista alcançou 50,77% dos votos, ultrapassando Allyson, que ficou com 49,23%.
Vicentinho Júnior, do PSDB, também começou em desvantagem, obtendo 43,94% contra 45,52% de Professora Dorinha, da União Brasil, no primeiro turno. No domingo, o tucano venceu com 64,52% dos votos, enquanto Dorinha recebeu 35,48%.
Ambos os candidatos aproveitaram estratégias de mobilização nas redes sociais, alianças com lideranças locais e debates intensos para mudar a percepção dos eleitores indecisos. A vitória de Cadu de Lula também refletiu o apoio de setores do movimento sindical, enquanto Vicentinho Júnior contou com a força da bancada do PSDB no Congresso.
Outros governadores que confirmaram a liderança no segundo turno
Além das duas reviravoltas, quatro governadores mantiveram a vantagem obtida no primeiro turno e foram reeleitos ou eleitos no segundo turno.
- Mailza Assis (PP) – Acre: 49,76% no primeiro turno, 66,21% no segundo turno.
- Omar Aziz (PSD) – Amazonas: 40,63% no primeiro turno, 61,42% no segundo turno.
- Celina Leão (PP) – Distrito Federal: 49,93% no primeiro turno, 57,18% no segundo turno.
- Lorenzo Pazolini (Republicanos) – Espírito Santo: 49,65% no primeiro turno, 52,17% no segundo turno.
Esses resultados demonstram a consolidação de lideranças regionais e a eficácia das campanhas de segunda fase, que focaram em propostas de desenvolvimento econômico e segurança pública.
Contexto político e implicações das viradas
As viradas no Rio Grande do Norte e Tocantins revelam a volatilidade do eleitorado brasileiro, que ainda se mostra sensível a debates sobre políticas públicas, infraestrutura e gestão de recursos federais. O fato de candidatos do PT e do PSDB superarem a União Brasil indica um cenário multipartidário mais equilibrado.
Especialistas apontam que a presença de figuras presidenciais nas campanhas estaduais influenciou o resultado. O apoio de Lula ao candidato do RN e a aliança do PSDB com lideranças locais no TO foram decisivos para mudar a dinâmica das urnas.
Além disso, a vitória de Cadu de Lula pode fortalecer a agenda de políticas sociais no Nordeste, enquanto Vicentinho Júnior tem potencial para impulsionar projetos de integração regional no Centro-Oeste.
O panorama nacional das eleições de 2026
Em 2026, o Brasil registrou um recorde histórico de governadores eleitos no primeiro turno, totalizando 20 vitórias, e com a confirmação de Douglas Ruas (PL) no Rio de Janeiro, o número subiu para 21. Esse cenário demonstra a fragmentação do voto e a importância dos segundos turnos para definir o mapa político do país.
O presidente Lula destacou que a vitória dos candidatos alinhados à sua base representa a força da democracia, do nacionalismo e da honradez. Já a oposição tem buscado reorganizar suas estratégias para os próximos pleitos, focando em coalizões mais amplas.
Os resultados também impactam a distribuição de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), que serão negociados pelos novos governadores nos próximos meses.
Em síntese, as eleições de 2026 reforçaram a importância das campanhas de segundo turno, a necessidade de alianças estratégicas e a capacidade de candidatos em reverter situações adversas, moldando o futuro político e econômico do Brasil.








